JANEIRO – 2015

Nas lojas, 83 anos depois, o diário de uma artista suicida

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Marga Gil registrou por escrito seu amor secreto pelo poeta Juan Ramón Jiménez

“Não leia agora.” Essas foram as últimas palavras que a pintora e escultora Marga Gil Roësset disse a Juan Ramón Jiménez, na casa do poeta — 24 anos antes de ele ser condecorado com o Prêmio Nobel de Literatura — na Rua Padilla, em Madri, enquanto deixava sobre a sua mesa uma pasta amarela. Ali estava guardada a revelação de seu amor impossível por ele, que a levou a uma decisão fatal. Marga saiu da sala do escritor, foi até o estúdio onde vinha trabalhando nos últimos meses e destruiu todas as suas esculturas, exceto um busto de Zenobia Camprubí, a esposa de seu amado.

Ela deixou o local para cumprir o destino que havia planejado. Primeiro, passou pelo Parque del Retiro; em seguida, pegou um táxi para a casa de seus tios, em Las Rozas, e ali disparou um tiro na têmpora.

Era quinta-feira, 28 de julho de 1932. Ela tinha 24 anos; ele, 51. Oito meses antes, ela tinha conhecido o poeta e sua mulher, com quem travara uma amizade sincera e afetuosa. Mas, no âmago da jovem artista, a quem Juan Ramón e Zenobia chamavam de “a menina”, também se intensificava em silêncio uma paixão amorosa não correspondida. Ameaçadora. Até que esse amor dominou toda a sua vida e se converteu em tragédia.

EXÍLIO REPENTINO

“…E eis que… Já não posso viver sem ti… Não… Já não posso viver sem ti… Tu, como podes, sim, viver sem mim… Deves viver sem mim…”

Esse desejo tomou forma com letras angulosas em uma das folhas da pasta que ela entregou a Jiménez (1881-1958). Escrevera-as nas últimas semanas daquele verão. O autor atendeu ao pedido: “Não leia agora”. Um pouco de sombra escureceu seu coração para sempre. Um pouco de luz saiu dali para a sua obra poética. Naquele outono de 1932, ele quis prestar homenagem à “menina” publicando o manuscrito do diário de Marga, mas não conseguiu. Em 1936, foi embora quase que inesperadamente rumo ao exílio devido à Guerra Civil Espanhola. Oitenta e três anos depois do suicídio de Marga Gil e da intenção de Juan Ramón Jiménez, a vontade do poeta se torna realidade. O título é “Marga”. Edição de Juan Ramón Jiménez e publicação da Fundação José Manuel Lara. Inclui um prefácio de Carmen Hernández-Pinzón, representante dos herdeiros de Jiménez; um texto de Marga Clarck, sobrinha da artista, e escritos do poeta e de sua esposa sobre Marga Gil. Um relicário literário acompanhado por fac-símiles de anotações da escultora e vários de seus desenhos e fotos.

DIÁRIO FOI ROUBADO EM 1939

Amor, silêncio, alegria, desespero. A confusão se reflete na nota que a jovem deixou para Zenobia Camprubí: “Zenobita… Perdoe-me… Eu me apaixonei por Juan Ramón! E mesmo sem querer… E se apaixonar é algo que te acontece porque sim, sem se ter culpa… A mim, pelo menos, porque assim me aconteceu… Eu senti isso quando já era… Natural… Se nos dedicássemos a ir unicamente atrás de pessoas que não nos atraíssem… Escaparíamos de todo o perigo… Mas isso é estupidez”.

Essa confissão estava naquele diário perdido há muitos anos: desde 1939, quando três ladrões — Félix Ros, Carlos Martínez Barbeito e Carlos Sentís — roubaram a casa de Jiménez enquanto ele se encontrava exilado. O poeta, que ganharia o Prêmio Nobel de Literatura em 1956, sempre ficou intrigado com o destino desses documentos. Sempre perguntava por eles a seu grande amigo Juan Guerrero, como lembra Carmen Hernández-Pinzón, sobrinha-neta do premiado autor e representante dos seus herdeiros. Parte deles foi divulgada em 1997 pelo jornal “Abc”. O suicídio de Marga afetou profundamente Jiménez e sua mulher. Eles guardaram em sua casa, sobre um aparador, o busto de Zenobia esculpido por Marga.

