DEZEMBRO – 2013

FAMÍLIA DE NORMAN ROCKWELL CONTESTA BIOGRAFIA COM “TEORIA FANTASIOSA” SOBRE SUA SEXUALIDADE

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A família de Norman Rockwell repudiou uma nova biografia do ilustrador americano, afirmando que ela contém diversas informações imprecisas e cria uma “teoria fantasiosa” sobre a sexualidade dele.
“American Mirror: The Life and Art of Norman Rockwell”, de Deborah Solomon, foi publicada em novembro.
Em uma declaração divulgada pela Norman Rockwell Family Agency, familiares dizem ter encontrado pelo menos 96 erros factuais no livro, além de terem feito uso “extremamente seletivo” da autobiografia do artista, “My Adventures as an Illustrator”.
Procurada por meio de sua editora, Solomon não comentou as acusações.
Rockwell, que viveu em Stockbridge, no Estado de Massachusetts, ilustrou mais de 300 capas do “Saturday Evening Post”. Ele morreu em 1978.
No documento, a família refere-se a um trecho do livro em que a autora afirma que Rockwell costumava ir para escolas nos intervalos e falar com meninos na rua, e que esse comportamento poderia ser considerado problemático atualmente.
A passagem ignoraria a explicação do próprio artista em sua autobiografia, na qual afirma que, quando convencia um menino a posar para uma ilustração, falava com a mãe da criança para pedir autorização.
“Ela corrobora essa afirmação infundada com outra teoria fantasiosa de que Rockwell era um homossexual não assumido”, diz o texto. “Associar pedofilia e homossexualidade dessa forma é ofensivo e claramente homofóbico.”
Em uma entrevista dada em outubro ao “The Wall Street Journal”, Solomon, que também assina biografias dos artistas Jackson Pollack e Joseph Cornell, disse acreditar que Rockwell não manteve relações homossexuais, mas acrescentou que ele preferia a companhia masculina e que era possível perceber um “enorme homoerotismo” em seu trabalho. Ela diz que não procurou especular sobre a psicologia do ilustrador.
De acordo com a família, a autora não compreendeu Rockwell como uma pessoa e negou que ele fosse solitário, melancólico ou frequentemente deprimido.
“É absurdo. Ele não era uma pessoa triste, cronicamente deprimida ou hipocondríaca. Ele teve seus problemas, seus momentos difíceis, como qualquer um de nós, mas era uma pessoa que em última análise amava a vida”, diz a declaração, assinada pelo filho de Rockwell, Thomas, e pela neta dele, Abigail.
A família também ficou incomodada com o fato de o Norman Rockwell Museum, localizado em Stockbridge, ter endossado o livro.
Em um texto de divulgação de um evento que contaria com a presença de Solomon, Laurie Norton Moffatt, a diretora do museu, disse que o livro era “uma biografia bem pesquisada e escrita que apresenta várias teorias e interpretações únicas do artista”.
O museu declarou ao “Berkshire Eagle” que é um centro de liberdade acadêmica sobre a vida de Rockwell e que “American Mirror” era apenas um de uma grande linhagem de livros sobre o artista.

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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BIOGRAFIA DE DUKE ELLINGTON REVELA UM ARTISTA MAIS ADMIRADO DO QUE AMADO

Obra aborda desde suas contribuições ao jazz a briga com músicos que o acusavam de roubar melodias

Obra aborda desde suas contribuições ao jazz a briga com músicos que o acusavam de roubar melodias

