AGOSTO – 2015

Morre o americano Wayne Dyer, escritor best-seller de autoajuda, aos 75 anos

dyer-wayne1

Sua obra de estreia, ‘Seus pontos fracos’, figura em listas dos livros mais vendidos da história

Morreu neste domingo, aos 75 anos, o autor americano de livros de autoajuda Wayne Dyer. Com “Seus pontos fracos”, sua obra de estreia lançada em 1976, o escritor vendeu mais de 35 milhões de cópias em todo o mundo, figurando entre os 50 livros mais vendidos da história. Constam em sua bibliografia cerca de 30 títulos, entre obras de autoajuda para adultos e crianças — 19 deles traduzidos para português. A causa da morte não foi divulgada.

“Wayne deixou ser corpo, vindo a morrer durante a noite. Ele sempre disse que não podia esperar pelo começo desta próxima aventura e não tinha medo de morrer. Nossos corações estão quebrados, mas sorrimos ao pensar o quanto ele vai apreciar o outro lado”, diz um comunicado assinado pela família de Dyer em sua página no Facebook.

“O mundo perdeu um homem incrível. Wayne Dyer oficializou nosso casamento e era uma inspiração para muitos. Estou enviando amor”, publicou a apresentadora Ellen DeGeneres.

The world has lost an incredible man. Wayne Dyer officiated our wedding & was an inspiration to so many. Sending love pic.twitter.com/kzsCS278jr

(Fonte: O Globo)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

O escritor Frederick Forsyth confessa que foi espião do serviço de inteligência britânico

O escritor britânico Frederick Forsyth

O escritor britânico Frederick Forsyth

Autor de ‘O Dia do Chacal’ fez a revelação em trechos de sua autobiografia publicados neste domingo, 30

O escritor britânico Frederick Forsyth revelou em trechos de sua autobiografia publicados neste domingo, 30, pelo Sunday Times, ter cumprido missões para o MI6, o serviço de inteligência britânico. Forsyth, autor de O Dia do Chacal, afirmou ter trabalhado por mais de 20 anos para o MI6 na então República do Biafra, Nigéria, Alemanha Oriental, Rodésia e África do Sul.

O novelista conta que, em 1968, um membro do MI6 chamado “Ronnie” o contactou, enquanto trabalhava como jornalista freelancer, à procura de um agente infiltrado no coração do enclave nigeriano de Biafra”, onde aconteceu uma guerra civil entre 1967 e 1970. “Quando voltei da floresta tropical, ele ganhou um”, escreveu Forsyth, de 77 anos, em suas memórias intituladas The Outsider, que serão publicadas mês que vem.

Durante sua estadia em Biafra, o escritor escreveu artigos sobre a situação humanitária e militar do país enquanto enviava informações a ‘Ronnie’ “que, por diversos motivos, não poderiam sair nos jornais”.

Então, em 1973, ele foi convidado a realizar uma missão para o MI6 na Alemanha Oriental comunista.

“Sua proposta era fácil. Havia um infiltrado, um coronel russo, que trabalhava para nós no extremo leste da Alemanha e que tinha um pacote que precisava sair do país”, conta.

Forsyth viajou até Dresde em um Triumph conversível e recebeu o pacote das mãos do coronel russo no banheiro do museu Albertinum. Na Rodésia, hoje Zimbábue, foi convidado a analisar as intenções do governo durante os anos 1970.

Nos anos 1980, foi encarregado de descobrir o que pretendia fazer o governo sul-africano com suas armas nucleares após o fim do apartheid com a chegada do Congresso Nacional Africano ao poder.

O escritor descreve, além disso, que recebeu ajuda de vários membros da organização na busca de informações necessárias para redigir seus livros. Forsyth, que escreveu 20 novelas e vendeu mais de 70 milhões de exemplares no mundo todo, já tinha reconhecido que financiou uma tentativa de golpe de Estado na Guiné Equatorial em 1973.

Em O Dia do Chacal, descreveu uma tentativa de golpe de Estado em um país africano fictício.

(Fonte: O Estadão)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Game of Thrones | Sexta temporada pode ter o retorno de importante personagem

lady_27ReLOZ

Cuidado com os possíveis spoilers!

Um novo rumor sugere um aguardado retorno no sexto ano de Game of Thrones.

De acordo com o Irish Thrones, Lady Stoneheart (a identidade assumida por Catelyn Stark depois de ser ressuscitada, Senhora Coração de Pedra em português) aparecerá na série liderando um exército. Desde o Casamento Vermelho os fãs aguardam o retorno visto nos livros. Não há informação, porém, se Michelle Fairley, retornará como a personagem.

(Fonte: Omelete)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Pixel Media lança The Witcher e Tarzan na Bienal Livro Rio

A 17ª edição da Bienal Internacional do Livro Rio ocorrerá de 3 a 13 de setembro deste ano, no Riocentro (Rio de Janeiro/RJ). O Grupo Ediouro, dentre outros produtos, lançará dois livros em capa dura, publicados com o selo Pixel Media:

Tarzan: Contos da Selva (formato  17 x 26 cm, 148 páginas, R$ 39,90) traz uma sequência de 12 histórias do personagem, ilustradas por 12 artistas, com os clássicos contos de Edgar Rice Burroughs.

Tarzan é filho de aristocratas ingleses que desembarcaram em uma selva africana após um motim. Com a morte de seus pais, Tarzan foi criado por macacos na África. Seu verdadeiro nome é John Clayton III, Lorde Greystoke, mas Tarzan é o nome dado a ele pelos macacos e significa “Pele Branca”.

The Witcher: A Casa de Vidro (formato 17 x 26, 144 páginas, R$ 39,90) é baseado na saga The Witcher, uma série de 18 contos escrita pelo autor polonês Andrzej Sapkowski e compilada em cinco livros, lançados no Brasil pela Martins Fontes.

