JUNHO – 2015

Jornalista inglês Ioan Grillo é um dos substitutos de Roberto Saviano na Flip

Ioan Grillo vem à Flip no lugar de Roberto Saviano

Ioan Grillo vem à Flip no lugar de Roberto Saviano

Saviano cancelou presença na feira por motivos de segurança

O jornalista inglês Ioan Grillo será um dos substitutos do italiano Roberto Saviano na Festa Literária Internacional de Paraty. Assim como Saviano, que cancelou sua participação na Flip alegando que não poderia sair da Europa por motivos de segurança, Grillo também pesquisou e lançou um livro sobre máfias. No caso, ele é o autor de “El narco”, obra sobre os cartéis de drogas mexicanos. A publicação ainda é inédita no Brasil.

Morando no México, cobre assuntos para a América Latina para jornais estrangeiros desde 2001. Colaborou com jornais, revistas, canais de TV e agências de notícias, como “Time Magazine”, “CNN”, “Reuters”, “The Associated Press” e “Al Jazeera English”.

A Flip não quis confirmar a vinda de Grillo, mas o próprio jornalista afirmou ao Globo que chega em Paraty na quinta-feira. A organização do evento estaria à espera da confirmação de mais um autor pra compor a mesa com Grillo.

Saviano, autor de “Gomorra”, participaria da Flip no início da noite de sábado.

(Fonte: O Globo)

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Apesar da liberação, autor de biografia de Guimarães Rosa hesita em relançar o livro

Guimarães Rosa, em 1966.

Guimarães Rosa, em 1966.

Proibida desde 2008, obra terá trechos suprimidos caso seja reeditada

Ainda não é desta vez que os fãs do autor de “Grande Sertão: Veredas” terão acesso à biografia “Sinfonia de Minas Gerais — A vida e a literatura de Guimarães Rosa”, lançada em 2008 por Alaor Barbosa dos Santos e imediatamente cassada pela família do escritor, que conseguiu, na Justiça, tirá-la de circulação. Apesar da decisão favorável do Supremo Tribunal Federal (STF), na quinta-feira passada, liberando definitivamente a comercialização do volume, conforme noticiou a coluna Gente Boa, domingo, no GLOBO, agora é o próprio Alaor quem faz ressalvas: de acordo com ele, o livro só volta às prateleiras depois de passar por modificações no texto, processo que ainda não tem previsão de conclusão.

— Não quero recolocar o livro no mercado tal como ele está. Essa decisão final do STF ainda é bastante recente. Fiquei muito feliz, porque finalmente coloca-se uma pá de cal sobre este assunto. Mas nem falei com meu editor ainda. São sete anos de luta árdua, foi tudo muito desgastante, gerou muita ansiedade e expectativa, sofrimento atroz meu e da minha família. Ainda estou assimilando a notícia, por isso não há nenhuma previsão de relançamento do livro — explicou Alaor, por telefone, de Goiânia. — Nesse meio tempo, surgiram muitos fatos novos na vida de Guimarães Rosa, a vida dele recebeu muitas iluminações novas, trazidas pela divulgação de trechos do seu diário, por exemplo. Além disso, se eu vier a reeditar a biografia (neste momento, o autor hesita sobre o relançamento) vou suprimir citações ao outro livro (“Relembramentos: João Guimarães Rosa, meu pai”, de Vilma Guimarães Rosa. O autor foi acusado de plágio por ela e pela Nova Fronteira na ação judicial que retirou o livro de circulação, interpretação posteriormente revogada). Não porque eu aceite a acusação de o livro dela ter sido citado em excesso, mas porque eu gostaria de reduzir bastante a presença dela no meu livro.

Indenização de R$ 600 mil

Na decisão final, o ministro Gilmar Mendes afirmou que “(…) A irresignação da herdeira do renomado escritor, ao lado da editora com a qual tem contrato de edição se limita ao teor de parcas e meras opiniões externadas”.