A capa da biografia Duke, a Life of Duke Ellington mostra um raro close up da cicatriz no rosto do músico que elevou o jazz à grande arte de composição nativa dos EUA. A origem da cicatriz recebeu versões variadas do próprio gênio opaco, nascido Edward Kennedy Ellington, em 1899. Mas o novo biógrafo de Ellington, Terry Teachout, deixa claro que não foi acidente e sim uma navalhada recebida na cama da mulher Edna, de quem Ellington nunca se divorciou e a quem nunca foi fiel.
“Não deixe ninguém arruinar seu belo estado de espírito.” Quando encontrei Mercedes Ellington, pouco antes do centenário de Duke Ellington, ela repetiu A frase que sempre ouviu do avô sobre o preconceito racial. O conselho resume a atitude que fez Ellington merecer o apelido de Duque e ajuda a explicar seu sucesso numa sociedade dominada por brancos.
Seu instrumento não era o piano e sim a orquestra, o diagnóstico preciso é de Billy Strayhorn, seu mais talentoso e mais explorado parceiro. Duke não contém novas revelações sobre o grande compositor mas é reveladora por costurar a narrativa de um artista que foi mais admirado do que amado. Autor da elogiada Pops, A Vida de Louis Armstrong, Teachout resiste aos floreios característicos da persona pública de Ellington. Faz a crônica de seu enorme talento e do mau comportamento, que incluía assumir crédito e receber direito autoral por melodias clássicas compostas por seus músicos, como Sophisticated Lady ou Mood Indigo. Mas se hoje seria impossível um compositor se apropriar tanto, Teachout acredita que Ellington teria chegado onde chegou, ainda que por um caminho criativo mais árduo.
Terry Teachout, autor da nova biografia de Duke Ellington, já havia lançado em 2010 um livro sobre Louis Armstrong. Pergunto a ele, depois de passar uma década debruçado sobre os dois gigantes do jazz, qual a companhia que prefere ou, como perguntam os americanos, com quem gostaria de tomar uma cerveja. “No caso de Armstrong, seria fumar um baseado”, responde o autor com uma gargalhada. “Nunca conversei com alguém que não amasse Armstrong. Ellington inspirava respeito mas, afeto? Não sei.”
Por que a biografia começa em 1943, o ano do primeiro concerto de Ellington no Carnegie Hall?
Gosto de começar biografias num momento chave que aponta para o passado e o futuro e que possa resumir uma grande transição. E, para Ellington, foi aquela estreia. Ele era sensível à questão do prestígio, preocupado com sua estatura, no mundo do jazz e na cultura em geral. E, para ele, estrear no Carnegie Hall com a peça mais ambiciosa que havia composto, Black Brown and Beige, foi para mim uma oportunidade.
A ironia é que o concerto expõe o gênio e também as limitações de Ellington como compositor.
Com certeza. Ele era um gênio complicado, com um lado meio perverso. Só começou a escrever a composição do concerto mais importante de sua vida seis semanas antes da estreia. Isto era típico da personalidade dele.
Ellington era mestre em se manter misterioso para o público e a imprensa. Foi um desafio construir a biografia através de testemunhos?
Sim. Minha biografia anterior foi sobre Louis Armstrong, um homem aberto que escreveu sobre si mesmo e se correspondia bastante com outros. Com Ellington, é preciso se apoiar em entrevistas formais, ele não manteve um diário, quase não mandou cartas. E a autobiografia que escreveu, Music is My Mistress, foi evasiva e pouco reveladora. É preciso contar sua história com base na narrativa de quem o conheceu e decidir quem tem credibilidade é mesmo um desafio.
Por que diz que escolheu escrever um certo tipo de biografia, não um tratado acadêmico musical?
Eu incluí muita pesquisa original no livro mas também trabalhei com enorme quantidade de material pesquisado por acadêmicos, cujo trabalho é conhecido mais pelos colegas e não pelo público em geral. Achei que a minha tarefa era transformar tanto conhecimento especializado numa narrativa que tivesse a força de um romance, mas sempre apontando as fontes. O meu livro é uma janela para tudo o que se conhece sobre Duke Ellington até o momento.
O que faz de Duke Ellington um compositor único?
As big bands apareceram antes de Ellington. Mas ele foi o primeiro compositor de jazz a usar a orquestra com imaginação em cor e na flexibilidade estrutural que, até então, um autor clássico trazia para uma sinfônica. As primeiras gravações importantes de Ellington, em 1926, introduziram esta mudança no jazz. Antes o jazz não era fundamentalmente uma arte do compositor e sim do improvisador. O jazz ainda é uma arte de improvisação mas, quando um compositor talentoso aparece, seja Ellington então, ou Maria Schneider hoje, consegue integrar composição e improvisação.