A obra conta a história de seu personagem principal, Geralt de Rívia, que viaja pela Floresta Negra e encontra a Casa de Vidro – um labirinto mal-assombrado. Além do sucesso dos livros na Europa e Estados Unidos, The Witcher ganhou força ao chegar aos videogames, em 2007, atingindo todo um novo público.

A Dark Horse lançou a primeira série em HQs em março de 2014, com roteiro de Paul Tobin e arte de Joe Querio.

O Grupo Ediouro estará localizado no Pavilhão Azul – Estande J 10/K 07.

(Fonte: universo HQ)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Cinco prêmios, seis ganhadores

Polivalência e diversificação marcam o perfil dos seis vencedores do Prêmio Jovens Talentos da Indústria Editorial

Quando o PublishNews idealizou o Prêmio Jovens Talentos da Indústria da Indústria do Livro, a ideia inicial foi a de premiar cinco profissionais de até 35 anos que se destacasse na sua atuação dentro da cadeia produtiva do livro. No entanto, com a apuração feita pelo corpo de jurados – composto por Carlo Carrenho, fundador do PublishNews; Ricardo Costa, representante da Feira do Livro de Frankfurt no Brasil, e Alfredo Weiszflog – tomou-se a decisão de premiar seis profissionais que executaram cinco projetos distintos: Daniel Lameira (Aleph), Henderson Fürst (Grupo Gen), Jéssica Ferrara (Editora Globo), João Varella (Lote 42), Lilian Zambon (Companhia das Letras) e Veronica Gonzalez (Editora Globo). Duas vencedoras – Jéssica e Veronica, que são estagiárias na Editora Globo – apresentaram um case elaborado a quatro mãos. Por isso, a comissão julgadora decidiu premiá-las conjuntamente. “Quando o júri decidiu que as duas mereciam o troféu, optou-se por considerar a dupla como um dos cinco ganhadores, de forma que a edição de 2015 terminou com seis laureados”, explica Carrenho.

Em comum, os ganhadores têm a polivalência e a diversificação: transitam em diversas áreas da cadeia. “Isso hoje me parece fundamental para um jovem profissional do livro. Assim, observa-se que todos os vencedores não se limitaram em suas atuações a uma função específica da indústria, mas transitaram entre editorial, marketing, vendas ou estratégia, por exemplo, e muitas vezes ao mesmo tempo”, explica Carrenho.

Ao todo, o Prêmio recebeu 73 (e não 74 como noticiamos na última quarta-feira) inscrições. “Fiquei surpreendido com a alta qualidade dos candidatos, de seus projetos e realizações. Descobri iniciativas fantásticas que desconhecia. A verdade é que lançar o Prêmio Jovens Talentos e participar de seu júri foi uma experiência de aprendizado e descoberta”, aponta Carrenho. Os seis profissionais premiados já ganharam convite VIP para o Business Club da Feira do Livro de Frankfurt (14 a 18/10). O grande vencedor, que ganhará passagem, estadia e uma ajuda de custo de 500 euros para viajar à Feira do Livro de Frankfurt, será conhecido na próxima quinta-feira (3), às 18h30, dentro do InterLivro 2015, programação profissional da Bienal do Rio (03 a 13/09).

Confira abaixo o perfil (em ordem alfabética) de cada um dos ganhadores do Prêmio Jovens Talentos da Indústria do Livro 2015.

Daniel Lameira é historiador e editor da Aleph

Daniel Lameira é historiador e editor da Aleph

Daniel Lameira (Aleph) é historiador e editor de ficção científica. Com quase dez anos de atuação no mercado e apenas 28 anos, Daniel já passou por diversas etapas da cadeia do livro, somando experiências nas áreas de vendas, comercial, marketing, produção e aquisição. Os seus primeiros passos no mundo do livro foram na Livraria da Vila. Em 2010, passou a gerir a área de compras de literatura, artes e quadrinhos da FNAC. Foi nessa época o seu primeiro contato com a Aleph, editora onde atua como Publisher. “Numa época em que poucos livreiros acreditavam na ficção científica, Daniel coordenou uma ação agressiva de exposição dos livros da Aleph, e o sucesso de vendas imediato foi impressionante. Percebi aí, um profissional de extrema competência e visão”, lembra Adriano Fromer, CEO da Aleph. Depois da FNAC, Lameira passou pela LeYa e pela Novo Século. Em 2014, chegou à Aleph onde, nas palavras de Fromer, “ajudou muito a solidificar o crescimento da editora, continuando nosso projeto de publicações de ficção científica, mas com uma abordagem mais inclusiva e comercial. Foi sua a ideia de participarmos da concorrência para a publicação da franquia Star Wars no Brasil, o que mudou significativamente a história da editora”. À frente do editorial da Aleph, Lameira criou a série “Encontros Intergalácticos” na qual reuniu, ao longo desse ano, milhares de fãs em auditórios. Hoje, inclusive, a Aleph lança mais um projeto com a assinatura de Lameira. Um videocast quinzenal para o YouTube chamado Abdução, apresentado por Lameira e Adriano, que vai levar ao público vídeos sobre ficção científica, literatura, games, quadrinhos, cinema e outros assuntos relacionados à cultura pop.

