MAIO – 2014

O Rei de Amarelo | Livro que inspirou True Detective ganha coletânea em quadrinhos

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A Editora Draco procura artistas para participar de uma coletânea em quadrinhos inspirada em O Rei de Amarelo, livro de contos de 1895 de Robert W. Chambers que voltou a ganhar destaque pelas referências feitas na primeira temporada de True Detective.

De acordo com o blog da Draco, a coletânea terá 128 páginas, com seis histórias de 20 páginas cada, com apenas três cores: branco, preto e amarelo. A intenção é vendê-la em formato de álbum para grandes redes de livrarias ou casas especializadas. A organização do material será feita por Erick Santos Cardoso e Raphael Fernandes.

As histórias devem ter como base o universo criado por Chambers, envolvendo a peça de teatro fictícia descrita no livro. Os roteiros prontos devem ser enviados até 30 de setembro, e as histórias aceitas prontas devem ser entregues até 21 de fevereiro de 2015. Confira as regras para envio dos trabalhos aqui.

Além da versão em quadrinhos, O Rei de Amarelo foi publicado no Brasil em abril pela Intrínseca.

(Fonte: Omelete)

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Sucesso da Amazon, “Silo” chega ao país em papel

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Assistindo ao noticiário, o autor americano Hugh Howey imaginou uma sociedade que só teria acesso à informação por uma única tela, que exibiria somente imagens ruins do mundo. Escreveu uma história curta e a vendeu por US$ 1 na plataforma de autopublicação da Amazon, em 2011.

Os leitores pediram para que ele continuasse escrevendo. Ao longo de seis meses, lançou mais quatro livros curtos que continuavam a história do primeiro. As narrativas foram agrupadas num só volume, intitulado “Silo”, que chegou, naquele mesmo ano, à lista de best-sellers do site.

O sucesso chamou a atenção da editora Simon & Schuster, que comprou os direitos da obra para o papel —Howey continua vendendo o e-book de modo independente. No Brasil, “Silo” foi lançado agora pela Intrínseca.

(Fonte: Café das Quatro)

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Crítica: Livro é testemunho de existência intensa do crítico André Bazin

A. Bazin

A pergunta “o que é o cinema?” constitui, por si, uma audácia e um desafio. Quem a formula dispõe-se a respondê-la, e não é qualquer um que pode se entregar a essa aventura. “Qualquer um”, não. Raríssimos.

Talvez apenas um, André Bazin, tenha sido capaz de oferecer uma resposta não apenas eficaz e precisa, como ampla o bastante para influenciar a arte do cinema por mais de meio século.

Não será exagero dizer que nenhum teórico ou crítico foi tão influente quanto Bazin. Ele estava ao lado de Roberto Rossellini (1906-1977) ao formular o neorrealismo; animava os cineclubes de vanguarda do mesmo modo como levava filmes às prisões; fundou os “Cahiers du Cinéma”, a mais importante revista dedicada a esta arte que já existiu, foi o mentor da geração da nouvelle vague, e foi uma espécie de pai espiritual de François Truffaut (1932-1984).

(Fonte: Café das Quatro)

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Roberto Carlos diz que não entrará na Justiça contra livro de seu biógrafo

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O cantor Roberto Carlos não entrará na Justiça contra o livro “O Réu e o Rei”, de autoria do jornalista Paulo Cesar de Araújo. A obra conta a história da batalha judicial em torno da biografia “Roberto Carlos em Detalhes” (ed. Planeta), publicada em 2006 e retirada das livrarias após acordo judicial entre autor, editora e músico.

A decisão sobre o novo livro de Araújo foi anunciada nesta sexta-feira (30) por meio de nota enviada à imprensa pelo advogado de Roberto, Marco Antônio Campos.

“Com relação ao livro ‘O Réu e o Rei’, Roberto Carlos não vai tomar qualquer medida jurídica, em face de: a) o livro não ser uma biografia sua, mas uma autobiografia do autor; b) ao contrário do livro anterior, não conter invasão de sua privacidade e/ou injurias ou difamações a sua pessoa. O livro ‘Roberto Carlos em Detalhes’ não foi censurado ou apreendido, mas saiu do mercado em face de um acordo judicial, irrevogável e definitivo, assinado espontaneamente pelo autor do livro, o editor e a Editora”, diz a nota divulgada pelo advogado de Roberto.

