MARÇO – 2015

Instagram para leitores

20150330025114854-2047068264

Depois de apostarem em blogueiros e em vlogueiros, editoras miram nos usuários do Instagram

Instagram, a rede social de compartilhamento de fotos, já ultrapassou a marca dos 100 milhões de usuários. E, da mesma forma que aconteceram com os blogueiros e os vlogueiros, as editoras passaram a enxergar nos instagramers um novo nicho editorial. As editoras Terceiro Nome e Madalena se associaram e preparam para abril o lançamento do livro Rever, que reúne 211 imagens postadas pela artista plástica Gabriela Machado (@gabmachado) no seu perfil na rede social. Mas não é só isso. A Rocco acaba de comprar os direitos de dois livros da sensação Joe Wicks (@thebodycoach), que usa a rede social para dar dicas de emagrecimento. Com quase 200 mil seguidores, Wicks faz um plano de emagrecimento para ser cumprido em 90 dias. O seu perfil no Instagram é repleto de fotos de “antes e depois” de pessoas que aderiram ao seu método. O livro sai pelo selo Bicicleta Amarela, o novo selo de bem-estar da editora. Mas nem só de fotografias vive o mercado editorial. A Record, V&R e Intrínseca bateram o martelo e fecharam negócios na última semana. A Intrínseca comprou o juvenil Amy Chelsea Stacie Dee, previsto para ser publicado só em 2017. O livro conta a história de uma garota de 16 anos sequestrada junto com seu primo. Libertada depois de seis anos, ela está traumatizada, mas percebe que precisa encarar o passado para construir um futuro. Ainda dentro do universo infantojuvenil, a V&R comprou Every last promise, de Kristin Halbrook. O pano de fundo do livro também uma história de violência. Kayla, a protagonista, presencia uma agressão sexual contra uma colega e tem que decidir entre manter o silêncio e denunciar o agressor. No Goodreads, Every last promise, recebeu 31 reviews. Já a Record apostou forte no novo romance de Michelle Cuevas e comprou os direitos de Confessions of na imaginary friend em pre-empt. O negócio foi intermediado pela Agência Riff.

 

(Fonte: Publish News)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Panini lança álbum com personagens Disney em versão Gogo’s

disney_gogos_capa

A Panini Comics divulgou o lançamento de um box com o livro ilustrado, figurinhas e personagens Disney Gogo’s.

A edição, com 32 páginas, formato 27,5 x 37 cm e preço estimado em R$ 89,90, trará os personagens da Disney, princesas, fadas, piratas, bruxas e seres fantásticos juntamente com crianças que aprenderam a voar, brinquedos e carros que falam e até uma dimensão só de monstros.

Os personagens ganham suas versões gogo’s em 204 cromos e o total de 61 Gogo’s Crazy Bones para colecionar.

O box contém o álbum, 30 envelopes (cada envelope vem com quatro figurinhas e um gogo’s), cinco gogo’s e mais 20 figurinhas.

(Fonte: universo HQ)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 4.0/5 (1 vote cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Empresa online de revenda de gibis faz fortuna nos EUA

Fantastic_Four_Vol_1_1

Para qualquer colecionador de revistas em quadrinhos e memorabilias afins, não é novidade que o mercado de colecionáveis dos Estados Unidos é o mais movimentado e rico do mundo, gerando cifras que são inimagináveis em outros países. Mais do que isso, há décadas a compra e venda de gibis antigos se transformou em uma rentável área informal da economia, já enraizada na cultura local. A prática da especulação ainda é comum para as edições de estreia ou aquelas que trazem algum evento especial, como aconteceu recentemente com o lançamento de Teenage Mutant Ninja Turtles # 44.

Se naquele país é possível ficar milionário acumulando uma coleção de revistas em quadrinhos, também é fácil ganhar muito dinheiro servindo de intermediário nesse negócio. E isso não se refere apenas às casas de leilão, que costumam fazer pequenas fortunas em cada lote de gibis antigos vendidos.

A NewKadia.com, sediada na Filadélfia, está completando 15 anos nesse ramo e, até onde se sabe, é a única empresa de revenda online de quadrinhos no mundo. É o que diz seu proprietário, Jim Drucker, de 62 anos.

