Elaine Elesbão no Iluminuras

Entrevista para o programa Iluminuras, da TV Justiça.

Se você deseja saber um pouquinho mais sobre mim e os meus livros, acesse o link abaixo, mas, por favor, releve o nervosismo da autora que é super tímida:

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Conto: A Promessa das horas

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A Promessa das Horas

A enfermeira me ajeita na cadeira de rodas, mas sou birrenta, enrijeço o corpo, ela me coloca na posição que acha adequada, examina para ver se estou confortável e despenco. Sou uma mulher velha e me dou o direito de, a esta altura da vida, dar um pouco de trabalho. Ela volta a me arrumar, agora com um pouco menos de paciência, com menos carinho, e decido colaborar.
O sol está morno. Todo dia me colocam para tomar banho de sol, como se eu fosse uma roupa velha que precisa perder o cheiro de mofo. Não sei se o cheiro de mofo abandona as roupas velhas que são colocadas ao sol; das pessoas velhas, sei que o cheiro não sai.
Presto atenção em tudo o que acontece a minha volta. Diversas vezes, já me peguei envolvida na história de alguém, participando mentalmente de diálogos alheios, isso é tudo o que me restou.
Não consigo ler direito porque enxergo mal, não tenho paciência para ouvir música porque estou quase surda, não posso caminhar porque os ossos estão fracos, não me deixam viver porque a morte está a minha espreita, mas posso pensar porque o cérebro continua supimpa… E isto, até que não é muito bom.
Por que não me diverti mais? Ah, se eu soubesse antes o que sei agora! O problema é que a gente só aprendeu o suficiente quando o tempo se tornou insuficiente. Então, o relógio zera.
Até que eu ia indo bem, mesmo com essa idade toda, estava gostando da minha vidinha, mas, aí, me trouxeram à força para esta casa de repouso. Fiquei rebelde e decidi me comportar da maneira que as pessoas esperam que uma senhora de noventa anos se comporte. E fui mesmo piorando. A infelicidade é um santo veneno.

Continue lendo, adquira o conto na Amazon:

A Promessa das Horas

 

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O QUE NOS CAI BEM

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O QUE NOS CAI BEM

Às vezes, observando as pessoas e as suas atitudes, acabo comparando-as a roupas. Parece estranho fazer esse tipo de analogia, muito estranho, eu sei. Mas, para mim, faz sentido. E garanto que não tem nada a ver com o uso de modo pejorativo. Também não tem qualquer conotação de preço ou de posse embutida na ideia. É só uma maneira boba que encontrei para tornar mais divertida a minha análise empírica de perfis psicológicos.
Então…
Algumas pessoas são como os pijamas quentinhos que nos aquecem nas noites frias, pois nos aconchegam e fazem com que nos sintamos confortados e confortáveis.
Outras são como aquele vestido incrível que se molda ao corpo e nos faz parecer poderosas, pois estão sempre dispostas a nos ajudar a levantar a autoestima e costumam evidenciar o que há de melhor em nós.
Não posso me esquecer de comentar sobre aquelas que são como a blusa antiga que combina com tudo, que nunca conseguimos encontrar outra sequer parecida em lugar algum, porque estão há anos fazendo parte da nossa história e sendo a melhor opção para estar conosco em diversos momentos do cotidiano.
Mas existe roupa e gente que não nos favorece, que mesmo que o número seja o nosso, não nos cai bem. De quando em vez, eu me deparo com uma peça desse tipo em alguma vitrine… Só que aprendi a jamais trazer algo para a minha vida sem dar uma boa avaliada antes, assim procuro evitar ser iludida pela aparência, pela ideia abstrata de perfeição e, principalmente, pela subjetividade do “vai servir”.
É preciso “experimentar” mesmo, com os olhos bem abertos, diante de um espelho enorme, embaixo daquela luz forte, para saber se ficou bom, se a sensação é agradável, se me senti bonita, confortável, se vale a pena investir. Nada de adquirir por impulso, ou porque alguém está me dizendo que ficou perfeita, prefiro seguir a minha intuição e considerar o que eu mesma estou sentindo, e se não me fizer sentir bem, não quero.
E eu? Que tipo de roupa sou?
Tenho certeza de que já fui para algumas pessoas aquele modelito errado, incômodo… Pois sei que não dá para ser unanimidade nem agradar a todos os gostos ou necessidades. Mas, um pouco mais a cada dia, dependendo da situação e da pessoa, tenho tentado ser o pijama que aquece e conforta, o vestido incrível que exalta as qualidades ou a blusa antiga que está sempre à disposição para participar do dia a dia daqueles com quem me importo e que jamais abrem mão da minha companhia.
Desejo para você e para mim que, em algum momento, a gente possa se esbarrar por aí em alguma vitrine da vida e caibamos lindamente na vida do outro… E, se isso não acontecer, se o não cair bem for fato, que consigamos descobrir isso o mais rapidamente possível e que saibamos, mesmo assim, admirar as nossas mútuas qualidades e seguir os nossos caminhos sem qualquer frustração ou mágoa.