(Fonte: O Globo)

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Escritores vão poder receber doação de leitores em site

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E mais: Livraria da Vila terá mais um clube de leitura, ‘Desterro’ na Itália, nova biografia de Bismarck e de quadrinistas, livro juvenil finalista do Books at Berlinale a caminho das livrarias brasileiras

AUTOPUBLICAÇÃO
Escritores vão poder receber doação de leitores em site
Não é venda e não é financiamento coletivo. O que a startup brasileira Widbook está propondo é que leitores deem uma ajudinha financeira aos autores caso tenham gostado do livro. O valor é escolhido pelo leitor e pago ao escritor via Pay Pal. É uma forma, acreditam os idealizadores da plataforma, de agradecer pelo livro escrito ou de incentivá-los a continuar. Desde 2012, quando foi criado, o Widbook nunca cobrou mensalidade dos escritores que usam seu ambiente para escrever e divulgar os livros, ou dos leitores, que têm à disposição e-books dos mais variados gêneros. São 250 mil usuários – a maioria no Brasil, Estados Unidos e Índia – e 40 mil obras sendo escritas. O serviço, como é oferecido hoje, segue gratuito. Mas por R$ 7,99 mensais será possível saber tudo sobre o seu leitor, algo até então um mistério: quem está lendo, quanto tempo gasta por capítulo, procedência, ranking dos mais ávidos, etc.

LEITURA
Dois clubes
O Irmão Alemão, de Chico Buarque, vai inaugurar, no dia 9, o Clube da Vila – parceria entre a Livraria da Vila (da Fradique), Companhia das Letras e Boitempo que prevê debates sobre obras. No dia 20, o Leitura Compartilhada segue com seus encontros mensais e discute As Avós, de Doris Lessing.

TRADUÇÃO
‘Desterro’ na Itália
Anterior a Deserto (Prêmio Benvirá), Desterro – Memórias em Ruínas (2011), primeiro romance de Luis S. Krausz, professor de literatura hebraica da USP, chega à Itália nos próximos dias com o título de Memorie in Macere pela Casa Editrice Giuntina.

FENÔMENO
Do cinema à livraria
Sniper Americano, filme de Clint Eastwood sobre Chris Kyle, atirador da Marinha dos EUA, que acaba de estrear por lá, fez bem ao livro em que é baseado. Só na semana passada, foram vendidos 138 mil exemplares. O livro, editado aqui pela Intrínseca, já está nas livrarias. O filme só no fim de fevereiro.

AUTOAJUDA
Depois da queda
Para provar que o fracasso é essencial para a o sucesso, Sarah Lewis perfilou personalidades que romperam barreiras – no caso de Martin Luther King, um tique verbal. O Poder do Fracasso sai em março pela Sextante.

JUVENIL
Bons amigos
Entre os 11 livros finalistas do Books at Berlinale, parceria do Festival de Cinema de Berlim e da Feira de Frankfurt para indicar livros com potencial de virar filme, está O Imaginário, do britânico A.F. Harrold e ilustrações (acima) de Emily Gravet. A obra – sobre uma amizade imaginária e que fala ainda de memória, poder, impotência e perda, sairá pela Escarlate, selo da Brinque-Book, em julho.

BIOGRAFIA – 1
Mergulho histórico
Cartas e diários de Otto von Bismarck estão entre os materiais consultados por Jonathan Steinberg para compor Bismarck – Uma Vida, que a Amarilys lança nos próximos dias.

BIOGRAFIA – 2
Vida nos quadrinhos
É hoje, no Troféu Angelo Agostini, a apresentação dos primeiros títulos da Recordatário, coleção da Marsupial para preservar a história dos quadrinhos. São eles: Marcatti – Tinta, Suor e Suco Gástrico, de Pedro de Luna; Primaggio Mantovi – O Mestre de Estilo Versátil, de Nobu Chinen; e Ivan Saidenberg – O Homem que Rabiscava, de Lucila Simões Saidenberg.

(Fonte: O Estadão)

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Plataformas facilitam a publicação de e-books

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Qualquer pessoa pode divulgar seus próprios livros digitais no Widbook, no Kobo Writing Life ou com o Kindle Direct Publishing

Os blogs são um ótimo veículo para quem gosta de publicar suas próprias histórias, textos jornalísticos, opinativos ou até mesmo diários eletrônicos. Mas se sua intenção é ir além, com textos maiores, uma ideia é publicar o próprio e-book. E fazer isso está mais fácil do que nunca.