Henderson Fürst é advogado e editor de livros jurídicos

Henderson Fürst é advogado e editor de livros jurídicos

Henderson Fürst (Grupo Gen) é advogado e editor de livros jurídicos. Nascido em 1988, Henderson travou, ainda na infância, uma luta contra uma doença neurológica degenerativa rara. Suas limitações impediam de brincar e os livros eram as suas únicas formas de diversão. O seu primeiro contato profissional com o livro aconteceu aos 23 anos quando começou a trabalhar na Revista dos Tribunais onde tocou um audacioso projeto editorial: a reedição e atualização do Tratado de Direito Privado, de Pontes Miranda – uma coleção de 60 volumes. Henderson realizou o projeto em tempo recorde de dez meses e tornou-se um marco no centenário da editora. Foi aí que Henderson teve seu nome arejado no mercado de livros jurídicos no Brasil e começou a ver sua carreira deslanchar. Passou pela Saraiva e agora é da equipe do grupo GEN. Paralelo à sua carreira de editor, Henderson criou o curso Como (não) escrever uma monografia que ele ministra gratuitamente em diversas faculdades de direito. A concepção é que esses encontros sirvam como incubadora de jovens autores. Um caso de sucesso é o jovem autor Georges Abboud, descoberto em um desses encontros. As muitas mudanças sugeridas em sua dissertação e nas formas de posicionamento da obra para o público leitor fez que a edição de esgotasse em alguns meses – algo raro no mercado jurídico para obra monográfica, especialmente de autor desconhecido. Hoje, possui diversas obras, e todas com diversas edições e sendo citadas pelo STF.

Jéssica Ferrara e Veronica Gonzalez

Jéssica Ferrara e Veronica Gonzalez (Globo Livros) são estagiárias. Todos os anos, a editora Globo lança um desafio para seus estagiários: desenvolver um projeto voltado para qualquer área da editora que seja inovador e que dê retorno financeiro. As duas ganhadoras abraçaram essa missão e propuseram a criação de um novo selo que aglutinasse um catálogo voltado para os leitores dos gêneros Young Adult e New Adult. Assim foi pensado o selo GloboAlt que está em fase de implantação dentro da Globo Livros e será lançado nos próximos dias. Juntas, elas pensaram em tudo: desde a seleção de obras dentro do catálogo da editora que pudessem migrar para o novo selo e a aquisição de novos títulos até detalhes como a criação de layout e marca. Além disso, executaram uma ampla pesquisa com livreiros, monitoraram as listas de mais vendidos de diversos veículos, foram à Bienal para entrevistar leitores e analisar a concorrência. “A Veronica e a Jéssica conseguiram fazer o que a maioria das pessoas julgava ser quase impossível: pegaram um projeto em que ninguém acreditava e fizeram dele um sucesso”, apontou Rodrigo Buldrini, diretor de Arte da revista Época Negócios e tutor do estágio das duas ganhadoras. “Jéssica e Veronica trouxeram à Globo Livros não apenas seu entusiasmo, indiscutível, como também uma visão diferente de mercado – a visão de jovens apaixonadas por leitura, que viam em seus amigos e nelas mesmas a necessidade de mudar”, atestou Mauro Palermo, diretor da Globo Livros.
João Varella é jornalista, escritor e empreendedor

João Varella é jornalista, escritor e empreendedor

João Varella (Lote 42) é jornalista, escritor e empreendedor. Com abordagem criativa na forma que se apresenta e divulga seus livros, a Lote 42 – editora que construiu com Thiago Blumenthal e Cecilia Arbolave – ganhou destaque em 2014, quando prometeu – e cumpriu – que daria 10% de desconto para cada gol que o Brasil sofresse durante os jogos da Copa do Mundo. Com a goleada histórica da Alemanha de 7 x 1, a editora vendeu seus livros com 70% de desconto, o que gerou uma das mais bem sucedidas ações de publicidade da Copa do Mundo. João, ao lado de sua equipe da Lote 42, criou ainda a Banca Tatuí e a Feira Miolo(s), que têm como objetivo criar espaços para dar visibilidade à produção independente. Em sua inscrição, João foi avalizado por profissionais tanto do mercado editorial quanto de outras indústrias. Como o caso de Gustavo Piqueira, do escritório de design Casa Rex que disse: “não considero João Varella alguém que vem se destacando na cadeia produtiva do livro. Considero João Varella alguém decidido a reinventá-la”. Outra que deu a sua chancela ao trabalho de João é Elisa Ventura, da Livraria Blooks: “João Varella criou uma editora inspiradora, profissional, cheia de ideias criativas e energia”.

Lilian Zambon é gerente de marketing do Grupo Companhia das Letras

Lilian Zambon é gerente de marketing do Grupo Companhia das Letras

Lilian Zambon (Companhia das Letras) é graduada em editoração pela ECA-USP; mestre em Livros e Saberes na École Nationale Supérieure des Sciences de L’Information e des Bibliothèques, de Lyon, na França, e atualmente gerente de marketing do Grupo Companhia das Letras. Diversificação é uma palavra que define bem a atuação de Lília Zambon na indústria do livro no Brasil. Já foi revisora, preparadora, editora, e responsável por vendas e marketing. No Grupo Companhia das Letras desde 2013, vinda da Planeta, integrou a equipe que fez o lançamento dos selos Paralela, Portfolio e Panelinha. Essa trajetória diversificada deu à ganhadora uma visão global da cadeia do livro. “Difícil falar sobre uma pessoa tão polivalente, mas tão competente naquilo que faz. É uma das pessoas mais jovens a conhecer todo o processo do livro, desde a sua criação no editorial até o ponto de venda”, endossou Fábio Uehara, coordenador do Departamento de negócios digitais da Companhia das Letras. “Ela tem seguido uma trajetória singular no mercado editorial brasileiro, trajetória essa que a vem qualificando como uma das profissionais mais completas em atividade”, apontou Matinas Suzuki Jr., editor-executivo do Grupo Companhia das Letras.