Segundo Campos, ele e outros advogados de Roberto leram o livro, lançado na quarta-feira (21), durante a semana e prepararam um parecer para o cantor. Em 2007, Roberto alegou na Justiça que a biografia “Roberto Carlos em Detalhes” invadira sua intimidade, acionando o autor e a editora nas esferas cível e criminal.

Em resposta ao comunicado enviado por representantes de Roberto, a editora de “O Réu e o Rei” enviou a nota: “A Companhia das Letras considera o livro de Paulo Cesar Araújo, ‘O Réu e o Rei’ –com o relato da pesquisa e dos passos que fizeram com que a biografia de Roberto Carlos fosse retirada do mercado– um marco na história da luta pela liberdade de expressão no Brasil, e em particular da luta pela liberdade de publicação de biografias e livros que retratem a história do nosso país. Como todos os editores, aguardamos agora que o Senado dê continuidade à tramitação do Projeto da nova Lei das biografias”.

SEM ALARDE

“O Réu e o Rei” chegou às livrarias sem a habitual divulgação de obras do tipo, como divulgação prévia para a imprensa, propaganda ou festa de lançamento, uma estratégia para evitar que os advogados de Roberto Carlos se adiantassem ao lançamento.

O livro é o segundo colocado na lista de livros mais vendidos de não ficção. A obra teve tiragem inicial de 30 mil cópias. Em uma semana, mais 15 mil livros foram colocados em circulação pela editora. A Companhia das Letras não divulga o número de vendas.

Hoje é possível barrar biografias feitas sem a autorização de biografados ou herdeiros por meio de dois artigos do Código Civil. A Câmara aprovou neste mês um projeto que permite a publicação de biografias sem autorização. O texto seguiu para o Senado e, caso seja aprovado, vai à sanção presidencial.

A discussão sobre a necessidade de autorização prévia para esse tipo de obra também corre no Supremo Tribunal Federal. Há duas semanas, Roberto Carlos entrou no tribunal em defesa dos artigos, alegando que garantem o direito à privacidade.

Em “O Réu e o Rei”, Araújo conta que, segundo Roberto, o biógrafo é um usurpador da história alheia, “como se a história de uma figura pública não pertencesse também à coletividade nem fosse de interesse geral”.

O debate em torno das biografias não autorizadas voltou à discussão no fim do ano passado, quando Roberto e outros músicos, como Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil, declararam-se a favor da norma vigente, ou seja, da brecha na lei que permite a proibição de biografias que não tenham sido autorizadas por biografados ou seus herdeiros.

TRECHOS

O juiz Tércio Pires nos recebeu de pé com os promotores Fausto Junqueira de Paula e Alfonso Presti. A escrevente Silvana Mori também já estava lá.
Antes de sentar, todos se cumprimentaram apertando as mãos – o que não aconteceu entre mim e Roberto Carlos. Não por indelicadeza, mas pelo lugar que logo ocupamos na sala. O cantor se posicionou do lado direito do juiz, enquanto eu fui para o esquerdo, ficando do outro lado da mesa de reunião. Para haver o aperto de mão, precisaríamos dar uns três passos em direção ao outro, mas nem eu nem ele tomamos a iniciativa. Exatamente nesse instante me lembrei de um verso de “Pensamentos”, uma de suas canções pacifistas, que diz: “Quem me dera que as pessoas que se encontram/ Se abraçassem como velhos conhecidos/ Descobrissem que se amam/ E se unissem na verdade dos amigos”.

“Você escreveu que eu participei de orgias com garotas menores no apartamento de Carlos Imperial! Você me chamou até de covarde neste livro!”
Nesse momento tive certeza de que o cantor não havia lido a biografia. Qualquer leitor de “Roberto Carlos em Detalhes” sabe que ali não existem essas acusações. Respondi: “Roberto, você talvez seja a única pessoa que viu isso no meu texto. Nem mesmo seu advogados que aqui estão acreditam que escrevi tais coisas sobre você”.