Representante da LGE, editora que lançou a biografia em 2008, o advogado Daniel Campello Queiroz diz que o próximo passo da empresa será ajuizar uma ação contra a Nova Fronteira, para reaver os prejuízos pelos sete anos em que o livro foi proibido, além dos gastos que a editora teve para armazenar os cerca de 3 mil exemplares inutilizados. O pedido de indenização deve chegar a R$ 600 mil.

— Estamos calculando que o livro deixou de ter por volta de seis edições, com perda de cerca de R$ 100 mil cada. Nos baseamos nos números de vendagens de outras biografias, como a do bispo Edir Macedo ou a do cantor Tim Maia — explicou o advogado, otimista. — Acredito que haverá acordo. Eles entendem que houve muito prejuízo.

A briga é antiga: em setembro de 2008, o juiz Maurício Magnus, da 24ª Vara Cível do Rio de Janeiro, concedeu tutela provisória ao pedido da filha de Guimarães Rosa, Vilma Guimarães Rosa, que acusava Alaor Barbosa dos Santos de não ter pedido sua autorização para escrever a biografia, e também por plagiar seu livro sobre o pai, editado pela Nova Fronteira. Em agosto de 2013, o mesmo juiz revogou a proibição de 2008 depois do resultado da perícia judicial, feita em 2011, que rejeitou a alegação de plágio. De acordo com a perícia, a biografia de Alaor fazia 103 citações ao livro (aproximadamente 9% do total de linhas da obra).

Em outubro de 2014, a 2ª Câmara Cível do Rio de Janeiro negou recurso e confirmou a sentença dada pelo juiz da primeira instância. O parecer da desembargadora Elisabete Filizzola atestava: “sequer a intimidade da vida privada do biografado chegou a ser posta em risco”. No início deste mês, em outro processo, nova contenda: a 4ª Câmara Cível do TJ/GO condenou Vilma a indenizar Alaor em R$ 50 mil por tê-lo ofendido nos jornais “O Popular”, “Folha de S.Paulo” e “Correio Braziliense”, à época do lançamento do livro, chamando-o de “mentiroso, doido e nojento”.

A Nova Fronteira preferiu não se pronunciar sobre o caso. Procurado, o escritório Dain Gandelman e Lace Brandão, que representa Vilma, não respondeu à solicitação para comentar o caso.

(Fonte: O Globo)

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O processo da viúva de Borges contra escritor que ‘engordou’ ‘O Aleph’

Paul Katchadjian fez experiência literária com clássico de Jorge Luis Borges

Paul Katchadjian fez experiência literária com clássico de Jorge Luis Borges

Katchadjian foi processado após acrescentar 5.600 palavras ao conto original

Tudo começou em 2009 como uma experiência literária aplaudida na época até mesmo pelo grande mestre argentino César Aira. Paul Katchadjian, jovem e respeitado escritor, uma das grandes promessas da literatura Argentina, quis investigar “O Aleph”, o conto mais conhecido de Jorge Luis Borges.

Antes ele havia feito o mesmo com “Martin Fierro”, o poema clássico da literatura daquele país. Pegou seus 2.316 versos e rearranjou em ordem alfabética. O poema mudou radicalmente, mexendo com a memória que cada um tinha dele. Katchadjian não teve nenhum problema, mas sim algum reconhecimento no mundo intelectual por seu jogo.

Então resolveu tentar algo com Borges. Acrescentou 5.600 palavras ao conto original e publicou um livro de 50 páginas chamado “O Aleph engordado”, pela pequena editoria Imprenta Poesia Argentina, com tiragem de 200 exemplares.

‘Borges não é um monumento, é um escritor. A história da literatura é uma constante revisão e reflexão sobre a tradição. Borges defendeu o plágio e afirmava que toda a literatura se constrói uma sobre a outra’ – Paul Katchadjiansobre seu livro, ‘O Aleph engordado’

Tudo estava indo bem, o exigente mundo da cultura Argentina gostou da idéia, Aira recomendou a leitura e elogiou como Katchadjian demonstrava que “‘O Aleph’ poderia seguir engordando indefinidamente, até preencher todas as prateleiras de todas as bibliotecas do mundo”.