Imagine uma empresa que intermedeia a venda de, em média, mais de 200 mil exemplares de quadrinhos raros por ano e ainda vende seu próprio estoque de cerca de 250 mil revistas. Somente nos exemplares consignados, a NewKadia.com recebe até 50% do total da venda, sem contar os quatro dólares por gibi registrado.

Em reportagem para o jornal The Gazette, Drucker disse que tudo começou em 1999, quando ele resolveu vender sua coleção de quadrinhos no eBay. Impressionado com a rapidez com que vendeu as revistas e o valor que arrecadou, resolveu investir no e-commerce.

O empresário diz que durante anos ouviu sua mãe importuná-lo com cobranças para se desfazer dos gibis. Tempos depois, foi sua esposa que, segundo ele, “deu continuidade à ladainha”. Hoje em dia, ambas não poderiam estar mais felizes, pois Drucker possui uma empresa rentável, que não só provém a família com alguns milhões de dólares por ano, como também faz a alegria de clientes como o nova-iorquino Joe Koch, que já conseguiu vender cerca de 68 mil gibis raros de sua coleção e ainda tem outros 42 mil à espera de compradores.

Koch está na faixa etária de 25 a 54 anos dos clientes que a NewKadia.com atende. Gibi parece que não é mesmo coisa (só) de criança.

(Fonte: Universo HQ)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Editora Martins Fontes relançará os primeiros livros infantis de Mauricio de Sousa

Mauricio-de-Sousa2

Os primeiros livros infantis escritos e desenhados por Mauricio de Sousa, publicados originalmente pela editora FTD, em 1965, serão relançados no próximo mês de setembro, durante a 17ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro.

Desta vez pela Martins Fontes, O Astronauta no Planeta dos Homens Sorvete, A caixa da bondade e Piteco chegarão reunidos em um volume único em capa dura e 208 páginas, no formato original (18,5 x 27,5 cm).

Marcando as comemorações dos 80 anos de Mauricio de Sousa, a edição apresenta um painel por página, com texto e ilustração, e inclui uma entrevista inédita com o criador da Turma da Mônica, realizada por Sidney Gusman, responsável pelo planejamento editorial da Mauricio de Sousa Produções.

Dentre os personagens apresentados no livro, está o obscuro Niquinho – um garoto cheio de boas intenções, mas que sempre se dá mal -, além de Chico Bento, Penadinho e outros.

Ainda não há informações sobre o preço de venda da publicação.

(Fonte: Universo HQ)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Manoel de Oliveira constrói jogo entre o real e a aparência

singularidades

Como o cinema se faz de aparências, sua questão crucial é: como distinguir a aparência verdadeira da verdade aparente? Ninguém melhor do que Manoel de Oliveira para propor a ideia, como faz em “Singularidades de uma Rapariga Loira” (2009, Cultura, 0h30).

A história, buscada em Eça de Queiroz, diz respeito à paixão de um jovem que vê, pela janela, a garota de seus sonhos, do outro lado da rua. O rosto, os gestos, a delicadeza, a elegância da rapariga, tudo levará Macário (Ricardo Trêpa) a enfrentar tudo, inclusive o tio (o fantástico Diogo Dória) para se casar com ela.

Mas sabe ele com quem está casando? Com uma mulher ou uma imagem?

(Fonte: Folha de São Paulo)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Guerra santa em março

 Padre Marcelo derruba Edir Macedo para segundo lugar na lista de mais vendidos de março

Padre Marcelo derruba Edir Macedo para segundo lugar na lista de mais vendidos de março

Com 74.035 exemplares vendidos, em apenas três semanas de lista, o livro Philia (Principium/Globo) desbancou o eleito nos dois primeiros meses do ano, Nada a perder vol.3 (Planeta). O livro do bispo Edir Macedo ficou na segunda posição, com 22.730 exemplares.