Roberto Carlos nada falou sobre o Brasil, sobre o governo Lula, sobre o papel dos Estados Unidos no mundo. É assim desde que ele despontou para o sucesso, há mais de 40 anos. Como não gosta de falar de política e também não se interessa por filosofia, economia, sociologia ou literatura, os temas de suas entrevistas costumam ficar restritos basicamente à sua vida pessoal e a alguns aspectos da carreira. Foi o que aconteceu mais uma vez nesse depoimento ao “Fantástico”, em que, para justificar a censura a um livro, argumentou que “privacidade é uma coisa fundamental em ser protegida”.

Extraídos de “O Réu e O Rei”

(Fonte: Folha de São Paulo)

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Autora de hit de ‘Crepúsculo’ diz se inspirar em sua própria dor

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A cantora Christina Perri, 27, americana que começou a carreira profissional há cerca de quatro anos, contabiliza três hits. Um deles, “A Thousand Years”, arrebatou plateias como parte da trilha do filme “A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1”.
Nem sempre, porém, a sorte esteve ao seu lado. Nascida na Filadélfia, mudou-se para Los Angeles aos 21 anos para trabalhar com música, mas acabou fazendo um desvio. Conheceu um cara mais velho, casou-se e mudou com o marido para a Flórida.
“É o tipo de bobagem inconsequente que você faz quando é mais nova. No fim, eu não estava trabalhando nas minhas músicas”, disse, em entrevista à Folha, antes de um show em Los Angeles.
O divórcio veio após um ano e meio, quando a cantora voltou à sua cidade natal. Depois, decidiu tentar a sorte novamente em Los Angeles.
“Trabalhava como garçonete durante o dia e escrevia minhas músicas à noite.” Uma dessas canções foi “Jar of Hearts”, da qual uma amiga gostou tanto que decidiu mostrar para outra amiga, a coreógrafa do programa “So You Think You Can Dance”, que usou a canção na TV.
Com letra raivosa sobre um rapaz que não deu valor a um relacionamento, a música conquistou fãs, e Perri gravou seu primeiro disco, “Lovestrong” (2011). Em abril passado, lançou seu segundo álbum, “Head or Heart”.
“Para mim, é fácil escrever canções, porque já tive tantas experiências dolorosas que elas simplesmente saem. Penso no que vivi, e as palavras viram música”, diz Perri, que afirma ter “um dedo podre para escolher caras”.

(Fonte: Folha de São Paulo)

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Reedição de livro celebra centenário de Lúcio Rangel

Pixinguinha e João da Baiana (à frente) na inauguração da rua Pixinguinha, no Rio

Pixinguinha e João da Baiana (à frente) na inauguração da rua Pixinguinha, no Rio

Lúcio Rangel (1914-1979) foi um dos primeiros críticos brasileiros de música pop.
Entre 1940 e 1970, publicou artigos curtos e ensaios historiográficos, discografias anotadas, breves biografias, resenhas e colunas em revistas e jornais.
Em 1962, lançou seu único livro, “Sambistas e Chorões”. O volume é agora reeditado, pela primeira vez, pelo Instituto Moreira Salles.
O relançamento integra as comemorações do centenário de Rangel, que incluem ainda programas veiculados na Rádio Batuta, que pode ser ouvida no site do instituto.
O livro compila artigos publicados principalmente nos anos 50 em periódicos como “Jornal do Brasil”, “Diário de S.Paulo”, “A Cigarra” e “Manchete”.
Em textos com sabor e personalidade, tão informativos quanto idiossincráticos, Rangel analisa a música popular brasileira antes de ela ter sido genericamente categorizada e pasteurizada justamente pela sigla MPB.
Com sua abordagem jornalístico-documental, de colecionador, pesquisador e investigador em primeira pessoa, enfoca “aspectos e figuras” em assuntos como as origens do samba urbano, as primeiras gravações em disco e a literatura de cordel carioca. Trata também de músicos como Noel Rosa, Inezita Barroso, Mário Reis, Pixinguinha —alguns deles, seus amigos.
O livro também publica uma “discoteca mínima da música popular brasileira” compilada por Rangel que passa por dezenas de autores, intérpretes e instrumentistas —incluindo nomes como Herivelto Martins e Dorival Caymmi, Waldemar Henrique e Abigail Moura.
Além de nova iconografia, a edição traz uma “bibliografia da música popular brasileira”, inédita em livro, compilada pelo autor em 1975.
Valiosa e ampla, recomenda desde “Introdução ao Cinema Brasileiro” (1959) e “Costumes Africanos no Brasil” (1938) até 15 obras de Mário de Andrade, cinco de Tinhorão e sete de Catulo da Paixão Cearense, em busca de uma compreensão geral da cultura brasileira.