Mas a viúva de Borges, Maria Kodama, não teve a mesma opinião e entrou com uma queixa criminal contra Katchadjan por plágio. Na Argentina, a lei pune esse crime com até seis anos de prisão.

Após uma longa batalha judicial, na qual Katchadjian parecia levar vantagem, na semana passada o tribunal de apelações argentino decidiu em favor de Kodama e decretou um embargo de 80 mil pesos (R$ 16 mil) sobre os bens do escritor. Ele voltou a apelar, mas o caso está se complicando.

“Nem eu nem qualquer um entre os que leram pensou que pudesse haver algum problema”, afirma Katchadjian, ainda estupefato com o processo. Ele é professor universitário e escritor, de 38 anos, conhecido por livros como “Gracias”, “Qué hacer” e “La libertad total”.

“Obviamente não estamos tentando esconder maliciosamente um plágio de forma dolosa, o motivo pelo qual essa lei existe”, acrescenta. “O livro se chama ‘O Aleph engordado’ e ao final há uma explicação sobre como o trabalho foi feito. Borges não é um monumento, é um escritor. A história da literatura é uma constante revisão e reflexão sobre a tradição. Borges defendeu o plágio e afirmava que toda a literatura se constrói uma sobre a outra. Esse processo é absurdo, é um romance delirante.”

Vários intelectuais, como Beatriz Sarlo e o próprio Aira, se mobilizaram para defender o escritor. Além disso, uma comunidade de apoio a sua causa já reúne mais de oito mil pessoas o Facebook. O advogado da viúva de Borges, Fernando Soto, assegura que “a única intenção de Kodama é proteger a obra de Borges”.

‘Isso não é um experimento, afeta diretamente o direito moral da obra, que foi alterada de forma dolosa. É como se alguém pintasse um bigode na Mona Lisa’ – Fernando SotoAdvogado da viúva de Borges

“O que acontece é que muitas pessoas não gostam de Kodama e por isso há essa reação solidária a Katchadjian”, argumenta o advogado. “Isso não é um experimento, afeta diretamente o direito moral da obra, que foi alterada de forma dolosa. Queremos que se reconheça que é uma ofensa a Borges. É como se alguém pintasse um bigode na Mona Lisa”, conclui.

Houve uma tentativa de mediação na qual os representantes de Kodama sugeriram não abrir também um processo civil em troca de Katchadjian assumir os custos do processo penal e do advogado (cerca de US$ 1.500), uma multa simbólica de um peso e, acima de tudo, o reconhecimento de seu erro. Ele se recusou.

“Eu não fiz nada de errado, o que está errado é o que eles estão fazendo. Eu não me arrependo do livro, acho que é um bom exercício. Toda a literatura é uma versão constante da anterior. Eu acho que o melhor que podemos fazer com Borges é dessacralizá-lo “.

O advogado de Kodama insiste que os críticos exageram, pois em nenhuma hipótese o escritor será preso, uma vez que não tem antecedentes, e no máximo teria de fazer trabalhos sociais.

Soto assegura que está conversando com alguns dos que apoiam Katchadjian para convencê-los de que esta é uma batalha pela defesa dos direitos do autor, que interessa a todos os escritores. Mas por enquanto a maioria está com o jovem autor de “El Aleph engordado”.

(Fonte: O Globo)

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Sucesso da comédia ‘Meu Passado Me Condena’ chega também em livro

Fabio Porchat na pré-estreia do filme "Meu Passado Me Condena 2", no Cinemark do Shopping Eldorado

Fabio Porchat na pré-estreia do filme “Meu Passado Me Condena 2”, no Cinemark do Shopping Eldorado

Obra traz histórias inéditas, além de diálogos da dupla no teatro e tweets trocados pelos atores

Depois do sucesso no cinema, na TV e no teatro, só faltava um meio para Meu Passado Me Condena continuar sua carreira positiva: a literatura. Não mais – a editora Paralela, uma divisão do grupo da Companhia das Letras, lança agora um livro com histórias inéditas dos personagens de Fábio Porchat e Miá Mello, escritas por Tati Bernardi.