Ele tinha uma relação complicada, às vezes hostil, com seus músicos. Alguns brigavam, saíam e voltavam, não?
Era comum brigarem porque Ellington usava suas improvisações como base para escrever composições. Ele queria assumir o crédito sozinho e pagar apenas um cachê fixo ao músico. O arranjo se tornou insustentável e ele fez novos acordos. Mas houve músicos que nutriram um profundo ressentimento por ele assumir autoria e direitos autorais de composições famosas. Sophisticated Lady deve ser o melhor exemplo. Ele não escreveu uma nota da melodia. Parte da melodia é do trombonista Lawrence Brown, parte do Otto Hardwick, o saxofonista. O que o Ellington fez foi combinar suas ideais musicais numa canção. O nome dos autores continua desconhecido do público. Mas os músicos ficavam com ele porque ele era Duke Ellington. Ele pagava bem, escrevia arranjos que destacavam os solistas e também porque, se eles tinham propensão a se comportar mal na vida privada, Ellington não prestava atenção.
Ellington era então o grande harmonista e não um melodista.
Exatamente. Ficou claro para mim que, como Beethoven e Stravinski, o grande talento de Ellington era a harmonia e ritmo, não a criação de linhas melódicas. Canções populares que o tornaram famoso, como Mood Indigo ou Sophisticated Lady, têm a mão de outros músicos.
Por que considera 1940 o auge de sua carreira?
Ele começou com a orquestra na década de 1920. Com a passagem de inúmeros músicos, ele estava experimentando nos arranjos, lembro que era basicamente um autodidata. Quando chega 1940, tudo parece se ajustar. Ele já tinha uma obra expressiva, sabia como usar seus melhores instrumentistas e dois músicos seminais se juntaram a ele, o contrabaixista Jimmy Blanton e o sax tenor Ben Webster. Durante dois anos, ele parece não conseguir criar nada menos do que uma pequena obra prima. E acho que Ko-ko, daquele período, pode ser a mais perfeita das composições curtas de Ellington. É um blues em tom menor, poderoso, dissonante, a orquestra está esplêndida, os solos não têm tanta importância. Reina a composição com sua forma perfeita, ela avança para um clímax, usa uma economia de recursos, tudo o que Ellington tinha de melhor está ali.
Ellington tinha sinestesia, descrita geralmente como uma contaminação de sentidos. O quanto isto se reflete na sua composição?
Ellington era uma das raras pessoas que, quando ouvem um som, veem uma cor. Entre compositores clássicos, Olivier Messiaen é um sinestésico conhecido. Acho que a grande sensibilidade de Ellington para cor em composição deve ser relacionada à sinestesia. É como se ele experimentasse o mundo em outra dimensão e incorporasse isso na musica. Ele mesmo falou muito sobre o assunto, sobre sua sensibilidade a estímulos visuais.
Vamos falar da importância da relação pessoal e musical de Ellington com Billy Strayhorn.
Eles se encontraram em 1939 quando Strayhorn era muito jovem e desconhecido. Ellington percebeu de imediato o talento dele e o trouxe para o grupo como arranjador. Strayhorn decifrou o código do método de composição de Ellington. E foi transformado basicamente num compositor assistente. Ele arranjou a maioria das canções populares da orquestra e, mais tarde, os dois escreveram juntos peças mais longas como Such Sweet Thunder. Sua relação era complicada, parte de pai e filho – o pai de Strayhorn era um homem violento. Mas Strayhorn era homossexual em uma época em que ser gay não era aceito no mundo do jazz. Ele não poderia ser abertamente gay e ao mesmo tempo ser uma figura pública com a orquestra. Então, houve este pacto. Strayhorn compunha para a banda mas não aparecia. Ganhava um bom salário e vivia como queria, com seus namorados. Não dava entrevistas. E, em retorno, Ellington se beneficiava deste grande artista nos bastidores. Se, de maneira geral, Ellington não tentou roubar o crédito de Strayhorn, nós temos esta figura carismática e famosa recebendo toda a glória e um outro artista que o público na época desconhecia. Strayhorn escreveu a canção tema de Ellington, Take the A Train, a maioria das pessoas não sabe disso. Mesmo quando o nome dos dois apareceu em álbuns, mais tarde, até críticos achavam que Ellington era o principal compositor. Até no caso de uma composição como Isfahan, da The Far East Suite, totalmente composta por Strayhorn, se tornou um ponto de contenção entre eles.