SAMBISTAS E CHORÕES
AUTOR Lúcio Rangel
EDITORA Instituto Moreira Salles
QUANTO R$ 49,90 (200 pgs.)

 

(Fonte: Folha de São Paulo)

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Após quatro décadas, Bahia volta a ter uma bienal

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Segunda bienal mais antiga do País, mais nova apenas que a de São Paulo, a Bienal da Bahia teve apenas duas edições, em 1966 e 1968. A segunda nem chegou a ser concluída – logo no segundo dia de exposições, o evento foi fechado pelo governo militar, diante da recusa dos artistas de tirar do acervo da mostra algumas obras consideradas “subversivas”. Dez delas acabaram confiscadas. E a bienal, que buscava mostrar, pela arte, a realidade sob a perspectiva do Nordeste, nunca mais foi organizada. Quarenta e seis anos depois, a Bahia volta a ter sua bienal, aberta ontem e em cartaz até 7 de setembro.

“É uma espécie de continuidade histórica das outras duas, por isso optamos pelo título 3ª Bienal da Bahia”, diz o curador-chefe da mostra, Marcelo Rezende, também diretor do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA). A preocupação com a ideia de continuidade também pode ser percebida na pesquisa, que envolveu 123 pessoas e consumiu mais de um ano, sobre as duas outras edições do evento. “A documentação era muito reduzida e tudo o que a gente conseguiu foram peças de acervos familiares, que serão mostradas no dia 31, no Mosteiro de São Bento”, conta Rezende.

Apesar do sentido de continuidade, a 3ª Bienal da Bahia guarda importantes diferenças com as anteriores, tanto na forma quanto no conteúdo. A mais impactante é a grande descentralização das atividades. Durante os 100 dias do evento, haverá mostras e apresentações em nove cidades do interior e em mais de uma dezena de espaços de Salvador – do MAM à própria casa de alguns artistas participantes do evento, como Hilda Salomão e Reinaldo Eckenberg, na capital.

As atividades programadas envolvem obras de 130 artistas, muitos deles estrangeiros, quebrando o legado de privilegiar artistas locais. Entre os representados na bienal baiana está, por exemplo, o italiano Piero Gilardi, que pela primeira vez participará de uma exposição no Brasil. O esforço reflete a busca por cumprir o tema proposto para o evento: “É tudo Nordeste?”. “A temática das duas outras bienais da Bahia era mostrar a realidade pela perspectiva nordestina e, partindo desse ponto, começamos a questionar qual seria essa perspectiva”, explica o curador. “Ao analisar o tema, tentando afastar as visões estigmatizadas, chegamos a outra questão: será que o Nordeste não está em todo lugar?”

Para dar luz ao tema, a curadoria foi buscar trabalhos de artistas que Rezende chama de “fora do grande sistema econômico” das artes. Isso não significa que artistas consagrados, como o polonês radicado na Bahia Frans Krajcberg e o fotógrafo francês radicado em Salvador Pierre Verger, tenham sido preteridos. “Mais do que o ‘quem’, a grande questão na bienal é o ‘qual’, ‘qual Krajcberg’ está sendo representado”, diz o curador. “Mesmo artistas conhecidos serão apresentados sob nova perspectiva na bienal.”

Para Rezende, com o tema proposto e a forma que será realizada, a bienal baiana vai na mão contrária da paulista, que terá como tema “Como falar de coisas que não existem”. “Para a gente, a bienal é para falar das coisas que existem, mas para as quais ninguém está olhando”, justifica.

(Fonte: O Estadão)

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Manuscritos e desenhos de John Lennon vão a leilão em Nova York

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Manuscritos e desenhos originais autografados para dois livros aclamados produzidos pelo ex-Beatle John Lennon em meados da década de 1960 vão ser vendidos em leilão na próxima semana em Nova York, afirmou a Sotheby’s nesta quinta-feira.