O grande destaque no mês foi o livro Jardim secreto (Sextante), que pulou do oitavo para o terceiro lugar, com 22.021. Muita gente estressada em março.
No ranking das editoras, Intrínseca levou o primeiro lugar com a mesma quantidade de títulos do mês anterior, 23. Companhia-Objetiva também repetiu o segundo lugar com a mesma quantidade, 19, e Sextante em terceiro com 16, quatro a menos que em fevereiro. O destaque foi a Saraiva que ficou em quarto lugar com 12 títulos. Em fevereiro ela apareceu em sexto, com sete títulos. Desses, quatro são do autor Augusto Cury, e dois de Frederico Elboni, que nessa semana estreou na lista o Meu universo particular (Benvirá) na lista de não ficção.
Nas novidades da semana, o destaque foi o livro Kenobi (Aleph), que ficou em nono lugar na lista de ficção. É o segundo livro da editora a entrar na lista, e o segundo StarWars. A força está com eles.
(Fonte: Publish News)

 

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Acervo de J. Carlos é adquirido em comodato pelo Instituto Moreira Salles

Desenho de J. Carlos para a capa da revista ‘Careta’, de outubro de 1943.

Desenho de J. Carlos para a capa da revista ‘Careta’, de outubro de 1943.

Cartunista é um dos principais cronistas visuais do Brasil na primeira metade do século XX

Ele é um dos principais cronistas visuais do Brasil do século XX. Agora, quem quiser rever a produção de José Carlos de Brito e Cunha, o cartunista J. Carlos (1884-1950), vai poder encontrá-la toda em um só lugar. O Instituto Moreira Salles (IMS) acaba de receber o acervo do desenhista, preservado durante décadas em Petrópolis por seu filho.

São revistas como “Careta”, “O tico-tico” e “Fon-fon” — além de muitas outras; o artista trabalhou na maior parte das publicações do Rio de Janeiro, à época capital federal. São volumes encadernados, além de quase mil originais e desenhos esparsos. Filho de J. Carlos, Eduardo Augusto de Brito e Cunha ainda colecionou em álbuns as notícias que saíram sobre o pai depois de sua morte — e agora elas também estão no IMS, em regime de comodato, por pelo menos dez anos.

— É uma produção enorme e fascinante. Contei os dias de trabalho dele. J. Carlos começa em 1902 (na revista “Tagarela”) e trabalha até outubro de 1950. São 18 mil dias de trabalho! — afirma o cartunista Cássio Loredano, que já pesquisava o acervo desde 1995 e é consultor de iconografia do IMS.

REVISTAS EM BOM ESTADO

Loredano é o articulador da ida do acervo para a instituição. Ele começou a pesquisá-lo em 1995, indo à casa da família e fazendo cópias das publicações. Já publicou alguns livros a partir dessas pesquisas, como “O vidente míope — J. Carlos n’O Malho” (Folha Seca), em parceria com o historiador Luiz Antonio Simas; “J. Carlos contra a guerra” (Casa da Palavra), em colaboração com o colunista do GLOBO Arthur Dapieve; e “Carnaval de J. Carlos” (Lech), com Luciano Trigo, entre outros.

— Está tudo muito bem conservado. O filho do J. Carlos manuseava tudo sempre, então as publicações não estão nem amareladas. A “Careta” parece novinha. O acervo está em processo de higienização, ainda não começamos a pensar em exposições e publicações — afirma Julia Kovensky, coordenadora de iconografia do IMS.

A ideia de Loredano, colunista visual do GLOBO, é que outros pesquisadores possam ter acesso ao acervo, até por ter um olhar diferente do dele. Mesmo assim, o cartunista já tem pelo menos um outro livro na manga a partir do material que agora está no IMS.

— Quero fazer algo sobre o J. Carlos publicitário. Ele viveu uma época de grandes mudanças no Brasil, que se transformava de rural em urbano — destaca Loredano. — A fotografia ainda não estava popularizada, então usavam os desenhistas. Era a época de aquecimento a gás, eletricidade, automóvel, bondes, avião e o começo da televisão. Ele é o maior cronista visual possível do Brasil.

Naturalmente, o acervo não traz toda a produção de J. Carlos. Em primeiro lugar, porque tudo indica que ele se desfez do que publicou na revista “O Malho”, hoje arquivada na Biblioteca Nacional. Foi nela que o artista fez parte significativa da oposição a Getúlio Vargas, que logo depois chegou ao poder, pela revolução de 1930. O palpite de Loredano é que J. Carlos se ressentia desse período. Curiosamente, ele morreu na véspera da eleição de 1950, na qual Getúlio voltou democraticamente ao poder.