Uma das plataformas que permite que você publique seu próprio e-book é a Widbook (Android, iOS), criada por brasileiros. Ela funciona como uma rede social, em que você publica seus livros e recebe o feedback de leitores que podem estar em diversos lugares do mundo. Você pode inclusive publicar um livro aos poucos, por capítulos, e ir continuando a história a partir do retorno dos leitores. A plataforma funciona tanto para Android quanto para iOS para leitura e comentários, mas na hora de fazer o upload de um e-book é preciso estar diante de um computador.

O Kobo Writing Life funciona de maneira um pouco diferente. Nele, você coloca seu livro à venda. Basta criar título, uma sinopse e fazer o upload de uma capa, para em seguida publicar seu livro digital. Depois, é preciso definir em que moeda e em quais países o e-book estará à venda. Não existe um app específico para a publicação dos livros, mas o app de leitura do Kobo está disponível para Android e iOS.

O Kindle, um dos e-readers mais famosos do mundo (e que conta com apps para Android e iOS), também tem disponível uma plataforma de publicação de e-books, chamada Kindle Direct Publishing. Como o Kobo, ele permite que você estipule um preço e venda seus livros. Dá para acompanhar os gráficos de vendas na plataforma, além de ser possível criar uma página própria do autor. Até 70% dos royalties vão para você.

Se você quer dividir suas histórias com o mundo, essas plataformas te ajudam a colocar livros à disposição dos leitores.

(Fonte: Rolling Stone)

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Game of Thrones: trailer sugere aliança entre Tyrion Lannister e Varys

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Quinta temporada da produção épica chega às telinhas em abril

Os fãs norte-americanos de Game of Thrones , que foram ao cinema assistir os dois últimos episódios da quarta temporada no formato IMAX, tiveram uma grata surpresa. Antes de a sessão começar, os espectadores puderam ver em primeira-mão um trailer com cenas do novo ano da série. E, obviamente, o material já está circulando na internet – em péssima qualidade de som e imagem.

Com dois minutos de duração, o teaser mostra Jon Snow em combate na neve, Tyrion Lannister em fuga e Arya Stark em Braavos. O vídeo, no entanto, dá uma instigante pista sobre o enredo da próxima temporada. Em uma conversa entre Lorde Varys e Tyrion fica implícito que o ex-conselheiro da família Lannister estaria disposto a ajudar Daenerys Targaryen a assumir o Trono de Ferro.

“The Watchers On The Wall” e “The Children”, os dois últimos episódios da quarta temporada da série, continuam em cartaz nos cinemas norte-americanos até a próxima quinta-feira, 5. A nova temporada de Game of Thrones chega às telinhas no dia 12 de abril, pela HBO.

Assista ao trailer da quinta temporada de Game of Thrones

Em 2013, a estreia da quarta temporada alcançou o maior índice de audiência da HBO desde o último episódio de Família Soprano, transmitido em 2007. Os 6,6 milhões de telespectadores foram o maior público da série e chegaram a 8,2 milhões de pessoas com as duas reprises.

A título de comparação, a terceira temporada de Game Of Thrones, que estreou em 31 de março de 2013, chegou a 4,4 milhões. A série também quebrou o recorde de episódio mais visto até então, o sexto da terceira temporada, com o número de 5,5 milhões.

(Fonte: Rolling Stones)

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Madame Bovary | Adaptação estrelada por Mia Wasikowska ganha primeiro trailer

Filme chega aos cinemas neste ano

Madame Bovary, adaptação do escandaloso romance publicado por Gustave Flaubert em 1857 – que levou seu autor a julgamento, acusado de ofensa à moral e à religião, ganhou o seu primeiro trailer. Assista abaixo:

O romance conta a história de Emma, uma pequeno-burguesa sonhadora criada no campo, que baseia sua vida em obras da literatura sentimental. Bonita e requintada para os padrões provincianos, casa-se com Charles, um entediante médico interiorano, mas se sente presa ao matrimônio. Mia WasikowskaHenry Lloyd-Hughes, Paul Giamatti, Rhys Ifans Ezra Miller estão no elenco. Rose Barreneche escreve a adaptação, que promete lançar um novo olhar sobre o texto de Flaubert.

Madame Bovary já ganhou inúmeras adaptações, incluindo uma versão de 1993 assinada por Jean Renoir, outra de 1949 do diretor Vincente Minnelli, a adaptação de Claude Chabrol de 1991 e, mais recentemente, uma versão para a TV inglesa estrelada por Frances O’Connor em 2000.