(Fonte: Estadão)

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MERCADO EDITORIAL DISCUTIU SEUS PRÓPRIOS RUMOS E OS DO PAÍS EM 2013

Temas como o discurso inaugural de Ruffato na Feira de Frankfurt e questão das biografias dominaram a pauta no setor

Temas como o discurso inaugural de Ruffato na Feira de Frankfurt e questão das biografias dominaram a pauta no setor

Não foi fácil chegar à Feira do Livro de Frankfurt, o principal evento do mercado editorial brasileiro em 2013. Três ministros passaram pela pasta da Cultura entre o Brasil aceitar, em 2010, o convite para ser o convidado de honra da feira – que custou R$ 18 milhões ao País – e sua realização em outubro: Juca Ferreira, Ana de Hollanda e Marta Suplicy. Mudanças também, este ano, no comando da Fundação Biblioteca Nacional, responsável pelos preparativos – saiu Galeno Amorim e entrou Renato Lessa. A lista dos 70 escritores da comitiva oficial gerou polêmica e foi acusada de racista. Ela incluiu apenas um escritor negro e um indígena e deixou de fora autores considerados menos literários, mas best-sellers, o que teria motivado a desistência de Paulo Coelho, um dos 70, de participar da festa. Sua ausência e a publicidade que ele fez dela também geraram burburinho.
Mas isso tudo foi antes. Em outubro, profissionais do mercado editorial e escritores foram em peso a Frankfurt. E a festa foi bonita. E engajada – a começar pelo discurso de abertura do escritor Luiz Ruffato, que deu o tom de todos os debates que ocorreram dentro e fora da feira. Ao contar sobre sua história e sobre sua relação com a literatura, ele acabou chamando a atenção para as mazelas brasileiras. Uns disseram que ali não era o Fórum Social Mundial. Muitos outros aplaudiram e apoiaram o escritor. Este foi o melhor momento da feira.
Enquanto o Brasil se apresentava na Alemanha, se assustava com o infarto que o cartunista Ziraldo sofreu lá e via sua literatura sendo exportada – por causa da homenagem, foram, pelas contas dos organizadores da feira, mais de 200 traduções de obras brasileiras –, uma questão cara ao mercado editorial vinha à tona: a das biografias. Foi durante a feira que o grupo Procure Saber apareceu.
Editoras e associações ligadas ao livro já acompanhavam, há tempos, a discussão e se mobilizavam para derrubar a obrigatoriedade de autorização prévia dos retratados e envolvidos nos livros. O firme posicionamento do mercado diante dessa questão e a ameaça de autores, que disseram não escrever mais, e editores que ameaçaram deixar de publicar o gênero caso nada mude, foram outra marca do ano. E em novembro, às vésperas da audiência pública no Supremo, por uma feliz coincidência, biógrafos e leitores se reuniam em Fortaleza para a primeira edição do Festival Internacional de Biografias. O evento virou, claro, palco de articulação política.
Este foi um ano de protestos, e a Flip, realizada pouco depois do auge das manifestações que levaram o brasileiro às ruas, não foi poupada. A população de Paraty, com demandas diversas, fez passeata pela cidade até chegar à frente da tenda do evento. No palco, a questão também foi debatida – mas quando um manifestante tentou mostrar um cartaz, logo foi retirado.