Estima-se que o artista tenha produzido mais de 100 mil desenhos. Ele disse certa vez que suas obras “davam para cobrir a Avenida Rio Branco”. Ele poderia voltar de táxi para casa, mas preferia o bonde — era o jeito de observar o cotidiano do Rio de Janeiro. J. Carlos trabalhou até o fim — estava debruçado sobre um desenho quando teve o derrame que o levaria à morte.

(Fonte: O Globo)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Pequenos tesouros de Manoel de Barros

O poeta. Na sua fazenda Rio Negrinho, em 2007

O poeta. Na sua fazenda Rio Negrinho, em 2007

Antologia reúne poemas de todas as fases do escritor, que se dedicou à palavra durante mais de 70 anos de ofício

O poeta Manoel de Barros (1916-2014) deixou uma obra singular – com uma linguagem artesanalmente construída, sem se ater a convenções gramaticais ou sociais, mas sempre em busca da simplicidade, ele se tornou, com o passar dos anos, um cultor da palavra. É justamente esse detalhe delicado que marca a edição de Meu Quintal é Maior do que o Mundo, antologia que reúne poemas de todas fases do escritor e marca a transferência da sua obra para a editora Alfaguara.

A seleção de textos foi feita por Martha Barros, filha do poeta, e o prefácio é assinado por José Castello, jornalista que, nos anos 1990, fez entrevistas com Manoel para o Estado. Uma tarefa árdua, pois o objetivo da poesia do escritor, como observa Castello, “não é explicar, mas ‘desexplicar’”.

Uma atitude acertada é o livro não trazer, junto aos poemas, a época em que foram publicados e em quais obras – todos os detalhes estão no final do volume. Isso porque tempo, para o poeta, não seguia sua ordem cronológica – o que seria o livro da mocidade, por exemplo, se transformou em segunda infância, que é a forma como o poeta tratava de sua maturidade.

“Provavelmente, é uma poesia que se apega à infância, momento da vida em que todos os sentidos ainda estão por se fazer”, escreve Castello, no prefácio. “Seu olhar é sinuoso, e não reto. A razão ainda é uma quimera.”

“Minhas palavras se dão melhor no cisco do que no asfalto”, disse o autor ao Estado, em 2006. “Se dão melhor nas águas tristes do que nos salões (chamo de águas tristes aos brejos ). Porque no cisco as palavras encontram os bichinhos de brincar: as formigas, a lesma, as lacraias e os lagartos. E nos brejos as palavras podem se encontrar com as rãs, os sapos, os caracóis e as pedrinhas redondas. No chão minhas palavras florescem. Eu não comando as minhas palavras. Elas que gostam do chão e das coisas desimportantes.”

Nos últimos livros que publicou, Manoel contou com a participação de Martha que, artista, realizou delicadas iluminuras com sua interpretação da obra do pai. Sobre o assunto, ela respondeu, por e-mail, as seguintes questões.

Como surgiu o amor de Manoel pelas coisas sem importância?

Ele sempre teve esse olhar para baixo. Um pouco pela sua infância na fazenda, livre e integrada à natureza, um pouco pelo seu temperamento de caramujo. Vêm daí as coisas pequenas e sem importância que permeiam e inspiraram sua poesia.

O mundo contemporâneo estava explícito nos versos de Manoel. A prosa seria, assim, o melhor abrigo para histórias pessoais?

Sua poesia é autobiográfica, mas em sua prosa poética talvez fique mais explícita essa sua fonte que está na infância.

Manoel tinha algum ritual de criação ou a base da sua produção era a pura inspiração?

Manoel não acreditava na inspiração e dizia que somente o trabalho e a transpiração podiam lhe render um poema. Tinha um ritual de trabalho muito rígido, subia todos os dias para seu escritório,  das sete às onze horas da manhã, para ler e escrever. Até aos sábados. Esse ritual, no final de sua vida, se estendeu até aos domingos.

O Manoel que surgia da poesia não era o mesmo daquele pessoa física, em carne e osso. Quem era o verdadeiro Manoel?

Só houve um homem – alegre e brincalhão, amigo e conselheiro. Pelas tardes,  recebia qualquer pessoa com hora marcada para conversar. Gostava da família e se preocupava com todos. Um homem normal, extremamente humano e sensível. Na sua obra dava cambalhotas e se permitia ser criança. Como poeta, sua criação não tinha limites. Nessa antologia tem um poema – Os dois, de Poemas rupestres – em que ele fala poeticamente disso:

“Eu sou dois seres.