A direção agora é de Sophie Barthes. Madame Bovary chega aos cinemas ainda em 2015, sem uma previsão exata.

(Fonte: Omelete)

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Vincent

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Sinopse

A holandesa Barbara Stok faz uma biografia em quadrinhos dos últimos – e mais produtivos – anos de Vincent Van Gogh, um dos principais nomes das artes plásticas mundiais.

Com um traço leve, singelo e por vezes infantil, a autora leva o leitor à França do final do Século 19 para conhecer o homem Vincent, seus anseios e suas motivações.

Positivo/Negativo

Vincent Van Gogh é, sem dúvida, um dos maiores expoentes das artes plásticas de todos os tempos. Seus autorretratos, sua noite e seus campos de trigo são famosos no mundo inteiro, e estão espalhados não apenas no seio da pintura, mas também na cultura pop, que vai desde canecas até capas de caderno cujos motivos são suas artes.

O que Stok faz é tentar traduzir a genialidade e a loucura deste atormentado gênio em uma obra simples, de fácil assimilação e com uma leitura rápida. Em alguns pontos, ela é bem-sucedida, em outros nem tanto.

O que salta aos olhos ao folhear a obra são os traços singelos que a autora empregou para desenvolver a história. Muito próximo da linha clara, sem sombras, direta, linear e bem humorada, o Vincent de Stok é mais próximo do leitor do que provavelmente seria caso fosse apenas outra biografia escrita.

O mesmo pode-se dizer de Theo, irmão de Van Gogh, que também servia como seu marchand.

Os ataques coléricos de Van Gogh e seus devaneios são retratados pela autora por meio de riscos, cores e formas que convivem com o protagonista sempre que este está em algum estado alterado. E talvez aí esteja um dos problemas da obra.

Stok decide dar um tratamento muito “engraçado” às crises do pintor. Salvo uma ou duas vezes, em que foi muito feliz ao retratar a loucura e suas consequências, quase sempre, em vez de ficar compadecido pelo problema do artista, o leitor acaba rindo, pois os desenhos são engraçados, como que minimizando os ataques de fúria e não levando-os muito a sério.

A trama, que começa com a despedida dos irmãos Van Gogh em 1888, quando Vincent parte para a cidade francesa de Provence, mostra claramente duas das maiores características do mestre da pintura: a paixão pelo trabalho e a culpa por ser sustentado financeiramente por Theo.

A primeira das características é mostrada pela autora com um Vincent que só pensa, só fala e só respira trabalho. Ele não se dá tempo para diversões ou para cultivar as amizades. Tanto que, em uma das principais passagens, um grande amigo de Van Gogh vai embora porque não aguenta mais um companheiro que só fala de trabalho.

E o protagonista fazia isso por pensava ser um fardo para o irmão. Em diversos momentos, Barbara Stok retrata o pintor fazendo contas de quanto precisa pagar a Theo e quando conseguirá saldar tal dívida.

Por outro lado, a autora deixa claro que Theo não se incomodava em sustentar o irmão, e se importava mais com a saúde dele do que com contas e dívidas.

Uma decisão acertadíssima de Stok foi colocar na obra diversas cartas entre Vincent e Theo, ajudando a compor ainda mais o quadro familiar. Outro ponto forte foi a autora não tentar criar em cima do personagem.

Muito se especula acerca dos motivos de Van Gogh ter cortado um pedaço de sua orelha, mas não se sabe o que realmente aconteceu. E a quadrinhista holandesa não inventa uma história. Ela deixa claro que possivelmente jamais se saberá o que aconteceu.

O mesmo pode-se dizer da morte do protagonista, que até hoje gera especulações. Stok também não tenta adivinhar e deixa a resposta no ar.

Outra belíssima ideia da autora foi colocar no seu traço as obras de Van Gogh. Aqui vai uma dica para quem não leu o livro: faça-o com a internet aberta, para ver como Barbara Stok releu as pinturas.

E nesse ponto, vale alertar para uma falha na tradução. Na página 57, há uma referência à obra A Noite Estrelada, inclusive com uma releitura de Stok. Mas o quadro retratado é, na verdade, Noite Estrelada Sobre o Ródano. A verdadeira A Noite Estrelada aparece na página 181.

Se você já conhece a obra de Van Gogh, pode ser muito interessante descobrir esta nova leitura da sua biografia. Se não sabe nada sobre o pintor, melhor se informar um pouco antes de ler esta HQ de Stok. Ou pode achar a vida do protagonista simplista demais, já que parece faltar à trama um aprofundamento maior na vida dele.