Trata-se de uma coleção de capítulos curtos, escrita enxuta e direta, recursos para contar as desventuras amorosas de uma geração conectada e sempre disposta a enfrentar os dissabores com bom humor. O tom já se revela no primeiro texto, O Intelectual Esmaga Bolas, sobre a dificuldade da garota em se relacionar com CDF metido a intelectual e narcisista. A frase final é definitiva sobre o erro da escolha: “Achei que era amor e só era amadorismo”.

A edição reúne também diálogos dos melhores momentos de Porchat e Miá no teatro, além de tweets postados pelos atores e uma lista com dicas do que um homem não deve fazer quando o assunto é sexo.

A escrita de Tati Bernardi tem o ritmo de uma conversa animada, o que provoca conexão instantânea com o leitor, que se diverte com um insólito livro de autoajuda que, muitas vezes, pouco ou nada ajuda, mas diverte muito. É como acertadamente diz Gregorio Duvivier, quando discorda de que Tati seja a voz de uma geração – “não há ninguém no mundo tão patologicamente franco nem francamente engraçado. Ela é uma só. Não aceite imitações: Tati é a voz de uma geração composta unicamente por ela mesma”.

E o livro consegue ter vida independente das versões animadas, pois oferece a voz da consciência dos personagens, algo que nenhuma locução em off consegue resolver, pois o ritmo das frases é determinado pelo leitor.

MEU PASSADO ME CONDENA

Autora: Tati Bernardi

Editora: Paralela (120 págs., R$ 24,90)

(Fonte: O Estadão)

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Sucesso nos Estados Unidos, obra de B. J. Novak aposta no bom humor

Novak. Não ter imagem é vitória da palavra escrita

Novak. Não ter imagem é vitória da palavra escrita

Livro não tem figuras, mas é cheio de graça

Um livro infantil sem ilustrações. Trinta e duas páginas de texto – poucas frases, letras grandes, mas só palavras, sem apelo visual: “Você pode até achar que um livro sem figuras não vai ter graça nenhuma. Talvez pareça meio chato, meio sério. Só que…”. A graça de O Livro Sem Figuras, sucesso do ator e roteirista norte-americano B. J. Novak que a Intrínseca está lançando em português, está na pegadinha com o adulto que o lê para a criança. Ao se deparar com palavras esdrúxulas, como “borogotongo” e “uengarengas”, ao “assumir” que sua cabeça “é feita de pizza de goiaba”, que “come mosquito frito” e toma “lama com café”, o leitor tem que se desprender das amarras do senso do ridículo; assim, diverte sua plateia.

A ideia lhe veio quando Novak lia para o filho de 2 anos de seu melhor amigo. “Existe algo muito engraçado nessa experiência, que é o fato de o adulto ser forçado a falar todas as palavras do livro. Isso dá à criança um grande poder sobre o adulto”, conta Novak, por e-mail. “Aí pensei que seria uma grande oportunidade de se fazer comédia obrigando os pais a falar coisas bobas. Não apenas os pais têm chance de serem bobos, mas também a criança tem o prazer de se sentir poderosa.”

Roteirista, produtor e ator da superpremiada série televisiva The Office, estrelada por Steve Carrel e transmitida nos Estados Unidos entre 2005 e 2013, Novak tem 35 anos e começou a carreira se apresentando em stand-ups em Los Angeles. Filho de um escritor, ele se formou em literatura em Harvard. Cresceu fascinado pela obra de autores como Dr Seuss e Shel Silverstein, com gosto especial pelos títulos que tinham algum tipo de subversão. No mercado editorial contemporâneo, cita Aperte Aqui (Ática), do francês Hervé Tullet, como um exemplo de obra instigante voltada ao público infantil: pensado para a geração criada na base do touchscreen (a tela tátil dos tablets e smartphones), o livro é recheado de bolinhas coloridas que convidam à interação.