O primeiro é fruto do amor de João e Alice.

O segundo é letral:

É fruto de uma natureza que pensa por imagens,

Como diria Paul Valéry.

O primeiro está aqui de unha, roupa, chapéu

e vaidades.

O segundo está aqui em letras, sílabas, vaidades

frases.

E aceitamos que você empregue o seu amor em nós.”

Como era trabalhar ao lado dele? Seus desenhos o inspiravam também? O que mais a inspirava: a poesia ou a prosa dele?

Sua poesia sempre foi fonte de inspiração para muitos artistas. Acredito que por ser também uma poesia imagética. No meu caso, tem mais um componente. Somos parecidos de temperamento e bebemos da mesma fonte – a força da natureza do Pantanal. Sua poesia é libertadora e trabalhar ao seu lado sempre foi um prazer.

MEU QUINTAL É MAIOR QUE O MUNDO

Autor: Manoel de Barros

Editora: Alfaguara (168 págs., R$ 16,90)

(Fonte: O Estadão)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Livro reúne panfletos que permitem novas interpretações da Independência do Brasil

2015-802278350-2015032589825.jpg_20150325

O grito do Ipiranga foi resultado de um processo iniciado com a Revolução Liberal do Porto em 1820

Após quase duas décadas de pesquisa, obra com quatro volumes mostra um amplo debate político no país durante o processo

Corria o ano de 1822 quando, no Rio de Janeiro, foi publicado um ensaio sobre a antipatia e aversão mútuas de “alguns portugueses europeus e brasilienses”. Assinado pelo médico Raimundo José da Cunha Matos, trata-se de um dos 362 panfletos escritos entre 1820 e 1823 reunidos nos quatro volumes recém-lançados de “Guerra literária — Panfletos da Independência (1820-1823)” (Ed. UFMG), organizados pelos historiadores José Murilo de Carvalho, Lúcia Bastos e Marcello Basile. A obra, resultado de 17 anos e meio de pesquisa com períodos de intervalo por falta de financiamento de órgãos de fomento, além de reunir pela primeira vez o material disperso por arquivos de Brasil, Portugal e Uruguai, permite novas interpretações do processo de independência brasileiro. Nos panfletos surgem as vozes de funcionários públicos, religiosos, profissionais liberais e negociantes que travam uma verdadeira batalha literária sobre os rumos do país.

— Há várias visões da Independência: uma triunfalista, de D. Pedro como herói; outra, crítica, de que foi um arranjo familiar entre D. João e D. Pedro, que se acertaram e o Brasil engoliu; e uma terceira, de que foi um complô das elites políticas para fazer a Independência e manter a escravidão. São visões comuns e todas excluem o povo. Os panfletos mostram o contrário. Não estou dizendo que quem escrevia era povo, mas os impressos circulavam, eram lidos em voz alta nas ruas, provocavam discussões. São a prova de que existiu um debate muito intenso a respeito de todas as grandes decisões da Independência — afirma Carvalho, professor emérito da UFRJ e integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL).

DISPUTA POLÍTICA

O trabalho de pesquisa dos três começou no segundo semestre de 1997. Foi uma intensa peregrinação que passou pela Biblioteca Nacional e pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, no Rio de Janeiro; pela coleção particular do bibliófilo José Mindlin (hoje Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, na USP); pela Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa; e a Biblioteca Nacional do Uruguai, em Montevidéu, além de arquivos estaduais na Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco e Maranhão. O vizinho latino-americano foi incluído porque, naqueles anos, a então Província Cisplatina fazia parte do Reino Unido de Brasil, Portugal e Algarves. O Uruguai só alcançou a independência em 1828.

Uma das dificuldades encontradas é que, nos acervos, os panfletos estão catalogados apenas pelo nome e título. Logo, não é possível saber quais publicações podem ser caracterizadas como panfletos ou não. Ao todo, mais de 500 exemplares impressos foram identificados e 362 selecionados (aqueles que tinham até 50 páginas). Documentos oficiais foram desconsiderados. Os panfletos manuscritos foram reunidos pelos três no livro “Às armas, cidadãos” (Companhia das Letras/Ed. UFMG), de 2012.