E por falar em Flip, São Paulo ganhou um festival nos mesmos moldes da festa fluminense. Realizada pela Associação dos Advogados de São Paulo, a Pauliceia Literária, com forte inclinação para debater a literatura policial, trouxe importantes autores do gênero, como o americano Scott Turow, e prestou homenagem à Lygia Fagundes Telles que, numa manhã inspirada, encantou a plateia.
Ao contrário do que aconteceu em outros anos, não houve unanimidade dos júris na escolha dos melhores livros e vários autores foram reconhecidos. Entre os melhores romances de 2012 premiados em 2013, destaque para Barba Ensopada de Sangue, de Daniel Galera (Prêmio São Paulo), O Sonâmbulo Amador, de José Luiz Passos (Portugal Telecom), Deserto, de Luiz S. Krausz (Benvirá), e O Mendigo Que Sabia de Cor os Adágios de Erasmo de Rotterdam, de Evandro Affonso Ferreira (Jabuti). Dois autores estrangeiros queridos dos brasileiros também receberam importantes prêmios: a canadense Alice Munro ficou com o Nobel e o moçambicano Mia Couto, com o Camões.
O livro digital deixou de ser uma novidade e passou a fazer parte da rotina das editoras. Na USP, foi inaugurada a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, com a coleção de obras raras do casal.
Foi, também, um ano agitado na Academia Brasileira de Letras, com três eleições para imortais. Rosiska Darcy de Oliveira ficou com a cadeira de Lêdo Ivo; Fernando Henrique Cardoso com a de João de Scantimburgo e Antônio Torres com a de Luiz Paulo Horta. Ana Maria Machado deixou a presidência da entidade, e Geraldo Holanda Cavalcanti é o novo presidente.
Dos imortais aos mortais. O Brasil perdeu, este ano, uma de suas principais escritoras de livros infantis. Tatiana Belinky morreu em junho, aos 94 anos. A britânica Doris Lessing também se foi aos 94. Morreram, ainda, o crítico literário alemão Marcel Reich-Ranicki, o editor francês André Schiffrin e os escritores Alvaro Mutis, Elmore Leonard, Richard Matheson, Seamus Heaney, entre outros.
E o reaparecimento de dois mitos. O recluso escritor japonês Haruki Murakami saiu de casa para falar com estudantes em Kioto. E, diagnosticado com demência senil, o colombiano Gabriel García Márquez reapareceu na inauguração de um boliche no México e mostrou o dedo médio a fotógrafos.
Os bons livros nacionais e os mais vendidos de 2013
O número de títulos lançados em primeira edição por editoras brasileiras em 2013 só será divulgado no ano que vem, mas se for parecido com o de 2012 ficará em torno 21 mil. Entre os melhores lançamentos em ficção brasileira, que podem figurar nas listas dos prêmios de 2014, destaque para Amanhã Não Tem Ninguém (Rocco), de Flávio Izhaki;Deserto (Benvirá), de Luiz S. Krausz; Esquilos de Pavlov (Alfaguara), de Laura Erber; e A Cidade, o Inquisidor e os Ordinários (Companhia das Letras), de Carlos de Brito e Mello. Destaque, também, para a edição de Toda Poesia (Companhia das Letras), de Paulo Leminski, que chegou às listas de mais vendidos, e Invenção de Orfeu (Cosac Naify e Jatobá), de Jorge de Lima. No ranking anual do Publishnews, site especializado em mercado editorial, porém, a realidade é outra. Há brasileiros no topo, mas suas obras são religiosas. São eles: o bispo Edir Macedo, com Nada a Perder Vol. 2 (Planeta, 849 mil exemplares), e padre Marcelo Rossi, com Kairós (Principium, 410 mil). Inferno(Arqueiro), de Dan Brown, é o terceiro, com 282 mil exemplares comercializados.