Claro que Novak não rechaça os livros ilustrados; só viu na supressão das imagens um caminho para cativar os pequenos por outro viés. “É uma chance de desenvolver na criança o encanto pela linguagem, de fazer com que a palavra escrita seja encarada como uma amiga. Foi um desafio: como fazer um livro de capa muito simples, e que ainda assim faça com que a criança ria com ele mais do que com qualquer outro livro que tenha pego na prateleira? Achei que seria uma grande vitória da palavra escrita e da leitura uma criança de 3, 4 ou 5 anos amar um livro sem figuras.”

E o retorno, de pais, crianças e vendas, o tem feito sorrir: voltado para a faixa dos 4 aos 8 anos, O Livro Sem Figuras entrou para a lista de mais vendidos do New York Times, que o destacou pela inventividade: “com uma premissa inovadora, B. J. Novak mostra que as palavras têm, por si só, carga sensorial e criativa de sobra”, publicou o jornal.

Desde o lançamento, há oito meses, ele está bem posicionado nos rankings de vendas dos EUA e vem sendo traduzido. “É incrível e gratificante o retorno das crianças, porque elas não mentem. Então, quando uma criança corre na minha direção, me abraça as pernas e diz que é o livro mais legal que ela já leu, é maravilhoso”, diz Novak. “Os pais também estão agradecidos. Muitos não se dão conta de como é fácil fazer graça para os filhos.” O e-book brasileiro tem versões narradas pela atriz Maria Clara Gueiros e pelo ator Lúcio Mauro Filho.

O LIVRO SEM FIGURAS

Autor: B. J. Novak

Tradução: Índigo

Editora: Intrínseca (48 págs., R$ 29,90 impresso, R$ 19,90 e-book)

(Fonte: O Estadão)

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Obra de biógrafo de Hitler mostra por que o ditador e a Alemanha lutaram até o fim

Execuções. Para Kershaw, terror impediu resistência

Execuções. Para Kershaw, terror impediu resistência

Uma pergunta fez Ian Kershaw, historiador e biógrafo de Hitler, escrever seu relato sobre os dias finais da Alemanha Nazista. Em O Fim do Terceiro Reich, o britânico dá sua resposta à questão: o que fez a nação combater até a destruição completa, sem buscar a paz negociada, ao perceber que não mais venceria a 2.ª Guerra Mundial?

Um século antes, o teórico da guerra Carl von Clausewitz pensara que o conflito moderno inclinava-se para o “absoluto”, pois, ao mobilizar a nação por inteiro, deixava de lado qualquer comiseração pelo inimigo, fazendo o ideal militar da neutralização do adversário se aproximar do extermínio. A política, no entanto, à qual se subordinava a guerra, impediria o extremo. Essa moderação era o que Hitler não tinha. Para Kershaw, sem ele, a Alemanha não teria lutado até o fim, e o país não teria assistido ao Götterdämmerung que consumiu o reino nazista. Eis sua entrevista.

Por que indagar as razões de a Alemanha ter lutado até o fim é uma questão tão perturbadora?

É extremamente raro um país lutar até o ponto da autodestruição como nação, até que esteja em ruínas e debaixo de ocupação inimiga sem buscar a saída por meio da paz negociada. Para a Alemanha lutar, impô-se morte e sofrimento aos seus cidadãos, ultrapassando tudo que acontecera nos anos precedentes da guerra.

Como a liderança carismática de Hitler permitiu ao regime sobreviver até maio de 1945?