Os historiadores conseguiram identificar 95 autores. A prioridade foi para brasileiros. Portugueses só foram considerados se seus panfletos estivessem relacionados a questões do Brasil ou se sua trajetória estivesse ligada ao país. A maioria era de funcionários públicos, o que inclui também os religiosos, já que não havia separação entre Igreja e Estado. Os demais eram profissionais liberais ou negociantes e proprietários de terra. Para mapear essa produção, os anúncios dos livreiros funcionaram como um guia e um reflexo do interesse do público pelo formato.

— Os panfletos eram geralmente vendidos nas próprias tipografias, livrarias e lojas comuns. O fato de eles serem anunciados mostra como eram aguardados pelo público. Temos notícias de que as tipografias ficavam engarrafadas e não conseguiam dar conta da demanda de impressão — conta Marcello Basile, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). — Em todos os momentos, jornais e panfletos convivem, mas estes eram menores e mais baratos, ágeis e versáteis do que os jornais. Uma pessoa escrevia um panfleto, chegava na tipografia e mandava imprimir.

Por essas características, as publicações eram o principal meio de disputa política e típicas de momentos turbulentos, explica Lúcia Bastos, professora titular de História Moderna da Uerj.

— Essa é uma cultura que, a partir do final do século XVI, aparece durante as convulsões políticas. Foi assim durante as revoluções inglesas do século XVII, nas independências dos Estados Unidos e da América Hispânica, no século XVIII. No Brasil, há registro de panfletos manuscritos em 1798, na Conjuração Baiana. Mas a circulação se intensifica a partir das guerras napoleônicas na Europa, principalmente após a invasão de Portugal — diz ela.

A produção no Brasil arrefeceu depois de 1815, com a derrota definitiva de Napoleão, e voltou a crescer a partir de 1820. Em agosto daquele ano, ocorreu em Portugal a Revolução do Porto, que, unindo a burguesia e o Exército, impôs a substituição do Antigo Regime pela monarquia liberal com a convocação das cortes, cujos deputados eleitos dariam ao reino uma Constituição. Foram as cortes que determinaram o retorno de D. João VI, em abril de 1821, e mais tarde o de D. Pedro, que nunca aconteceu. Todos esses movimentos eram acompanhados por calorosas discussões, que não raro terminavam em trocas de ofensas, especialmente nas cartas. E continuariam depois da Independência, sobre o tipo de governo que se desejava para o novo país.

DIVERSIDADE DE GÊNEROS

Cada volume reúne um gênero de panfleto: cartas; análises; sermões, diálogos e manifestos; poesias, relatos e Cisplatina. Os organizadores adotaram a divisão por gênero porque eles refletem a intenção do autor. Se as cartas eram as preferidas para os ataques pessoais, as análises buscavam atender a leitores mais instruídos. Já os sermões, diálogos e poesias tinham maior capacidade de comunicação oral e ajudavam a transmitir para um público amplo os conceitos políticos que surgiam. A linguagem dos panfletos era bem mais coloquial e direta, afastando-se da erudição comum aos livros.

— Uma pessoa mais intelectualizada argumentava mais. Muitos padres eram brigões e optavam pelas cartas. E havia também aqueles com preocupações didáticas, que escreviam catecismos, dicionários cívicos para educar as pessoas, ensinar os conceitos que surgiram naquele momento: o que é Constituição? O que é liberalismo? O que é representação? — afirma Carvalho. — As poesias, em geral, eram para elogios. Mas à medida que a opção pela Independência foi se aproximando, elas se tornaram muito patriotas em relação ao Brasil. Inclusive o Hino da Independência aparece num dos panfletos.

A partir do material, Lúcia argumenta que fica claro que os debates sobre a Independência do Brasil não seguem uma linha de continuidade com as tentativas frustradas no século XVIII. Pelo contrário, a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana nem são citadas. As condições para a separação de Brasil e Portugal vão aparecer, principalmente, a partir das posições das cortes.

— Até o início de 1822, nenhum panfleto está falando de Independência, mas de crítica ao absolutismo. Não há referência à Inconfidência Mineira, à Conjuração Baiana, não veem nenhuma relação. Discute-se sim uma autonomia, uma monarquia dual, porque tinha que ter um herdeiro da casa de Bragança aqui. Os panfletos que encontramos na Bahia, muito ligados a Portugal, mostram uma adesão ao processo liberal que ocorria lá. Só com a intransigência das cortes de Lisboa é que isso vai mudar — defende a professora.