(Elaine Elesbão)

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POESIA

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Poesia

Eu soube que um poeta me fez sua musa…
E na lousa fria da minha alma escrevi seu nome.
O que era gelo derreteu,
e mais ainda, fez-se fogo…
Tudo ardeu!

E a chama que tudo inflama, percorre a espinha.
Já não estou mais sozinha…
Já não me sinto vazia…
Agora eu sou poesia!

(Elaine Elesbão)

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TEMPO

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O tempo passa rápido pra quem não tem pressa.
Passa devagar para quem está apressado.
Machuca quem não criou a tal casca.
Faz carinho em quem já está tarimbado.

É melhor tentar fazer dele um amigo,
deixar que a sua mágica aconteça.
E, assim, talvez você consiga,
realizar tudo o que deseja…
Antes que o corpo pereça.

Mas uma coisa é determinante:
Aproveitar cada instante!
Porque nada que passou volta…
E estar ali participando,
fazendo valer cada momento,
é o que realmente importa.

(Elaine Elesbão)

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NO DIÁLOGO LITERÁRIO

Semântica

VERBOS DICENDI

São os verbos de elocução. A elocução refere-se à maneira pela qual alguém se expressa, quais palavras usa para fazê-lo.
Alguns exemplos de verbo dicendi:
DIZER – afirmar, declarar;
PERGUNTAR – indagar, interrogar;
RESPONDER – retrucar, replicar;
CONTESTAR – negar, objetar;
CONCORDAR – assentir, anuir;
EXCLAMAR – gritar, bradar;
PEDIR – solicitar, rogar;
EXORTAR – animar, aconselhar;
ORDENAR – mandar, determinar.
Os verbos dicendi no diálogo literário são sempre escritos com letra minúscula depois do segundo travessão. E antes do segundo travessão a frase termina sem o ponto final. Pontue o final da frase somente se ela exigir um ponto de exclamação ou de interrogação.
Exemplo:
– Eu te amo – disse, consternado.
– Eu te amo! – disse, consternado.
– Eu te amo! – bradou.
– Eu te amo? – questionou.

Observação importante!
Os verbos que indicam ação da personagem devem ser escritos com letra maiúscula depois do segundo travessão. E a frase antes do segundo travessão é pontuada.
Exemplos:
– Eu te amo! – Sorriu e se levantou após a declaração.
– Sei muito bem como é a vida. – Bateu palmas e depois saiu.
– Irene nunca vem quando chamo. – Virou as costas e deixou a sala.
– Sério isso! Muito sério! – Gargalhou alto.
– Caiu mesmo? – Estendeu a mão e ajudou a amiga a levantar-se.

 

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SEGREDO

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O meu coração não é de aço,
A minha dor não tem compasso,
A estrada é longa e eu me canso,
Está escuro e tenho medo,
Mas vou te contar um segredo:

O amor é minha sina,
Está onde o meu eu começa e termina…
E mesmo que ele se esconda,
Mesmo que não se renda,
Sempre será parte da minha vida.