Líderes nazistas dos mais variados níveis de autoridade viam a própria sobrevivência vinculada a de Hitler e a do regime. No mais alto escalão, poderes largamente acrescidos estavam nas mãos de subordinados de confiança – Martin Bormann (controle do partido), Heinrich Himmler (aparato de segurança), Joseph Goebbels (propaganda e mobilização da mão de obra) e Albert Speer (produção de armamentos). O poder de cada um dependia de Hitler. E os chefes das Forças Armadas eram também fiéis, prontos a obedecer as ordens ainda que discordassem delas.

É correto dizer que sem Hitler não haveria o Götterdämmerung, a destruição final do país?

Sim. Mas isso não era apenas um problema de sua personalidade ou de recusa de buscar uma saída. Era antes uma questão, primariamente, de estruturas do poder. Enquanto Hitler viveu, essas estruturas continuaram a existir. Logo após seu suicídio, elas se dissolveram rapidamente, e a insistência em continuar a luta se tornou, sob o seu sucessor, o almirante Dönitz, uma tentativa fútil de negociar uma série de rendições parciais com os aliados ocidentais, enquanto se continuava a lutar contra a União Soviética

Neutralidade ou indiferença é sempre uma forma de estar ao lado do mais forte. Quando a maioria dos alemães escolheu a neutralidade em relação aos nazistas, essa não foi uma forma de apoiar o regime?

É, sem dúvida, correto dizer que a passividade ou uma relutante concordância nos messes finais equivaleram a um apoio indireto ao regime. Contudo, em meio à crescente repressão draconiana em casa, ao aumento de controles sobre a população, à intensificação da mobilização e da militarização e aos enormes deslocamentos de civis, as possibilidades de uma oposição organizada se tornaram quase inexistentes e traziam enormes riscos pessoais. Muitos, compreensivelmente, quaisquer que fossem seus mais íntimos sentimentos, conformaram-se com as demandas do regime e esperavam sobreviver a ele, cujo fim sabiam estar próximo.

A violência pública é desagradável. Albert Camus dizia sobre a pena de morte que, quando a Justiça faz vomitar uma pessoa honesta, ela não é mais Justiça. Os nazistas precisavam do segredo para não despertar oposição. Como o atentado de Stauffenberg (coronel que pôs uma bomba no bunker de Hitler, para tentar matá-lo em 1944) quebrou essa necessidade?

A violência pública é, sem dúvida, desagradável. Mas era uma forma efetiva de desencorajar a organização da oposição ao regime nos últimos meses. Publicidade – e não o segredo – era o principal. As execuções brutais, muitas na sequência de julgamentos encenados dos que se envolveram na conspiração de Stauffenberg, receberam o máximo de publicidade, advertindo para o enorme risco pessoal, assim como para a futilidade da oposição. Isso funcionou. A possibilidade de outra conspiração contra Hitler nas Forças Armadas, únicas a poder desempenhar esse papel, foi eliminado com a impiedosa repressão aos conspiradores de Stauffenberg.

Por que o terror contra os alemães no fim da guerra não causou levantes populares?

Houve, de fato, algumas tentativas menores e locais de levantes, mas foram esmagadas com o máximo de brutalidade. Muitas pessoas concluíram que não havia razão para arriscar tudo para desafiar o regime naqueles que eram seus dias de agonia, com as forças aliadas próximas por toda a parte. Sobreviver – e não resistir – era a preocupação principal.

Alguns historiadores apontam a culpa das elites alemãs, que ajudaram os nazistas a estruturar e a manter o poder.

Como elas poderiam no fim da guerra deixar de apoiar o regime?

Como você disse, a cumplicidade com o domínio nazista constitui uma grande parte da resposta. Entretanto, os líderes da indústria trabalharam com sucesso, em conjunto com Albert Speer, para prevenir a destruição de suas fábricas e instalações, como Hitler havia ordenado. E alguns diplomatas e outras figuras importantes na burocracia estatal envolveram-se no complô de resistência ao regime de Stauffenberg. Mesmo assim, decisivamente, a maioria dos líderes das Forças Armadas permaneceu fiel ao regime.

Como os generais trabalharam para Hitler?