Editora: L&PM – Edição especial

Autora: Barbara Stok (roteiro e arte).

Preço: R$ 29,90

Número de páginas: 144

Data de lançamento: Outubro de 2014

(Fonte: Universo HQ)

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Jornal O Tiraço abre inscrições para envio de tiras

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Aprovado por meio do edital Arte em Toda Parte, da Fundação Gregório de Matos, O Tiraço é uma publicação de tiras, charges e ilustrações, em formato de jornal, que deve ganhar as ruas da cidade de Salvador/BA a partir da segunda quinzena de março.

Destinado ao público infantojuvenil, o impresso terá tiragem de 30 mil exemplares e será distribuído nas bibliotecas de mais de 80 instituições de ensino vinculadas à rede municipal, em todas as regiões da capital baiana, gratuitamente.

Com mais de 20 artistas convidados, como Flávio Luiz, Luis Augusto, Bruno Aziz, André Dahmer e Galvão Bertazzi, o projeto também abrirá espaço para novos talentos que queiram ter suas tiras publicadas no jornal.

Interessados devem enviar os trabalhos até o próximo dia 6 de março, pelo blog do projeto, seguindo as instruções listadas pelos editores.

O resultado da seleção será divulgado até 10 de março e pelo menos 15 tirinhas serão publicadas.

O título é uma publicação da RV Cultura e Arte e estará disponível em breve, na íntegra, no blog.

(Fonte: Universo HQ)

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Festival Guia dos Quadrinhos estará de volta no primeiro semestre de 2015

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O Festival Guia dos Quadrinhos está de volta. Neste ano, o evento acontecerá nos dias 28 e 29 de março e trará muitas atrações. O local será a tradicional Associação Beneficente Osaka Naniwa Kai, localizada na Rua Domingos de Morais, 1581, Metrô Vila Mariana, São Paulo/SP.

No festival é possível encontrar tanto raridades quanto as últimas novidades do mercado por preços com grande desconto e lá os leitores são capazes de conversar, trocar ideias e dar sugestões aos profissionais dos quadrinhos e que já se tornou uma grande reunião de amigos que compartilham os mesmos interesses.

O evento ocorrerá durante dois dias e ocupará três andares:

Térreo: Mercado de Pulgas, com estandes de editoras, lojistas e colecionadores com raridades e novidades em quadrinhos, mangás, DVDs e Blu-Rays, action figures, camisetas, brinquedos e muitos mais. No palco do andar térreo também é realizado o Quiz Nerd, que dá prêmios aos acertadores de perguntas sobre cinema, seriados de TV, quadrinhos e literatura.

1º Andar: Área de Exposições Artísticas e Temáticas, com desenhos originais do artista homenageado nesta edição.

2º Andar: Espaço para palestras e debates com profissionais dos quadrinhos e do entretenimento; arena para concurso de cosplay.

Neste ano, o artista homenageado será Will (As Aventuras do Capitão Nemo, Monstros e Heróis, O Senhor das Histórias), com uma exposição de seus desenhos originais.

O evento também terá outra exposição de quadrinhos: 80 anos da DC Comics, que homenageará a editora de Batman, Superman e Mulher-Maravilha em painéis que trarão a história da companhia e de seus heróis.

Em breve, serão divulgadas as palestras, convidados, participantes e outras atrações. A organização é de Edson Diogo, criador do site Guia dos Quadrinhos, em parceria com o editor e jornalista Maurício Muniz.

(Fonte: Universo HQ)

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A explosão de eventos literários no Brasil: em 2015, serão mais de 300

A explosão dos eventos literários no Brasil: a última edição da Flica, a Festa

A explosão dos eventos literários no Brasil: a última edição da Flica, a Festa

Autores apostam que feiras de livros já substituem as bibliotecas no papel do estímulo à leitura

A explosão dos eventos literários no Brasil: a última edição da Flica, a Festa Literária de Cachoeira, na Bahia, em novembro passado, reuniu cerca de 25 mil pessoas. Na foto, uma das atividades infantis da “Fliquinha”, a sessão infantil do evento

Autor do clássico contemporâneo “Cidade de Deus”, livro que deu origem ao filme homônimo, o carioca Paulo Lins tinha acabado de chegar ao Festival Literário de Votuporanga (Fliv), no interior de São Paulo, em agosto passado, para dar uma palestra. Num dado momento, enquanto brincava com um menino fantasiado de palhaço numa pracinha da cidade, o moleque perguntou: “Sabe quem eu vou ver hoje?”. Paulo respondeu que não sabia. O menino embarcou: “O moço que escreveu aquele filme, ‘Cidade de Deus’. A minha professora vai levar. É meu filme preferido, mas minha mãe não me deixa assistir a ele. Já vi 12 vezes escondido”. Paulo sorriu tímido, deu tchau e seguiu para a palestra.