(Elaine Elesbão)

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ENGODO

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Quando achei que era impossível,
você me fez crer que bastava querer…
Então, eu quis…

Quando pensei que seria difícil,
você me disse que eu só precisaria
segurar a sua mão…
Então, segurei!

Quando senti medo do rumo da história,
você me contou que já sabia o enredo…
E resolvi ajudá-lo a escrever!

Mas você se esqueceu de me explicar as regras…
Que não são poucas.
Querer não basta, confiar não supre…
Toda doação é mínima.
E me encontro sempre tentando ser
quem você deseja ver em mim…

Eu sou essa pessoa que você diz que ama.
E que ao mesmo tempo o desagrada tanto.
Antes que tudo perca o encanto…
Apago a luz.
Fecho as portas.
Caminho de volta pra mim.

O que eu quero é não mais querer.
A minha mão foi feita pra segurar a pena.
As histórias que escrevo são sobre os outros…
O meu porto seguro sou eu.

(Texto de Elaine Elesbão)

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Que tal sorrir?

 

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Como alguém que em um gesto de desespero resolve deixar a vida cortando os pulsos, ela também decidiu que já era a hora do basta. Mas o basta dela não era para a vida, era para tudo o que a levava para mais perto da morte dos seus sonhos. Bastava de medos, de culpas, de ressentimentos, de remoer o que nunca foi dito e de relembrar tudo de ruim que já lhe disseram. Era tanta agonia em cada suspiro que ela não conseguia mais nem esvaziar-se da dor. Algo precisava ser feito, urgentemente, antes que ela já não se pertencesse mais.
Então, em um gesto de coragem, ela cortou seu cordão umbilical com a tristeza. Foi fria e certeira. Chegou a achar que não sobreviveria, pois há tempos vivia sendo alimentada por esse sentimento. Mas para não deixar dúvida de que estava pronta para vibrar de outra maneira, deu um salto em queda livre tendo como alvo o “eu me aceito”.
Ela não estava louca… Também não era otimista demais, longe disso. Ela apenas havia descoberto que não adiantava nada desgastar-se, esgotar-se ou limitar-se. Queria sentir-se plena, gostar de si, livrar-se das culpas e das amarras invisíveis que a prendiam a padrões de comportamento que só faziam com que ela se achasse inadequada.
Claro que daria muito trabalho ser leve, ela sabia, mas tinha certeza de que dava mais trabalho ainda não ser.
O que ela queria de verdade era sossegar o coração. Com o coração tranquilo seria possível dormir melhor, pensar melhor e ser uma pessoa melhor. Com tudo melhorado, ela tinha fé de que iria rir mais, divertir-se mais e perdoar-se mais.
Não há tratamento de saúde que seja tão eficaz quanto o exercício de sorrir… Ela conhecia pessoas assim, que traziam o sorriso nos lábios e no olhar. Pessoas que não se deixaram viciar pela tristeza e que optaram por acreditar nelas mesmas.
E foi aí que ela sorriu…
Ah, e como ela ficava bonita sorrindo!

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DO AVESSO

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DO AVESSO

Você vai pensar em mim
O tempo todo assim
Querendo me querer,
mas com medo do meu jeito
que te rabisca por dentro

Vai tentar deter a onda
Vai pensar que é passageiro
Vai me comparar a outras
Embriagado do meu cheiro

E eu te deixo livre pra sentir
Não sou igual as que existem por aí
O meu querer não depende do seu…
Mas vou te encaixar no meu céu
E te virar do avesso ao ler seu ser

Vai tentar deter a onda
Vai pensar que é passageiro
Vai me comparar a outras
Embriagado do meu cheiro

E quando pensar que sou sua
Que me tem como bem quiser
Vou te mostrar que me pertence
Que sou eu que faço o seu roteiro
E te inebrio com meu cheiro

(Elaine Elesbão)

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