O relacionamento de Hitler e de seus líderes militares nunca foi tão simples. Quando as derrotas cresceram, e a fortuna da Alemanha na guerra se deteriorou, havia uma boa quantidade de críticas a respeito da estratégia e das táticas de Hitler. Esse foi o pano de fundo para a conspiração para matá-lo em 1944. Uma vez que o atentado falhou, e oficiais ultra leais ocuparam as posições-chave da liderança militar, os generais enxergaram como sua tarefa fazer tudo o que podiam para apoiar Hitler na defesa do 3º Reich contra os inimigos poderosos que ameaçavam trazer a destruição aos alemães.

Como Hitler, um ditador preguiçoso, criou milhares de pequenos ditadores na Alemanha?

A criação de “pequenos Hitlers” era o corolário natural do estilo nazista de governar e da organização do partido e de suas organizações. O sistema funcionou na base do poder fluindo para baixo e a responsabilidade, para cima. Os que mantinham posições de poder eram selecionados com base em sua personalidade e “liderança” características, não pela expertise ou pela habilidade administrativa. Seu exercício de poder era fundado na lealdade e na obediência aos líderes, acima de tudo a Hitler, enquanto fornecia uma liberdade imensa para ações arbitrárias àqueles abaixo deles.

O FIM DO TERCEIRO REICH

Autor: Ian Kershaw

Tradução: Jairo Arco e Flexa

Editora: Companhia das Letras (616 págs., R$ 69,90 impresso, R$ 39,90 e-book)

(Fonte: O Estadão)

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Lei do preço fixo do livro será debatida no Senado e na Flip

Em pauta: acesso à cultura e livre concorrência

Em pauta: acesso à cultura e livre concorrência

Seminário em Brasília terá transmissão ao vivo, na terça, dia 30, pela internet; parte dos convidados estará em Paraty, na quinta

A controversa ideia de criar uma lei que permita que editores estipulem o preço do livro, que deverá ser respeitado por livreiros de todos os portes por um determinado período depois do lançamento, será tema de seminário nesta terça-feira, dia 30, das 9 h às 16 h, no Senado, com transmissão ao vivo pela internet, pelo canal e-cidadania. Sua realização foi uma sugestão da senadora Fátima Bezerra (PT-RN), autora do projeto de lei 49/2015, que institui a Política Nacional do Livro e regula seu preço.

Participam o ministro da Cultura, Juca Ferreira; o escritor Fernando Morais; a própria senadora; representantes do mercado editorial, entre os quais Afonso Marin, da Associação Nacional de Livrarias; Raquel Menezes, da Liga Brasileira de Editoras; Luis Torelli, da Câmara Brasileira do Livro; Marcos da Veiga Pereira, do Sindicato Nacional de Editoras de Livros; e os livreiros Marcos Telles (Leitura) e Sérgio Herz (Cultura).

Para falar sobre experiências similares de outros países, foram convidados Richard Charkin, da International Publishers Association, e Jean-Guy Boin, do Escritório Internacional da Edição Francesa.

O assunto volta a mobilizar o mercado editorial na 5.ª, dia 2, quando o SNEL promove debate na Casa de Cultura de Paraty, às 14h30, em programação paralela à Flip. Alguns dos palestrantes do seminário de Brasília estarão por lá: Veiga Pereira, Torelli, Charkin e Boin. Este será o segundo encontro do gênero promovido pelo SNEL. O preço fixo do livro é uma reivindicação antiga dos livreiros independentes, mas o assunto vem ganhando adeptos de peso à medida que o mercado se sente ameaçado.

(Fonte: O Estadão)

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ComiXology lançará assinatura de planos de leitura ilimitada

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Segundo Rich Johnston do site Bleeding Cool, o serviço de venda de quadrinhos digitais ComiXology está prestes a lançar planos de leitura ilimitada.