— Quando o menino chegou lá e percebeu que era eu o palestrante, o autor da história de que ele tanto gostava, saiu correndo do meio da turma de alunos, subiu ao palco e me deu um beijo. Foi muito emocionante — desmancha-se Paulo Lins, que em 2014 participou de mais de 50 encontros literários em várias cidadezinhas do Brasil. — Houve outro evento desses, em Bragança Paulista, onde conheci quatro jovens, e cada um me entregou um livro. Eram quatro moradores de favelas da cidade dizendo que aprenderam comigo que favelado também podia ser escritor. Quando eu teria a chance de conhecê-los, de saber que essas transformações de fato acontecem? Fico muito feliz que encontros literários tenham se tornado uma moda no país. Antes só havia eventos assim para o público rico, em escolas particulares, centros culturais. Agora tem feira literária em tudo quanto é cidade, e, como elas são gratuitas, todo mundo pode ir. Acredito que esses encontros são hoje o principal incentivo à leitura no Brasil.

É uma contradição curiosa: num país onde a média de leitura é de apenas dois livros inteiros por ano (segundo a última pesquisa “Retratos da leitura no Brasil”, do Instituto Pró-Livro, de 2012), o número de feiras, festas, salões de leitura, bienais, jornadas e festivais aumenta ano a ano. A última aferição do MinC listava 257 eventos em 2013 — mais da metade (137) na Região Sul. Em 2014, foram pelo menos 320, de acordo com levantamento feito pelo GLOBO.

PÚBLICO DE BLOCO DE CARNAVAL

A partir do mês que vem, quando começa a temporada de 2015, a previsão é que o número de eventos supere o do ano passado, apostam curadores e especialistas. O sucesso é tanto que alguns encontros atraem como micareta: a feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, por exemplo, cuja próxima edição será em junho, recebeu cerca de 450 mil pessoas em 2014. O Bloco da Preta, capitaneado pela cantora Preta Gil, arrastou pouco mais do que isso pelas ruas do Centro do Rio no último carnaval.

— Acho que nos últimos cinco anos estive em cerca de 50 ou 60 eventos. Feiras com três estandes apenas ou com uma centena deles — conta o escritor gaúcho Carlos Schroder. — O que me deixa muito feliz é o surgimento de eventos no interior dos estados e o crescimento das pequenas feiras. Mesmo as menores entenderam a importância de ter debates e escritores em sua programação, e não apenas o simples comércio de livros. Em algumas regiões, os eventos estão substituindo as bibliotecas públicas no papel de juntar o leitor com os livros e os escritores, porque têm um poder maior de comunicação e interação com a comunidade. A verdade é que o livro foi praticamente expulso da vida pública brasileira. Você não vê as pessoas lendo nas praças, nas ruas, elas carregam qualquer coisa nas mãos, menos livros. As publicações perderam muita força como signo, como símbolo. A imagem do livro se desgastou a tal ponto que precisamos de campanhas e mais campanhas de incentivo à leitura no país. Mas as feiras e os festivais estão recolocando o livro em pauta.

Muita gente atribui o sucesso desse tipo de evento ao exemplo bem-sucedido da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que caminha para sua 13ª edição. Programada entre os dias 1º e 5 de julho, a Flip já levou à cidade autores do porte de Eric Hobsbawm, Robert Crumb, Christopher Hitchens e Nadine Gordimer, mudando completamente a percepção turística de Paraty. Muitas cidades imitam até o nome do evento: depois da Flip, já surgiram a Fliporto, em Porto de Galinhas (desde 2014, ela se mudou para Olinda), Pernambuco; a Fliparanapiacaba, em Santo André, São Paulo; e outras tantas, como a Fliro, em Ariquemes, Rondônia; a Flimar, em Marechal Deodoro, Alagoas; a Flivima, em Visconde de Mauá, Rio de Janeiro; a Flimt, em Cuiabá, Mato Grosso; a Flap, em Calçoene, Amapá; a Flipipa, em Pipa, Rio Grande do Norte; e a Flaq, em Aquiraz, Ceará.