(Fonte: Estadão)

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LIVRO DE NEIL GAIMAN É ELEITO O MELHOR DE 2013 PELO PÚBLICO BRITÂNICO

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A obra “O Oceano no Fim do Caminho”, do escritor Neil Gaiman, foi o eleito livro do ano pelo público britânico, derrotando grandes nomes das letras do Reino Unido como Kate Aktinson, David Walliams e David Jason.
A história é um conto de fadas moderno, que retrata um homem retornando à casa em que cresceu para um funeral. Pelo prêmio, Gaiman bateu uma lista de vencedores de todas as categorias do Specsavers National Book Awards, importante prêmio literário do Reino Unido.
Nascido na Inglaterra, o autor fez seu nome ao escrever as HQs “Sandman”.
“Eu nunca havia escrito um livro que fosse tão próximo do meu coração: uma história sobre a memória e a magia e o medo e o perigo de ser uma criança. Eu não sabia se alguém ia gostar”, disse o escritor sobre o prêmio, de acordo com o jornal “The Guardian”.
“Estou feliz e empolgado que tantas pessoas tenham lido, gostado e feito seus amigos lerem também”, continuou Gaiman, que fez questão de agradecer o público que votou.

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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EM LIVRO, CRIANÇAS IMAGINAM SIGNIFICADOS PARA DIFERENTES PALAVRAS

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Criança é “responsável pelo dever de casa”, segundo Luisa, de oito anos. Já para Johanna, de dez, criança é o que ela está vivendo. Essa é apenas uma das muitas palavras definidas em “Casa das Estrelas”, livro do professor colombiano Javier Naranjo, que acaba de sair pela editora Foz, com ilustrações da francesa Lara Sabatier.
Javier teve a ideia de unir frases de seus alunos em 1988, durante uma festa de comemoração do Dia da Criança, quando pediu para que cada um da turma escrevesse em seu caderno uma resposta para a questão “O que é uma criança para você?”.
Desde então, o professor foi juntando definições de crianças para palavras como adulto (“Pessoa que, em toda coisa que fala, vem primeiro ela”, segundo Andrés, 8), branco (“O branco é a cor que não pinta”, Jonathan, 11), corpo (“É no que colocamos a roupa”, Camila, 7) e tempo (“É hora, é demora”, Ligeya, 9)
A ideia é valorizar o que dizem as crianças, já que, segundo Javier, “em todos os lugares do mundo sua voz é menosprezada”.
Muitos dos alunos de Javier hoje são adultos, e ele se encontrou com alguns deles já crescidos. “Eles reafirmaram com um brilho de verdade nos olhos o que disseram quando pequenos”, conta.
Lara, ilustradora de Paris que mora na Bolívia, imaginou o livro como a vida – começou com a infância e foi até a velhice.
Ao final, ela desenha uma equilibrista. Para Lara, essa figura representa a busca pela felicidade, que ela define como “um equilíbrio entre alegria, amor, ódio e raiva”.
A frase favorita de Lara é a definição de Weimar, 9, para quem a eternidade “é esperar uma pessoa”.

“CASA DAS ESTRELAS”
AUTOR
Javier Naranjo (tradução Carla Branco)
EDITORA Foz
PREÇO R$ 29,90
INDICAÇÃO a partir de 7 anos

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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LEIA ENTREVISTA COM PROFESSOR QUE FEZ DICIONÁRIO COM DEFINIÇÕES DE CRIANÇAS

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Confira abaixo entrevista com Javier Naranjo, que reuniu definições dadas por crianças para diferentes palavras.
O resultado foi o livro “Casa das Estrelas”, publicado no Brasil pela editora Foz.
Folha – Essas definições poderiam ser as mesmas se fossem dadas por crianças de outros países, como Índia, China, Noruega?
Apenas começo a explorar palavras (razão e sentimentos) com crianças de outros países e sou tomado pela sensação, quase certeza, de que ser criança é igual em todas as línguas e em todos os países. Entendo que ser criança é uma forma de estar no mundo. E isto –neles– é o mais comum e o mais profundo. As crianças sonham, imaginam, ocupam a terra com seus jogos tão sérios, com sua crueldade sem reflexão e sua inocência. Com seu olhar fresco.
E em todos os lugares (uns mais, outros menos) sua voz é menosprezada. Por essa condição de serem crianças, creio que as definições poderiam ser as mesmas em todos os lugares, porque seu olhar é o mesmo: agudo e sem complacências. Mudam, isso sim, situações particulares de cada país, e as crianças dão também sua voz para falarmos dessas situações.
O que você achou das ilustrações que o livro ganhou?
As ilustrações de Lara Sabatier acompanham muito bem o livro, porque dialogam o tempo todo com as vozes das crianças. Ela fez várias coisas de que gostei muito: não são propriamente ilustrações para crianças, às vezes, em outras publicações os traços são infantilizados para torná-los, digamos, compreensíveis, menosprezando a inteligência das crianças. Desta vez não.
São ilustrações que chegam a todos e com outra aposta muito interessante: Lara em cada letra do dicionário faz uma história, é seu traço, é claro, mas nele há uma narrativa específica para cada uma das seções do livro. Linguagem simples e direta, estilo que se conta em pequenos relatos.
Como as crianças que têm frases no livro reagiram ao saberem que suas definições viraram livro?
Com alguns poucos me encontrei passados os anos, e estavam surpresos e reafirmaram com um brilho de verdade em seus olhos, o que disseram quando pequenos. Essas crianças agora são pessoas de mais de 30 anos com profissões diversas, famílias e vidas bem diferentes. Quando nos vimos, seus sorrisos e a memória feliz desses dias vividos dizem tudo o que há para ser dito.
O livro foi pensado mais para adultos ou para crianças?
As crianças reagem de forma parecida aos adultos, riem do que as outra crianças disseram, se comovem e ficam atentos com seus olhos bem abertos, em silêncio, quando há tristeza e dor que prevalecem. Mas o que em nós chora é o que eles estão vivendo agora: ser criança. A lembrança de criança em nós é o que chora e o que ri também. E o que agora somos e não podemos voltar atrás, o que fomos e o que já não seremos mais. Voltar a encontrar a maravilha, o assombro do mundo, a derrota sem atenuantes de nossas vaidades e a morte sempre como conselheira. De alguma forma as crianças sabem de tudo isso.