ComiXology é o maior site do gênero dos Estados Unidos e conta com mais de 75 editoras norte-americanas no seu catálogo, um acervo que oferece desde as gigantes MarvelDCImage até artistas interindependentes, tendo, inclusive, lançamentos simultâneos com as comic shops e publicações exclusivas para o formato digital.

Em 2014, depois do sucesso no meio digital, o site foi comprado pela Amazon.

Nos EUA, já existem alguns sites que seguem a tendência popularizada pela Netflix, de oferecer um acesso ilimitado ao acervo por um preço fixo (a Marvel tem um serviço próprio chamado Marvel Unlimited e a Scribdrecentemente, começou com assinaturas que oferecem livros e quadrinhos), mas nenhum deles conta um catálogo que inclua todas as grandes editoras.

Especula-se que os lançamentos não entrarão imediatamente na opção ilimitada, mas que muitos leitores estariam dispostos a esperar, devido à grande economia que isso representa. Isso certamente aumentará a quantidade de quadrinhos lidos, mas reduzirá o faturamento das editoras e artistas.

Segundo Johnston, a ComiXology já espera reclamações das editoras, mas provavelmente será obrigatória a participação no serviço para todos que quiserem continuar comercializando seus quadrinhos pelo site.

Espera-se que o site faça o anuncio do serviço de assinaturas em outubro, na New York Comic Con.

ComiXology comercializa quadrinhos em inglês e francês, e sua loja conta com clientes do mundo todo. No Brasil, nenhum desses serviços ainda está disponível. Existem algumas iniciativas de venda de quadrinhos digitais, como o Mais Gibis, e até serviços de assinatura, como a Nuvem de Livros (que contém livros digitais e quadrinhos), e o Social Comics, que será lançado ainda este ano, mas ainda não existe a perspectiva de se adquirir em português títulos digitais das grandes editoras dos EUA.

(Fonte: Universo HQ)

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Projeto de quadrinhos Guardiões procura colaboradores

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Guardiões é um projeto de HQ tendo seu início numa trilogia de quadrinhos animados (Motion Comics) produzidos como e-book e comercializado para celular, tablet e web.

Sua história de aventura é cercada de enigmas que serão revelados no Twitter e Facebook, no decorrer da saga, para estimular a participação do leitor.

O projeto foi criado pelo produtor amazonense Leandro Gonçalves e conta com desenhos de Caio Majado, cores de Omar Vinole, roteiro de Alex Mir e edição de Rafael Mathard.

Atualmente, o projeto está participando do programa Sinapse, num processo de seleção para financiamento – confira clicando aqui.

(Fonte: Universo HQ)

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Panini lança As Mais Belas Fábulas – O Reino Oculto

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Era uma vez, em uma época muito antes da saga de Fábulas, uma guerra que começava no distante Leste. Uma mulher era o centro desse conflito – uma mulher e muito cabelo. O histórico de romances de Rapunzel é tão longo quanto suas lendárias madeixas. Mas algumas das tranças são um pouco mais embaraçadas do que outras – incluindo o príncipe com quem se deitou, a bruxa que enfureceu, as crianças que foram roubadas de si e o reino distante para o qual fugiu para escapar de tudo.

Nesse Reino Oculto, lar das fábulas do Japão, Rapunzel encontrou um novo amor nos braços de uma mulher sedutora com a alma de uma raposa – e também ganhou um novo inimigo, na pessoa de um chefe guerreiro local.

Agora, séculos depois, esses fantasmas do passado voltam para assombrá-la e fazê-la partir para a Terra do Sol Nascente em busca da verdade sobre suas crianças há muito perdidas, bem como o destino de outros – amados e odiados – que deixou pra trás.

A escritora Lauren Beukes e o roteirista Bill Willingham juntam-se aos artistas Inaki Miranda e Barry Kitson, e ao capista Adam Hughes, para apresentar As Mais Belas Fábulas – Volume 2 – O Reino Oculto (formato 17 x 26 cm, 160 páginas, R$ 22,90).

O título é uma publicação do selo Vertigo da Panini Comics.

(Fonte: Universo HQ)

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