(Fonte: Publish News)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Ferreira Gullar recorda origens de suas principais obras em ‘Autobiografia poética’

3

Completando 85 anos, poeta maranhense lança livro na Travessa do Shopping Leblon, dia 2, e participa da Bienal

Numa entrevista de 1965 para a “Revista Civilização Brasileira”, Ferreira Gullar diz que, em vez de “inspiração”, prefere o termo “espanto”, que descreve como uma forma de “ruptura do mundo”. No novo ensaio “Autobiografia poética”, ele diz que só escreve “movido pelo que chamo de espanto” e o define dessa vez como “a súbita constatação de que o mundo não está explicado e, por isso, a cada momento, nos põe diante de seu invencível mistério”.

Separadas por 50 anos, as duas definições de “espanto” aparecem em “Autobiografia poética e outros textos”, que Gullar lança na quarta-feira, dia 2, às 19h, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, em bate-papo com o jornalista Geneton Moraes Neto. O livro, que reúne um ensaio inédito, entrevistas e artigos sobre poesia, é seu primeiro pela editora Autêntica, que lança ainda este ano uma nova edição de “O formigueiro” (1955), em parceria com a Academia Brasileira de Letras (ABL), e prepara para 2016 uma coletânea de textos do poeta sobre artes plásticas. Gullar também é uma das principais atrações da 17ª Bienal do Livro do Rio, que começa quinta-feira no Riocentro. Participa do Café Literário dia 13, às 15h, quando lançará também uma versão revista e ampliada de “Toda poesia” (José Olympio).

Prestes a completar 85 anos, dia 10, Gullar revisita em “Autobiografia poética” os momentos de “espanto” que deram origem a suas obras mais conhecidas, como “A luta corporal” (1954) e “Poema sujo” (1976). Reconta ainda sua versão sobre momentos centrais das artes brasileiras no século XX, como o concretismo, o neoconcretismo e o engajamento de artistas e intelectuais durante a ditadura. O ensaio cobre desde a juventude do autor maranhense, quando descobriu a poesia em São Luís, até seus versos mais recentes, de “Em alguma parte alguma” (2010), depois do qual ainda não escreveu novos poemas.

Em seu apartamento em Copacabana, Gullar diz que tem sentido mais “espanto” fazendo as colagens e móbiles que se espalham pelas paredes e pelo teto da sala. Mostra com orgulho as obras feitas em papel e metal, muitas delas datadas de 2015. Mas deixa claro que não desistiu da poesia.

— Quando terminei “Em alguma parte alguma”, senti que algo tinha mudado. Algo indefinido. Mas não digo que não vou mais escrever poemas. A melhor experiência literária que tenho é a poesia. Não acho que escrever seja sofrimento. A origem do poema pode até ser trágica, mas o poema quer ser belo, quer dar a alegria da leitura.

LINGUAGEM DESINTEGRADA

Gullar teve essas primeiras alegrias na capital maranhense, onde nasceu, em 1930. Nos anos 1940, ele era um dos jovens artistas buscando espaço numa cidade com poucas revistas literárias e nenhuma galeria, onde exposições eram improvisadas em lojas de roupas ou farmácias. Quando contou ao irmão mais velho que queria ser poeta, ouviu um alerta sobre o risco de enlouquecer, como um vizinho que costumava correr pelo quarteirão gritando “coisas incompreensíveis que dizia serem poemas”.

Criado numa casa com poucos livros, onde as leituras mais comuns eram histórias policiais e quadrinhos de Batman e Super-Homem, Gullar começou a ler poesia com românticos, como Gonçalves Dias, e parnasianos, como Olavo Bilac e Raimundo Correia. Ele não se lembra do primeiro poema que escreveu, mas sim do espanto que teve ao conhecer um poeta pela primeira vez, Manuel Sobrinho, integrante da Academia Maranhense que se interessou pelo trabalho do iniciante.

— Eu achava que todos os poetas estavam mortos, mas descobri que São Luís estava cheia deles — brinca Gullar, que no livro relembra o trabalho com artistas da cidade e a descoberta da nova literatura brasileira. — O modernismo de 1922 só chegou ao Maranhão no fim dos anos 1940. Quando comecei a ler os modernos, minha visão da poesia mudou completamente e senti que não podia mais ficar em São Luís.

Depois de publicar o primeiro livro, “Um pouco acima do chão” (1949), influenciado pelos parnasianos, Gullar se mudou para o Rio, onde conheceu o crítico de arte Mário Pedrosa e buscou aplicar em sua poesia as novas leituras, como Bandeira, Drummond, Murilo Mendes, Rilke e Breton. “Autobiografia poética” registra seu dilema no início dos anos 1950: “a experiência que me conduzia a escrever o poema era algo novo, enquanto a linguagem em que a expressava era velha”. Gullar reconta a procura por uma “linguagem nova”, como numa caminhada do Centro a Laranjeiras, na Sexta-Feira Santa de 1953, quando, numa espécie de transe, foi anotando em recibos, notas e papéis que levava nos bolsos os versos daquele que se tornaria um dos poemas mais radicais de “A luta corporal”, “Roçzeiral”: “Au sôflu i luz ta pompa/ inova’/ orbita/ FUROR/ tô bicho/ ‘scuro fogo/ Rra”.

— Fui desintegrando a linguagem. Senti que tinha ultrapassado o limite e achei que não ia conseguir escrever mais. Ainda assim, decidi publicar o livro, como os restos de um incêndio.

Nos anos seguintes, Gullar participou de momentos-chave das vanguardas artísticas no país. Em “Autobiografia poética”, ele reafirma seu ponto de vista sobre o concretismo e a I Exposição Nacional de Arte Concreta, realizada em 1956 em São Paulo e no ano seguinte no Rio. Um dos seis poetas presentes, ao lado dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos, de Décio Pignatari, Ronaldo Azeredo e Wlademir Dias-Pino, ele expôs páginas de “O formigueiro”, que ganha nova edição este ano.