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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ARGENTINO LUIS GUSMÁN NARRA O AMOR A PARTIR DE HISTÓRIAS MÍNIMAS

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Enquanto tantos escritores padecem de bloqueios criativos, ao argentino Luis Gusmán, 69, sobram histórias. Como resultado, costuma encaixar várias delas numa só.
Também psicanalista (atende de segunda a sexta, das 7h30 às 19h30, e, para desgosto dos que se digladiam com o papel em branco, ainda encontra o tempo da escrita), Gusmán exerce essa proficuidade desde 1973, quando movimentou a cena literária portenha com o experimental “O Vidrinho”.
“Hotel Éden”, romance de 1999 enfim traduzido no Brasil, é um exemplo bem acabado de seu talento para a reunião e a concisão.
O autor diz que se trata de uma história de amor, mas, ao acompanhá-la, o leitor esbarrará em memórias envolvendo nazistas, transformações do período peronista, ruínas físicas e emocionais.
O próprio estabelecimento que dá nome ao livro sugere as camadas narrativas que se sobreporão nas suas menos de 150 páginas.
Fundado em 1897 por um ex-oficial do Exército alemão na província de Córdoba, o hotel Éden teve entre seus visitantes, reais ou eternizados pela lenda popular, presidentes argentinos, o príncipe de Gales, o poeta Rubén Darío, Che Guevara e Adolf Hitler.
Fechou as portas em 1965, não sem antes ser usado como prisão de luxo, ao final da Segunda Guerra, para membros da diplomacia japonesa.
Esse é o cenário em que Gusmán baseia os vestígios do amor do escritor Ochoa e da cabeleireira Mônica — “Hotel Éden” é o nome do romance que o protagonista tenta iniciar há décadas, sempre topando em memórias com as quais não sabe lidar.
Não bastasse ser o local da lua de mel com o fracassado amor de juventude, o hotel traz a Ochoa lembranças de uma infância anterior à derrocada financeira da família, quando o pai, caminhoneiro, podia se dar ao luxo de pagar hospedagem para as férias no suntuoso ambiente.
“O mais difícil é sempre contar uma história de amor”, diz Gusmán, de Buenos Aires, por telefone. “Tentei mesclar com contextos políticos da Argentina, que aparecem como elementos secundários. O livro vai do micro ao macro, de histórias mínimas que formam a grande história.”
LOUCURA
O amor de Ochoa e Mônica esbarra na rejeição dele ao fato de ela ser uma simples “garota que estuda por correspondência”, enquanto ele “não passa de um homem que não consegue viver sem ela”, como define o tradutor Wilson Alves-Bezerra no prefácio da edição brasileira.
Essa ambiguidade faz Ochoa viver uma espécie de loucura, ao mesmo tempo em que, de seu ponto de vista, é Mônica quem sofre do mal.
“A literatura tem de ter valores éticos em jogo, amor, covardia. A mim, parece que a literatura mais moderna tem sido devorada por procedimentos literários, deixando as questões éticas de fora”, argumenta o autor.
Fala, neste caso, também como crítico literário — de sua lavra, saiu em 2010 no Brasil “Os Outros” (Iluminuras), com 27 nomes de autores argentinos em geral pouco conhecidos aqui, como Sergio Bizzio e Ricardo Zelarayán.