O jornalista e agitador cultural baiano Emmanuel Mirdad conta que até o estilo colonial de Paraty serviu de referência quando ele bolou uma festa literária para fomentar o turismo do Recôncavo Baiano. Apesar de a cidadezinha de Santo Amaro parecer a opção mais óbvia, por ser o berço de Caetano Veloso e Maria Bethânia, principais referências culturais da região, ele decidiu implantar a experiência na pequena Cachoeira — que não tem sequer uma livraria ou biblioteca.

— Arquitetonicamente, a cidade é muito parecida com Paraty — comenta Mirdad, que contou até com a consultoria de Mauro Munhoz, diretor-presidente da instituição Casa Azul, organizadora da Flip, antes de inaugurar a Flica (Festa Literária Internacional de Cachoeira), em 2011. — Hoje, a Flica é o segundo “São João” da cidade. Não dou cinco anos para alcançarmos a Flip. Aqui é uma Suíça, não há só palestrantes de esquerda, mas de direita também. Cabe Paulo Coelho, cabe Olavo de Carvalho. Meu sonho é trazer um escritor como John Green para encher a cidade. E a Flica paga bom cachê (diferentemente da Flip, em que os palestrantes são convidados, mas não remunerados, na festa de Cachoeira os escritores recebem R$ 3 mil) e sempre tem autores baianos em todas as mesas, para valorizar a cultura local.

“SIGA O CAMINHO DO DINHEIRO”

Idealizador e curador do Festival Literário de Araxá, o Fliaraxá, em Minas Gerais, o jornalista e escritor Afonso Borges acredita que as feiras literárias só se tornaram tão profícuas nos últimos anos por causa de uma alteração recente na Lei Rouanet.

— Eu tenho uma máxima desde meus tempos de repórter investigativo que é: “siga a grana”. Desde que houve essa alteração na Lei Rouanet, no fim da gestão da Ana de Hollanda, as feiras, festivais e afins, que eram enquadrados no artigo 26, passaram a ser enquadrados no artigo 18, ou seja, tornaram-se 100% dedutivos. Por isso, passaram a ser um investimento tão interessante para as empresas — argumenta Afonso.

(Fonte: O Globo)

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Depois do ataque ‘Charlie Hebdo’, Voltaire vira símbolo do combate à intolerância

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Palácio de Versalhes pôs um retrato do escritor em sua entrada para homenagear vítimas do atentado ocorrido em 7 de janeiro de 2015

O ataque terrorista contra cartunistas da Charlie Hedbo, em Paris, no dia 7 de janeiro, rendeu repercussões inesperadas pelo mundo. Mas poucos sabiam o que isso representaria para o mercado editorial. Na Europa, em apenas duas semanas depois dos ataques, editoras e livrarias tinham vendido mais obras de Voltaire do que em um ano inteiro. “É como se Voltaire tivesse sido redescoberto”, comentou ao Estado um dos principais especialistas na obra do francês, Andrew Brown.

Voltaire (1694-1778) publicou em 1763 seu Tratado Sobre a Tolerância, como uma reação ao caso do protestante Jean Calas. O escritor saiu em sua defesa, depois que ele foi condenado à morte. Um tribunal julgou que ele foi o autor do assassinato do próprio filho, num esforço desesperado para que ele não se convertesse ao catolicismo. Calas declarava sua inocência.

Na obra, Voltaire ataca as autoridades católicas francesas por sua intolerância e insistiu que a crença de uma pessoa não pode estar acima da lei de um país. O resultado foi uma obra sobre a tolerância religiosa, que ataca, sem pudores, extremistas, inclusive da parte do Estado. “Menos dogmas”, apelava Voltaire.

A disseminação das ideias de Voltaire foi logo sentida nas vendas de suas obras.

Agora, nas ruas francesas e em debates pela Europa, é o rosto de Voltaire que ressuscita. Coincidência ou não, foi na Boulevard Voltaire que líderes mundiais deram as mãos em uma marcha contra o terrorismo.

Para homenagear as vítimas, o Palácio de Versalhes pôs um retrato do escritor em sua entrada. Nas redes sociais, milhares de imagens do escritor sob o título “Je suis Charlie” foram compartilhadas, até mesmo pelo polêmico prefeito de Londres, Boris Johnson.