Um total de 89 lotes, com preços que vão de 500 dólares a 70.000 dólares, produzidas para o livro de 1964 “In His Own Write” e “A Spaniard in the Works”, publicado em 1965, vai a leilão.

O evento coincide com o 50º aniversário da primeira aparição dos Beatles nos Estados Unidos no programa Ed Sullivan.

“Esta é a coleção mais substancial de obras de arte originais e manuscritos e material de texto datilografado por John Lennon que nunca foi a leilão”, disse Gabriel Heaton, especialista do departamento de livros e manuscritos da Sotheby’s em Londres.

“É um dos conjuntos mais expressivos de trabalho não- musical que ele já produziu”, disse Heaton em entrevista por telefone. Lennon tinha 40 anos quando foi baleado em 1980, na calçada do prédio de apartamentos onde morava em Nova York.

A coleção, que deve arrecadar um total de 850.000 dólares a 1,8 milhão de dólares, está em exibição para o público na Sotheby’s até o leilão, em 4 de junho.

(Fonte: O Estadão)

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Em livro, colecionador questiona poder estatal sobre bens privados

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Um decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff em outubro do ano passado, o de número 8.124, que pode declarar de interesse público bens musealizados e em mãos de colecionadores particulares, causou polêmica no mercado de arte no fim de 2013, e ainda deve provocar muita discussão, principalmente quando o Ibram (Instituto Brasileiro de Museus) usar o instrumento – o decreto prevê processar criminalmente quem não cuidar dos bens culturais declarados de “interesse público”.

Antes disso, um livro, que será lançado dia 9, na Livraria da Vila do Shopping Higienópolis, promete agitar de novo o mercado, a começar de seu título, Abaporu… Hipocrisias. Nele, o colecionador Marco Antonio Mastrobuono, proprietário de um acervo valioso em que se destacam telas de Volpi, diz que o decreto fere a Constituição.

Mastrobuono acredita que o poder estatal de monitorar a propriedade privada tem prejudicado o colecionismo brasileiro, seja o de obras barrocas, como as esculturas de Aleijadinho, ou modernas, como a tela Abaporu, de Tarsila, que foi parar na Argentina. O colecionador concedeu uma entrevista exclusiva ao Caderno 2, em que comenta o que chama de “tropeços” dos órgãos que defendem o patrimônio artístico no Brasil, alertando para os “riscos de um processo de bolivarianização, visivelmente em marcha”.

Segundo seu livro, o Patrimônio já começa sua história confundindo “propriedade de objetos de culto público” com “propriedade pública dos objetos de culto”. O Estado brasileiro tem o mau costume de avançar sobre a propriedade privada?
O primeiro avanço, ainda que sutil, encontra-se no Decreto-lei 25 do Estado Novo. O instituto do tombamento condicionou a propriedade. Os donos dos bens atingidos por aquele instituto foram onerados, além de ter a respectiva liquidez gravemente reduzida. Só a arbitrariedade pouco pacífica do Estado Novo deu eficácia ao que não era permitido pela Constituição de 1891.

Ao se referir à criação do Sphan (atual Iphan), o senhor reconhece que o instrumento jurídico do tombamento era o que “de mais eficaz” estava ao alcance da República, uma vez que os bens inscritos no Livro do Tombo não poderiam ser mais destruídos, cabendo aos proprietários a obrigação de preservá-los. Então, pelo que se pode concluir, a lei do Ibram não traz nenhuma novidade em relação ao instrumento de 1937 do Sphan? Que anomalias o senhor identifica nos dois?
A eficácia que esteve ao alcance da República não resultou de um instrumento jurídico legitimamente promulgado. Eficácia como resultado de arbítrio. A novidade do Ibram relativamente ao Decreto de 1937 não está na ilegitimidade, que agora é renovada. A grande novidade é que não se refere ao que é antigo, nem o que é de pedra e cal, e sim a bens móveis sadios e modernos, longe da deterioração que motivou a criação do Sphan. A arte moderna brasileira em mãos de particulares está preservada. Não se pode dizer o mesmo das pinturas de Volpi e Portinari tombadas no Palácio do Itamaraty.