No ensaio, Gullar volta a defender argumentos que já causaram controvérsia, como o de que foi ele quem incentivou os concretistas a valorizarem a obra de Oswald de Andrade, num almoço com Augusto de Campos no Rio, em 1955. Quando Gullar expôs essa tese em sua coluna na “Folha de S. Paulo”, em 2011, Campos publicou réplica afirmando que o almoço jamais ocorreu, relembrando seus encontros com Oswald, a partir de 1949, e citando um texto assinado pelo grupo paulista em 1950 em homenagem ao autor do “Manifesto antropófago”, entre outros trabalhos relacionados a ele.

Gullar narra a ruptura com o grupo paulista, em 1957, atribuindo-a ao que considerava uma “exacerbação racionalista” da poesia concreta. E descreve o desenvolvimento nos anos seguintes do neoconcretismo, com artistas como Lygia Clark, Hélio Oiticica, Amilcar de Castro, Franz Weissmann e Lygia Pape. Mas diz que o neoconcretismo “não nasceu por causa de uma briga”.

— O que a Lygia Clark fazia como pintora, ou o Amílcar como escultor, já era diferente do que os concretistas faziam. O Manifesto Neoconcreto não anunciava nada para o futuro, falava do já feito, para mostrar que era algo novo.

‘QUANDO O INESPERADO SE REVELA’

Outro momento de impasse recordado por Gullar em “Autobiografia poética” é sua mudança para Brasília, em 1961, convidado pelo presidente João Goulart para dirigir a Fundação Cultural. O contato com a nova capital foi decisivo para uma guinada política em sua poesia. Nos anos seguintes, aderiu ao Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE e publicou poemas e cordéis sobre temas como a reforma agrária.

— Brasília misturava o que havia de mais moderno no país, a arquitetura de Niemeyer, com o mais arcaico, o trabalho braçal dos peões que estavam construindo a cidade. Esses dois Brasis começaram a fermentar na minha cabeça, e isso me levou à poesia política— lembra Gullar.

Nos anos 1970, durante a ditadura, exilou-se na União Soviética e depois no Chile, no Peru e na Argentina, onde escreveu o texto em que superou as limitações que já via na linguagem da poesia engajada. Sem poder sair de Buenos Aires, com o passaporte vencido, vendo ditaduras em todo o Cone Sul, decidiu escrever “tudo que me faltava escrever”, incorporando memória, estética, política. Surgia “Poema sujo” (1976):

— Escrevi “Poema sujo” como se fosse a última coisa da minha vida.

“Autobiografia poética” percorre os vários livros publicados depois de “Poema sujo”, até “Em alguma parte alguma”. Gullar diz que cinco anos é o maior período que já passou sem escrever poemas, mas talvez esteja diante de um novo impasse, como os descritos no ensaio. Um dos temas do livro é a dificuldade do autor em começar um poema, mas também sua capacidade de superá-la quando surge, “nas situações mais comuns, que é quando o inesperado se revela”, o espanto diante do “invencível mistério” do mundo. “Tentar expressá-lo é a pretensão do poeta”, escreve.

(Fonte: O Globo)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Peter Handke e seu teatro só de palavras

Peter Handke

Peter Handke

Livro traz peças em que dramaturgo austríaco limita ação ao ato de falar

Embora alguns romances do escritor, poeta, ensaísta e dramaturgo austríaco Peter Handke já tenham sido publicados no Brasil, sobretudo em décadas passadas, ele ainda é pouco conhecido por aqui.

A editora Perspectiva publica agora uma antologia bilíngue de peças do escritor, ainda inéditas em livro no País, organizadas e traduzidas por Samir Signeu. Em Peter Handke: Peças Faladas, o leitor encontrará quatro peças de meados dos anos 1960 (Predição, Insulto ao Público, Autoacusação e Gritos de Socorro), as quais, quando encenadas pela primeira vez, causaram muito alvoroço, por abandonarem completamente o ilusionismo e os “embustes simbólicos” que, na opinião do dramaturgo, impediam que a verdadeira realidade do palco se revelasse. Lê-se na sua peça Predição: “No teatro, as coisas vos acontecerão como no teatro” e “o palco terá a monotonia do palco”.

Em Insulto ao Público e Autoacusação, em razão do repúdio ao ilusionismo, a luz que incide sobre a plateia e o palco permanece a mesma durante o espetáculo. É como se o espectador tivesse que ter consciência de que, ali, espaço e tempo são compartilhados. Não se permite ao espectador a ilusão de que no palco o mundo apresentado será diferente do seu. Além disso, em ambas as peças, o palco está vazio.

O método teatral de Handke, nesse momento, consistia em retirar do teatro qualquer outra possibilidade de jogo que não fosse o jogo em si. Por isso, seus atores não têm um papel: “para dizer a verdade, não há papéis”, como se le em Autoacusação, não há nomes e também não há o compromisso de contar uma história, há, contudo, o compromisso de lembrar aos espectadores que eles estão diante de um jogo. Não por acaso, Handke é incluído na lista de dramaturgos do chamado teatro pós-dramático.

Insulto ao Público começa com o alerta: “Vocês não verão nenhum espetáculo. Suas curiosidades não serão satisfeitas. Vocês não verão nenhuma peça. Não haverá nenhuma representação. Vocês verão um espetáculo sem cenas”.

Nos anos 1960, Handke via o teatro como um “remanescente de um tempo passado”. Ele não se considerava herdeiro nem de Brecht nem de Beckett, dois dramaturgos experimentais já consagrados à época, de quem Handke chegou ser contemporâneo. A propósito de Brecht, o autor de Predição dizia que, apesar de sua vontade revolucionária, ele permanecia prisioneiro dos cânones do jogo teatral e principalmente da fábula.