Em discursos e pela internet, uma suposta frase de Voltaire passou a ser repetida: “Não concordo com uma só palavra que você diga. Mas vou defender seu direito de dizê-la até minha morte”. Especialistas garantem que ele jamais disse isso.

Seja qual for a versão correta, a disseminação das referências a Voltaire foi logo sentida nas vendas de suas obras, que por anos vivem modesta estabilidade. Segundo Brown, as quatro edições do Tratado Sobre a Tolerância venderam 300 cópias na semana seguinte ao atentado na França. Mas, nos sete dias posteriores, chegaram a 10 mil exemplares. “Em 11 anos, foram vendidos cerca de 120 mil exemplares. Em uma semana, as vendas foram iguais a um ano.”

No site da Amazon.fr, o livro passou a ser n.º 1 em religião, filosofia e outros gêneros. Algumas editoras da França vão imprimir novas versões do texto, diante do êxito e da procura até mesmo por escolas que passaram a incluir as obras nos programas de 2015.

A Société Voltaire, entidade que reúne especialistas sobre o escritor, os responsáveis por manter viva a obra do francês, também reforça seu papel na luta contra o extremismo. “Era também Voltaire que os terroristas queriam matar”, anunciou o grupo, em um comunicado. “Hoje, Voltaire seria Charlie. Agora, mais do que nunca, Voltaire é o símbolo para todos aqueles que não aceitam assassinatos religiosos ou que um deus sirva para justificar massacres”, reforçou a entidade.

Brown, que dedicou sua carreira acadêmica ao estudo da obra do francês, reconhece que o mundo em que vivia Voltaire era diferente do nosso. “Mas ele já era contra tudo o que representa terrorismo ou extremismo religioso”, explicou Brown. “Ele teria condenado tudo isso”, garantiu o britânico, que dirige um centro de estudos na pequena cidade de Ferney-Voltaire, onde o escritor passou anos para evitar ser preso pelas autoridades em Paris.

O especialista lamenta que escolas e a sociedade não tenham dado atenção às obras do francês nos últimos tempos. “Voltaire foi preso por ser impertinente ao regime. Não tolerava a hipocrisia e fez questão de lutar contra o extremismo religioso. Ele tem muito a nos ensinar.”

Voltaire chegou a Genebra em 1755, fugindo do que ele acreditava ser uma ameaça real a sua vida por parte da nobreza francesa. Na cidade suíça, ele radicalizaria seu discurso contra a intolerância religiosa.

Poucos anos depois e já com uma grande fortuna, ele compraria um castelo na região ao lado de Genebra, conhecida como Ferney. Ali, construiu fábricas para os relojoeiros suíços e casas populares.

Logo após a morte do escritor, a cidade adicionou Voltaire a seu nome e a praça central ganhou uma estátua em sua homenagem. Na semana passada, um cortejo com 10 mil pessoas tomou as ruas da pequena cidade para mostrar solidariedade às vítimas do ataque terrorista.

Mas nem todos concordam com o uso da imagem de Voltaire para marcar o ataque contra o Charlie Hebdo. A principal crítica se refere à peça que ele escreveu O Fanatismo ou Maomé, em 1736. O protagonista é um profeta impostor e cruel, o que acaba ganhando o apoio dos órgãos de censura da época, liderados por católicos.

Os especialistas na obra de Voltaire o defendem, apontando que o ataque era contra “todas as religiões”. A peça estrearia em 1741. Mas não teria vida longa. Quando bispo se deram conta que o ataque era contra a Igreja Católica, o espetáculo foi proibido. O escritor reconheceria anos mais tarde que, de fato, o ataque era contra os religiosos locais na França.

Seus defensores também alertam que Voltaire mudou de atitude sobre o Islã ao longo de sua vida e, em 1770, disse que “outros povos podem pensar melhor que os habitantes da Europa”, numa referência ao Oriente Médio.

Polêmico, detestado pelo regime e obrigado a fugir para a Suíça, Voltaire veria o impacto de sua obra. Dois anos depois da publicação, o Tratado Sobre a Tolerância conseguiu reabilitar o prisioneiro Jean Calas.

Mas, poucos anos depois, o jovem cavaleiro François-Jean Lefebvre de La Barre seria condenado à morte pelo Parlamento de Paris por “blasfêmia e sacrilégio” ao ofender uma procissão religiosa. Decapitado, seu corpo seria queimado e, ao seu lado, um exemplar o Dicionário Filosófico de Voltaire também desapareceria nas chamas.

(Fonte: O Estadão)

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