Seu livro defende que o Patrimônio não é dono de nada, que, por ser objeto, e não sujeito, de direitos, não pode possuir nenhum bem cultural, apesar do Decreto-lei 25, de 1937. Não é o que pensam os governantes desde o Estado Novo. Como mudar essa mentalidade?
Nem o Decreto de 1937 declara o patrimônio proprietário de alguma coisa. A confusão entre “patrimônio” e “propriedade” é, por um lado, de natureza ideológica. E, de outro, fruto da
gnorância. A coletivização ou socialização da propriedade privada é um anseio utópico comum aos socialistas soviéticos e aos nacional-socialistas. Segundo Nietzsche, ambição do poder pelo poder. A utopia é a camuflagem.

Ao escrever sobre os antecedentes do Decreto-lei 8.124, de 17 de outubro de 2013, o senhor lembra a história da imagem de Nossa Senhora das Mercês, que estava há mais de 30 anos com o colecionador Antonio Carlos Kfouri e hoje pertence a um museu de Ouro Preto, após ser apreendida pela Polícia Federal na residência dele. O senhor considera possível a reedição do mesmo procedimento hoje, se o Ibram considerar “musealizável” qualquer obra moderna ou contemporânea pertencente a particulares? Colecionadores poderão ser julgados como réus, como foi Kfouri?
Parece impossível aplicar a qualquer obra moderna, ou contemporânea, uma ação civil pública como aquela que determinou a perda pelo Kfouri de sua imagem. A ação civil pública depende de que tenha havido dano ao acervo já tombado pelo Iphan. O instrumento da declaração de “interesse público” não produz o efeito de inscrever o bem atingido nos livros do Tombo. Deixam, pois, de integrar o patrimônio histórico e artístico nacional. Sofrem apenas as limitações estabelecidas no próprio Decreto 8.124. Estas últimas, não obstante, são também inconstitucionais e um mandado de segurança bem conduzido as derruba no Judiciário.

O senhor argumenta que o golpe contra a apreensão do Aleijadinho pertencente a Kfouri produziu estragos. Quais foram os principais, tanto para o mercado de arte sacra quanto para seus colecionadores?
O mercado de arte sacra definhou, vitimado pela “anorexia nervosa” provocada pela insegurança que confunde arte sacra com santa roubada. Os colecionadores tiveram os respectivos patrimônios drasticamente desvalorizados. Nossos governantes de fato amam a pobreza, especialmente a cultural.

Seu livro trata também do caso da tela Abaporu, que pertencia a Raul Forbes, como uma tentativa de “expropriação cultural”, quando o governo baixou uma portaria que desconsiderava o preço obtido em leilões na apuração de bens doados a museus. O senhor diz que todas as portas do Executivo foram fechadas para Forbes, que não viu alternativa a não ser vender Abaporu fora do Brasil. Esse mecanismo de pressão pode se repetir com o Decreto 8.124?
Sem dúvida. Uma obra declarada de “interesse público” pelo Ibram não encontrará compradores aos preços de mercado vigentes na hipótese de que o bem estivesse livre e desembaraçado. A desvalorização consequente será tão drástica quanto a que sofreu o Abaporu quando o Condephaat abriu processo de tombamento.

Com a venda do Abaporu, a reação imediata do Condephaat foi tombar 104 obras brasileiras que não poderiam mais sair do País em 1996, intervenção polêmica que fez com que colecionadores como Paulina Nemirovsky estudasse uma reação com outros colecionadores. Por que os colecionadores foram mais tímidos quando o governo Dilma baixou o decreto do Ibram?
No caso do Abaporu, as reações foram enérgicas. Primeiramente, Raul Forbes ingressou com mandado de segurança e venceu em todas as instâncias. A reação dos demais colecionadores foi tão eficaz que o tombamento das 104 obras “melou”. Ficou o dito pelo benedito. Face ao Decreto 8.124, há que considerar que peixes carnívoros não mordem fora d’água. Após a publicação, movimentou-se um lobby tentando modificar o aleijão jurídico, sem macular politicamente os desastrados autores da violência legiferante. Enxugaram gelo. Até hoje, o Ibram não declarou de interesse público coisa alguma. Esperemos que entre na água, que, presumo, ficará vermelha.