O teatro de Handke não consiste em dar “imagem” para a realidade, nem espelhar essa mesma realidade, nem mesmo jogar com as palavras e as frases dessa realidade. O dramaturgo admitiu que o método de suas primeiras peças era o de limitar as ações teatrais às palavras cujos significados muitas vezes contraditórios impedem uma ação e uma história individual. Assim se le em Insulto ao Público: “Vocês esperavam uma bela história. Vocês não esperavam nem mesmo uma bela história. Vocês esperavam uma certa atmosfera. Vocês esperavam um mundo diferente. Vocês não esperavam nenhum mundo diferente”.

Peter Handke propõe um teatro feito apenas de palavras, a ponto de ele chamar seus atores de “oradores” (ele raramente usa o termo ator): “Nós apenas falamos. Nós expressamos. Nós não nos expressamos, exceto a opinião do autor. Nós nos expressamos através da fala. Nossas falas são nossas ações. Através da fala nós nos tornamos teatrais. Nós somos teatrais, porque estamos falando num teatro” (Insulto ao Público).

Apesar disso, é curioso mencionar que, em 1969, Handke escreveu uma peça sem palavras, Das Mündel will Vormund sein (O Menor Quer Ser Tutor), a qual consiste em dez cenas, nas quais dois performers executam várias ações comuns, como comer uma maçã e ler o jornal, e outras nem tão comuns.

Voltando às peças de fato faladas, Autoacusação é uma confissão, na qual a palavra “eu””pode-se referir a qualquer um, de modo que não se trata da autoacusação apenas do autor, mas de uma autoacusação de qualquer um do palco e da plateia: “Eu fui ao teatro. Eu escutei esta peça. Eu falei esta peça. Eu escrevi esta peça”.

Segundo Handke, ele teria planejado essa peça como uma história, a qual se desenvolveria em forma de diálogo confessional. Mas, à medida que escrevia, a peça ia se reduzindo a palavras que não significavam nada no palco: “Eu aprendi. Eu aprendi as palavras. Eu aprendi os verbos. Eu aprendi a diferença entre ser e ter sido. Eu aprendi os substantivos”.

A última peça apresentada no livro é, na minha opinião, a mais radical: Gritos de Socorro é um jogo cujas regras complexas não parecem permitir que o espectador se “divirta” com ele. Suas frases são uma série de colagens de jornais, revistas, notas, bulas etc. Um verdadeiro ready-made verbal. Essa peça, um experimento extremamente ousado, marcaria, como afirmam os estudiosos, a transição para a sua maior peça falada, Kaspar, ainda não publicada em livro em português.

Peter Handke: Peças Faladas é um excelente convite para se conhecer a dramaturgia de um dos mais instigantes e ativos escritores contemporâneos.

PEÇAS FALADAS

Autor: Peter Handke

Tradução: Samir Signeu

Editora: Perspectiva (240 págs.; R$ 50)

(Fonte: O Estadão)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Thriller de Paula Hawkins mostra que autora sabe lidar com o suspense

Paula Hawkins

Paula Hawkins

Com 4 milhões de exemplares vendidos, trama saborosa captura os leitores

Resenhar um best-seller com todos os ingredientes comuns a produtos que existem para satisfazer aquilo que os marqueteiros chamam de público-alvo é, antes de qualquer coisa, um grande exercício de humildade e autocontrole. Às vezes de satisfação.

Satisfação de desafiar a presunção de nossa superioridade (do leitor que se acha especial porque consome “alta literatura”) quando nos deparamos ou nos obrigamos – como no meu caso – a encarar essa tarefa. Quantas vezes deixamos de ler um livro porque consta da lista dos mais vendidos ou porque o gênero (esotérico, biografia, autoajuda) é “menor”?

Talvez esse complexo de cachorro grande seja o grande vilão da literatura brasileira contemporânea. Aqui, em nossas plagas, autores estreantes que nem bem publicaram o terceiro livro são comumente aproximados de vultos do feitio de Faulkner, Lispector, Cortázar e daí para cima a estratosfera é o limite. Não tenho notícia de qualquer estreante que tenha sido comparado a Marcos Rey, por exemplo. Os parâmetros comparativos de nossos críticos – às vezes até mais megalômanos que os candidatos a Beckett da vez – são, em última análise, a projeção da nossa literatura.

Sob esse aspecto, A Garota no Trem (editora Record) – livro de Paula Hawkins que se destacou por 20 semanas no pódium dos mais vendidos do The New York Times – é exemplar. Não é o caso de compará-la a Marcos Rey, longe disso. Todavia Hawkins nos oferece um thriller feijão com arroz cuja “mistura” é saborosíssima. À guisa de três narradoras nada confiáveis, os acontecimentos se sobrepõem em sequência, daí que as revelações e o suspense, e até as pistas falsas, se ajustam em seus respectivos escaninhos e incomodam (ou prendem) o leitor na medida certa. Al dente. Nunca a ponto de chateá-lo. Tudo fora do lugar e dentro dos conformes. O nome disso é trama. Artifício que a grande maioria dos novos talentos de nossa literatura preferiu abrir mão.

Creio que não será necessário citar figurões da literatura de todos os tempos que usaram e abusaram desse recurso. Infelizmente, hoje, somente escritores “menores” parecem “tramar” sem medo de serem felizes. Às vezes, portanto, é estratégico baixar a bola. Mais “cães da meia-noite”, menos vacas de narizes empinados e nada sutis.

Voltando ao livro que vendeu mais de 4 milhões de exemplares e foi traduzido em 44 idiomas. Apesar de saber lidar com o suspense e, apesar da competência na amarração de ciladas e ganchos narrativos, a única ressalva que faço ao livro de Paula Hawkins é a associação – no caso protocolar e forçada demais – que ela faz entre mulheres desaparecidas e a violência contra as mesmas.