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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LIONEL SHRIVER USA EXPERIÊNCIA PESSOAL EM DRAMA FAMILIAR

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Após meia dúzia de romances publicados e duas décadas de carreira, Lionel Shriver finalmente conquistou sucesso como autora com “Precisamos Falar sobre o Kevin”, misto de drama familiar e thriller, que lhe conferiu o prêmio Orange em 2005 e foi adaptado para o cinema em 2011.
O romance trazia uma atípica visão da maternidade, pelos olhos da mãe de um adolescente que provocara um massacre em sua escola.
A forma antissentimental com que Shriver expôs os laços familiares foi o verdadeiro trunfo do romance. E é uma marca que ela reafirma com sucesso em “Grande Irmão”.
Pandora é uma empresária bem-sucedida, bem casada e com uma boa relação com os enteados. Porém, ao receber a visita do irmão músico, que não via há anos, o frágil equilíbrio de sua vida se desfaz completa e literalmente.
Outrora bonito e efervescente, Edison se tornou um obeso mórbido, comedor compulsivo, que não consegue mais se apresentar nos palcos, perdeu todos os seus pertences e não tem mais onde morar.
Sentindo-se responsável pelo irmão, Pandora coloca o casamento (e a própria saúde) em risco e adota como desafio pessoal resgatar a boa forma de Edison.
AUTOANÁLISE
Num relato em primeira pessoa cheio de dúvidas, a narradora expõe pontos de vista muito particulares (e discutíveis) sobre laços fraternos, alimentação e carreira artística, que podem fazer parte de uma autoanálise da autora.
(Além de ter passado por percalços como escritora e ser casada com um músico, Shriver também teve um irmão que morreu por complicações da obesidade.)
A forma como os temas são apresentados podem incomodar tanto obesos quanto artistas; em geral, nota-se uma opinião muito negativa da vida. Entretanto, é essa visão parcial que torna a protagonista tão humana e sua história mais rica e sujeita a interpretações.
Muito mais do que um livro de autoajuda para gordos, “Grande Irmão” é cruel, incorreto e fascinante, como um romance de peso deve ser.

(Fonte: Folha de S. Paulo)

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A NOVA LEITURA

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Quanto maior um thriller, mais provável que o leitor pule para o fim em busca da solução do mistério. Biografias têm mais chance de ser lidas na íntegra do que livros de negócios -que dirá de ioga, dos quais um capítulo em geral basta. Leitores têm 25% mais chance de terminarem um livro se ele tiver capítulos curtos.
As constatações integram as primeiras análises de dados dos serviços americanos de leitura Scribd e Oyster — nos quais os usuários pagam uma mensalidade pelo acesso a milhares de títulos. Lojas como a Amazon já têm dados do gênero, mas os mantêm privados.
A Scribd e a Oyster, informa o “New York Times”, querem oferecê-los a autores e editores como parte do negócio. Há quem tema o processo: isso pode restringir mais ainda a criatividade do mercado editorial, já tão dependente das listas de mais vendidos.

(Fonte: Painel das Letras – Folha de S. Paulo)

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TROCA E CRESCE

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Na virada para 2014, a rede social de leitores brasileiros Skoob completa cinco anos com quase 1,3 milhão de usuários e a previsão de lançar seu aplicativo para celulares e nova versão do site, que aceitará parcerias com blogs para produção de conteúdo.
O site ganhou em novembro seu primeiro grande patrocinador, o banco Itaú. Entre os serviços que oferece, está o de troca de livros entre usuários, que ganham créditos para receber novos títulos conforme repassam aqueles já lidos a outros usuários.
Em 2013, 42 mil pessoas usaram esse serviço, com “A Culpa É das Estrelas” (Intrínseca), de John Green, no topo.

(Fonte: Painel das Letras – Folha de S. Paulo)

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