O foco de seu livro é o direito à legítima propriedade de obras de arte, assegurada pela Constituição aos cidadãos brasileiros. É legítimo declarar de “interesse público” obras históricas como Abaporu e não pagar por elas? O governo não estaria cometendo uma arbitrariedade, ao baixar o Decreto 8.124 e desrespeitar a Carta Magna?
O decreto é claramente arbitrário. Faz parte de um processo de bolivarianização, visivelmente em marcha, cujo perfil da coisa insinua um Reich tropical e macunaímico.

Há quem diga que colecionadores brasileiros estão enviando obras de suas coleções para fora do Brasil com medo de que elas sejam declaradas “de interesse público”, diante do surto preservacionista que se alastra pelo País. O senhor, como colecionador particular, já sente uma retração do mercado? Os preços das obras de arte foram prejudicados pelo decreto 8.124?
Os investidores já manifestam preferências por obras que se encontram fora do País ou por obras estrangeiras no Brasil, mas que tenham liquidez no exterior em moeda forte. Redução de preços não é visível, mas a de liquidez é flagrante.

O livro defende que o Decreto 8.124 é fruto de uma política cultural invasiva, que obriga o colecionador a fazer relatórios e sujeitar-se a inspeções de um órgão federal, algo que vai contra o Estado democrático. Como o senhor vê o futuro do colecionismo no Brasil com essas restrições?
O decreto, ao impor ônus ao proprietário de obras, do tipo redigir relatórios e coisas do gênero, invade seara do Congresso. Impor custo é tributar. A Constituição proíbe o Poder Executivo de criar impostos. Se o decreto pudesse prevalecer, o Estado de Direito estaria revogado. Não consigo imaginar o Brasil com Constituição rasgada. É mais fácil rasgar o decreto e tudo ficará como dantes no quartel de Abrantes.

Ibram afirma que cumpre a lei sem intervir no mercado

Procurado pelo Estado, o presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Ângelo Oswaldo, defendeu o decreto 8.124, assinado pela presidente Dilma Rousseff em outubro passado, que o colecionador Marco Antonio Mastrobuono acusa de ferir a Constituição. “O Estado democrático é aquele que protege os bens de interesse público, abre acesso até eles e preserva a memória cultural”, disse, em nota enviada por e-mail. “A Constituição Brasileira, no artigo 216, diz enfaticamente caber ‘ao Poder Público, com a colaboração da comunidade’, promover e proteger ‘o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação’.”

O presidente do Ibram afirmou ainda não ter intenção de intervir no mercado, mas cumprir a Constituição: “Assim, a legislação museológica está em sintonia com a norma constitucional. Visa a proteger a memória, não intervindo na propriedade, alienação, comercialização ou exportação dos bens que venha a proteger. Guardar a informação sobre bens culturais é uma medida de proteção, que interessa a todos, começando pelo proprietário, que deve ficar confortado pela salvaguarda oficial de seus bens”.

ABAPORU… HIPOCRISIAS.
Autor: Marco Antonio Mastrobuono
Editora: Instituto Alfredo Volpi de Arte Moderna
Lançamento: dia 9, Livraria da Vila do Pátio Higienópolis

(Fonte: O Estadão)

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Ilustração de Hergé é vendida por 2,6 milhões de euros

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Uma ilustração de Hergé, feita para os álbuns do Tintim, foi vendida por 2.654.000 de euros (aproximadamente R$ 8.121.240,00).
A arte, feita em nanquim, é uma página dupla produzida em 1937, que reúne 34 imagens das aventuras de Tintim (incluindo uma cena polar que nunca foi vista nos álbuns) e foi usada como página de guarda dos álbuns.
O leilão foi realizado pela casa Artcurial, em Paris, no último dia 24 de maio. Quatro compradores disputaram a ilustração, por aproximadamente quinze minutos, antes de o martelo bater. O vencedor foi um colecionador dos Estados Unidos. A expectativa era de que seria vendida por aproximadamente 900 mil euros. O valor obtido é um recorde mundial para uma página ou ilustração de uma história quadrinhos.
Uma pintura de capa de Tintim já havia sido vendida por 1,3 milhões de euros. No início deste mês, uma página com a primeira aparição de Wolverine foi leiloada nos Estados Unidos, por 657 mil dólares, um recorde naquele país.

(Fonte: Universo HQ)

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