A “garota no trem” não é tão garota assim. Somente uma quarentona deprimida e alcoólatra seria capaz de ensejar as fantasias de domesticidade que a personagem põe em prática ao embarcar todo dia às oito horas e quatro minutos na estação Ashbury rumo a Londres. Paula Hawkins sabe o que é verossimilhança.

A voz da narradora finge (para si mesma e para o leitor e para as outras vozes que a complementam) que embarca rumo ao trabalho, mas, no percurso de todo dia, vislumbra paisagens refletidas através da janela do trem, e acaba idealizando a si mesma. Assim, imagina a vida de um casal que é vizinho de uma residência onde “ela” supostamente morou com um sujeito que a teria trocado por outra mulher – nesse ponto, no futuro do pretérito, Paula Hawkins se aproxima daquilo que o marqueteiro citado no primeiro parágrafo dessa resenha chamaria de público-alvo.

Aquele que não devaneou e não passou por uma experiência de alteridade numa viagem de trem ou de metrô que atire a primeira pedra.

Capturado o leitor, preso no enredo, ou enredado nas fantasias domésticas da autora/passageira, é chegado o momento de alguma coisa acontecer. Hawkins é um relógio. A especialidade dos relógios é fazer o tempo desaparecer. E é isso o que acontece, é isso o que leitor-público-alvo inconscientemente quer que aconteça, e sabe que vai acontecer.

Quem é que não desejou embarcar numa estação de trem e nunca mais desembarcar na outra, e sumir para sempre?

A garota do trem, deprimida, sonhadora e alcoólatra cumpre seu destino de tédio, vilipêndio, violência sugerida e amnésia, e desaparece. Os ponteiros dos segundos (ou os outros personagens) funcionam a contento, e evidentemente irão dar testemunhos do tão esperado e eloquente sumiço da heroína que nasceu para ser best-seller e blockbuster. Testemunhos que não seriam muito diferentes da rotina do leitor(a) que subiu na estação Corinthians-Itaquera/Ashbury e vai descer ou desaparecer para sempre na Londres/Marechal Deodoro.

A GAROTA NO TREM

Autor: Paula Hawkins

Tradução: Simone Campos

Editora: Record (378 págs., R$ 35)

(Fonte: O Estadão)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Varejo retrai e, pela primeira vez no ano, apresenta números negativos

4

Vendas de livros caíram -5,5% em agosto de 2015, em comparação ao mesmo período de 2014

Todo mês, o SNEL e a Nielsen têm publicado o Painel das Vendas de Livros do Brasil. Nos últimos meses, o faturamento apurado com a venda de livros em livrarias e supermercados do Brasil não crescia acima da inflação, mas também não deixava de crescer. Em maio, em comparação com o mesmo período de 2014, esse crescimento foi 21%; em junho, 8,2% e, em julho, de 8,9. O que se viu agora, no oitavo período, que compreende o intervalo entre os dias 13 de julho a 09 de agosto foi uma variação negativa tanto em volume (-5,5%), quanto em faturamento (-3,1%), em comparação ao mesmo período do ano passado. O faturamento alcançou R$ 100,4 milhões contra R$ 103,7 milhões no ano passado e o volume de exemplares vendidos caiu de 3.036.729 em 2014 para 2.869.492 em 2015. O acumulado no ano ainda é de crescimento de 6,61% em volume e 6,05% em faturamento, índice abaixo da inflação do período que é de aproximadamente 9,5%.No acumulado das 32 primeiras semanas do ano, o preço médio do livro teve ligeira variação negativa de 2014 para 2015. Caiu de R$ 37,64 para R$ 37,44 enquanto que o volume de ISBNs lançados subiu de 195.264, em 2014, para 214.028 em 2015. De acordo com o relatório, o crescimento no faturamento e das vendas em volume, mesmo com a estabilidade do preço médio, é resultado da maior variedade de IBSNs no mercado.

O relatório, que pode ser acessado aqui faz novamente uma inferência sobre o faturamento das editoras. Lembrando sempre que o BookScan, ferramenta da Nielsen que monitora o mercado, apura apenas as vendas de livros em livrarias e em supermercados. A partir do volume de livros vendidos, do preço e do desconto médio oferecido pelos livreiros, a Nielsen calculou o valor bruto dos exemplares vendidos x o preço de capa. O resultado que chegou é que o faturamento das editoras teve uma variação negativa de 0,13% – no mês passado, esse cálculo apontava um crescimento no faturamento das editoras de 0.99%.

Os livros de colorir

A proposta dos livros de colorir, que virou febre em 2015, é aliviar o estresse de consumidores adultos. E eles deram um alívio no estresse de editores e livreiros. Em maio, eles foram responsáveis 17,61% do volume de livros vendidos no Brasil. Esse número não para de cair. Em junho, caiu para 11,9%; em julho para 7,15% e agora, no oitavo período, 4,52%. No faturamento das livrarias, os livros de colorir, no período, foram responsáveis por 3,02%.

(Fonte: Publish News)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button

Autor sueco lança novo livro da saga ‘Millennium’ e diz que não será Stieg Larsson para sempre

3

Em meio a polêmica entre herdeiros, David Lagercrantz, encarregado de continuar a série de best-sellers, revela insegurança

Quando aceitou continuar a escrever a série “Millennium” (Companhia das Letras), sucesso editorial criado por Stieg Larsson que vendeu 80 milhões de cópias até hoje, o jornalista sueco David Lagercrantz sabia que a tarefa traria doses iguais, e altíssimas, de expectativa e responsabilidade. Ao todo, foram impressos 2,7 milhões de exemplares do novo volume da saga protagonizada por Lisbeth Salander. “A garota na teia de aranha” chegou às livrarias ontem e foi publicado simultaneamente por 26 editoras de todo o mundo. O autor — que antes havia feito livros de relativa repercussão, como a biografia do craque Zlatan Ibrahimovic — viu seu trabalho envolto em esquema de lançamento somente comparável aos de grandes best-sellers.