A intensa proliferação dos panfletos se encerra em 1823, com o fechamento da Assembleia Constituinte por D. Pedro e o recrudescimento da censura. Eles voltarão na abdicação do Imperador, no período regencial, mas em uma quantidade bem menor. Segundo Basile, com a consolidação da imprensa, os jornais vão ganhando espaço, embora os panfletos não desapareçam como um todo. Para Carvalho, o surgimento de outros espaços de expressão também contribuiu para que este tipo de publicação perdesse força.

— Em 1824 já existe um congresso funcionando, era uma maneira de se expressar, inclusive para oposição. Um caminho que não existia antes, quando ela praticamente só tinha voz nos jornais e nos panfletos.

Mesmo após quase duas décadas de trabalho, a missão do trio não acabou. Eles garantem que há material inédito — já encontrado em Portugal e no Brasil — para publicar um quinto volume.

(Fonte: O Globo)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Evaldo Cabral de Mello toma posse na ABL

Evaldo Cabral de Mello (no centro) na ABL, com o presidente Geraldo Holanda Cavalcanti (à esquerda) e o diretor Eduardo Portela

Evaldo Cabral de Mello (no centro) na ABL, com o presidente Geraldo Holanda Cavalcanti (à esquerda) e o diretor Eduardo Portela

Casa de Machado de Assis volta a estar completa

Depois de um 2014 de perdas para a Academia Brasileira de Letras (ABL), a Casa de Machado de Assis está novamente completa. O historiador e ex-diplomata Evaldo Cabral de Mello tomou posse, em cerimônia realizada na noite desta sexta-feira, da cadeira número 34, antes ocupada por João Ubaldo Ribeiro, que faleceu em julho do ano passado. Era a última vaga que faltava ser preenchida.

Em seu discurso, o pernambucano Cabral de Mello traçou um panorama da historiografia através dos tempos e fez uma crítica aos estudiosos contemporâneos.

– A ambição de escrever uma grande obra de História foi preterida pelas teses universitárias, muitas delas de qualidade excepcional, mas necessariamente limitadas a temas demasiadamente específicos e, quando publicadas em livros, relegadas a um número limitadíssimo de especialistas – disse o novo acadêmico.

O novo acadêmico ingressou na carreira diplomática em 1960, servindo em Paris, Genebra e Madri, entre outras cidades. O fundador da cadeira número 34 é o escritor fluminense João Manuel Pereira da Silva.

O discurso de boas-vindas ao novo imortal foi feito por Eduardo Portella. Cabral de Mello recebeu do também historiador Alberto da Costa e Silva o tradicional colar usado pelos integrantes da ABL. O diploma, por sua vez, foi passado a Cabral de Mello pelas mãos de Alberto Venancio Filho. Os três foram os grandes incentivadores da candidatura do escritor recém-empossado à Casa de Machado de Assis.

Cabral de Mello, irmão do poeta João Cabral de Melo Neto, que também foi acadêmico, reforça o time da ABL especializado em História. Junto ao amigo Alberto da Costa e Silva e a José Murilo de Carvalho, ele é um dos maiores historiadores brasileiros vivos. O novo imortal é conhecido por suas pesquisas sobre a dominação dos holandeses em Pernambuco, que foi de 1630 a 1654, além de ser autor de várias obras sobre importantes períodos históricos de seu estado.

Radicado no Rio de Janeiro, Cabral de Mello fez descobertas historiográficas importantes. Em uma delas, no livro “O negócio do Brasil” (Companhia das Letras), ele provou que portugueses pagaram para holandeses abandonarem Pernambuco. E revela o preço: 63 toneladas de ouro.

CONTRA O ‘RIO-CENTRISMO’

Também autor de “A outra independência — O federalismo pernambucano de 1817 a 1824” (Editora 34), entre outras obras, Cabral de Mello sempre contestou a tese de que os holandeses foram expulsos por uma união de negros, índios e portugueses. O historiador é elogiado não só por sua escrita, mas também por valorizar a pesquisa em documentos históricos. Ele é o criador da expressão “Rio-centrismo” — criada para criticar as universidades do Sudeste que, na sua opinião, ignoram outras regiões do Brasil.

(Fonte: O Globo)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button