— A magnitude do projeto é impressionante — diz Lagercrantz, enquanto revela a própria insegurança. — Houve momentos em que eu duvidei ser capaz de escrevê-lo. Tive medo de que o livro não fizesse jus à reputação da saga. Essa desconfiança me ajudou. Se achasse a tarefa era fácil, não ia produzir algo realmente bom.

O autor contou ter tido pesadelos enquanto trabalhava no romance: sonhava que a protagonista, uma hacker que vive sendo perseguida pela polícia, estava insatisfeita com os rumos que deu a ela. Ele garante que, no entanto, não tentou reproduzir o estilo de escrita de seu predecessor:

— É claro que tentei usar um pouco da técnica que ele empregava, aquilo que fazia com que os leitores devorassem os livros rapidamente — explica. — A constante troca de perspectiva, por exemplo. Mas entendi que não podia imitar Larsson. Ele era um repórter como eu, então pude usar minha própria prosa jornalística.

LAÇOS DE SANGUE

Larsson morreu em 2004 sem ver o lançamento do primeiro volume da série, “Os homens que não amavam as mulheres” (Companhia das Letras), em 2005. Vítima de um infarto aos 50 anos, ele deixou os três primeiros livros da saga prontos (“A menina que brincava com fogo” e “A rainha do castelo de ar”, ambos da Companhia das Letras, completam a trilogia). O autor tinha planos para fazer outros sete.

Como a legislação da Suécia privilegia laços de sangue para determinar os herdeiros, o pai e o irmão do jornalista, Joakim e Erland Larsson, passaram a ser responsáveis pelo espólio, que se transformou em um sucesso editorial. Eva Gabrielsson, que viveu com o autor por 30 anos, não teve direito a opinar sobre os rumos do legado do marido. Ela tampouco recebeu royalties pelos livros e pelas adaptações cinematográficas — a trilogia virou filme na Suécia e o primeiro volume ganhou versão hollywoodiana em 2011, com Daniel Craig e Rooney Mara nos papéis principais.

Em entrevista à agência AFP, em março deste ano, ela declarou que não desejava ver novos volumes da série “Millennium” à venda: “Eu não prosseguiria com o trabalho de Stieg. Aquela era sua linguagem, sua narrativa singular”. Por conta da discordância entre a viúva e a família, Lagercrantz não teve acesso ao manuscrito, de mais de 200 páginas, que Stieg Larsson preparava quando morreu. Gabrielsson garante que não planeja publicá-lo.

— Tenho um profundo respeito pela opinião dela — diz Lagercrantz para, em seguida, argumentar: — O assunto envolve questões éticas, e essa é a parte que me deixa triste. Gabrielsson disse nos jornais: “Deixem que os livros de Larsson descansem em paz”. Eu vivo com autores e nunca encontrei nenhum que queira ver suas obras esquecidas, eles querem ser lidos. Tenho certeza de que a continuidade da série é ótima para o legado de Larsson. Uma nova geração está lendo seus romances e descobrindo este homem que lutou contra o racismo e a extrema-direita na sociedade sueca.

Em carta publicada em um jornal local, os herdeiros justificaram a opção. Eles também acham que publicar novos livros é uma maneira de perpetuar a contribuição de Larsson. Joakim e Erland garantiram que o lucro será revertido para a revista “Expo”, fundada pelo autor. A publicação tem histórico de atuação política no país e era um dos grandes orgulhos do jornalista.

Os familiares citaram outros sucessos que trocaram de mãos. “Vale lembrar que a história da literatura está repleta de exemplos de sequências escritas após a morte do criador original dos personagens, do James Bond de Ian Fleming à Agatha Christie de Sophie Hannah”.

A produção de “A garota na teia de aranha” foi cercada de mistérios e medidas de segurança que deixariam a protagonista Salander orgulhosa. Para evitar vazamentos, o autor escreveu o livro em um computador desconectado da internet e usava pen drives para entregá-lo à editora. Ele conta que mostrou o manuscrito a poucas pessoas e, quando precisava discutir o livro com alguém, conversava em códigos.

— Foi uma opção da minha editora. Quando fui convidado a escrever (em 2013), muita gente voltou os olhos para mim. Não era autorizado a falar sobre o livro por e-mail, e tinha que usar palavras-chave. Era um paradoxo: escrevia sobre o mundo dos hackers enquanto me preocupava em estar sendo vigiado.

Para dar continuidade à trama de Salander e do jornalista Mikael Blomkvist, Lagercrantz escolheu abordar temas atuais. Enredados em uma teia de conspirações, enfrentam espiões de toda sorte, inclusive agentes da Agência de Segurança Nacional dos EUA, NSA.

— No tempo de Larsson, os crimes cibernéticos eram cometidos por pessoas fora da lei. Agora, é uma política de estado.

Salander, filha de um ex-agente da KGB que desertou, é uma personagem complexa, que sofreu diferentes tipos de abuso na infância. Para incorporar a personagem, Lagercrantz diz que, primeiro, precisou entendê-la:

— Tive que quebrar o código de Lisbeth. O passado tem influencia crucial em sua personalidade. Posso dizer que acrescentei um pouco mais de escuridão a ela. Tentei responder a questões que Stieg não respondeu por conta de sua morte repentina — explica.

Feliz com as resenhas, que dizem que os personagens sobreviveram à troca de autores, Lagercrantz não faz planos. E diz que não sabe se irá escrever mais um volume da série “Millennium”:

— É tentador, mas existem outras boas ofertas. Posso dizer que não serei Stieg Larsson por toda minha vida.

(Fonte: O Globo)

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 0 (from 0 votes)
Share Button